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Joinville, Santa Catarina, Brazil

CAPÍTULO 8 - PARTE II - A CONFISSÃO

Paulo chegou em casa após ter rodado muito. Quase se envolvera em um acidente por estar dirigindo perigosamente e ganhara uma multa por excesso de velocidade. Desembarcou do carro e chutou o pneu com raiva tantas vezes até sentir dor no pé. Diante do olhar confuso e embaçado por causa das lágrimas, Paulo observou os cômodos acesos da casa de Elisabete e finalmente tomara uma decisão digna de um homem. Deixou a chave do veículo na ignição e caminhou resoluto para o quarto. Dentro de minutos, ele apanhou as coisas dele dentro de uma mala, certificou-se de não haver ninguém o observando e abandonou o local.

Já passava da uma hora da madrugada enquanto ele caminhava pela rua deserta e escura quando os faróis de um veículo projetaram sua sombra mais adiante e logo o mesmo veículo parou ao seu lado.

Quer uma carona?

- Não.

Paulo ignorou o sorriso de Elisabete e continuou caminhando. Ela desceu do automóvel e insistiu:

Não vim atrás de você para levá-lo de volta, Paulo.

- Então para que veio? – perguntou ele, parando e virando-se na direção dela.

- Para levá-lo para onde desejar. Venha. Sei que está voltando para sua casa e o caminho é longo.

Ele pensou um instante e resolveu aceitar a oferta. Mas sabia que havia algo por trás daquela atitude. Embarcou no lado do passageiro, mas nem olhou para ela.

Sabe, Paulo, eu não me dou por vencida facilmente, mas quando é inevitável, sei aceitar a derrota.

- Por que está dizendo isso? – ele olhou mais atentamente para ela, que dirigia muito calma.

- Nosso começo foi uma catástrofe porque eu vi em você um desafio e quis me divertir e provar que mais uma vez sou a melhor.

Elisabete olhava para ele com ternura quando podia desviar rapidamente os olhos da estrada. Aquela conversa começou a deixá-lo intrigado.

Mas eu brinquei com fogo e acabei me queimando. Estou apaixonada de verdade. Nunca senti isso antes na minha vida, Paulo, e me arrependo de fazer você sofrer como sofreu. Eu estou disposta a fazer qualquer coisa para compensá-lo das lamentáveis situações que eu criei.

- Não estou entendendo, Elisabete – Paulo remexeu-se no banco, preparando-se para mais uma tramóia dela.

- Eu amo você, mas não quero que fique preso a mim por obrigação. Já providenciei o cancelamento do contrato de casamento.

- Você o quê?

Elisabete estacionou o Scenic na frente da casa dele e desligou o motor.

Não é isso que você sempre quis? – falou ela, demonstrando surpresa.

- Sim, mas... Como mudou de ideia?

- Não sei, acho que o amor por você me transformou. Já não sou mais a mesma pessoa. Eu quero que você seja feliz com a Tatiana.

Paulo não acreditou no absurdo que estava ouvindo, porque as pessoas, principalmente Elisabete, não mudam de opinião de uma hora para outra. Ocorreu-lhe que ela não queria que ele a processasse como havia ameaçado. Talvez ela não quisesse sujar sua reputação.

Não tenho nada com a Tatiana – revelou ele, com cautela.

- Paulo, não precisa mentir, eu sei de tudo.

- Então imagino que saiba que ela me deu o fora – falou ele, ressentido.

- Ela fez isso? – Elisabete demonstrou incompreensão, mas sorriu intimamente. Mais uma vez saíra vitoriosa. Da primeira vez, não conseguira nocautear Tatiana, que sobrevivera por milagre. – Ela está confusa, você deve entender.

- Não, é pra valer.

- Quer conversar? Eu sou boa ouvinte. Prometo que não falo nada. Eu tenho certeza que posso consolá-lo.

Elisabete apagou a luz de teto do automóvel e aproximou-se dele, fazendo carícias que ele não reprovou.

Que tal entramos? – sugeriu ele.

Eles entraram na casa e Paulo agarrou Elisabete, beijando-a com urgência. Levou-a até o quarto e atirou-a contra a cama, deitando-se em cima dela e beijando cada parte de seu corpo. Elisabete sorriu, satisfeita com a vitória. A partir daquele momento, nada mais poderia aplacar a fúria dele. Enquanto sentia o sabor das carícias que ele fazia, ela ouviu-o sussurrar, mas não entendeu.

O que você disse, meu amor?

- Que eu perdi muito tempo pensando em uma mulher que não me merecia enquanto eu tinha uma mulher maravilhosa como você.

- Não precisa lembrar disso, meu querido, apenas me faça feliz...

Ele abriu a blusa dela e levantou a saia, enquanto ela gemia de ansiedade. Estava tudo certo como ela planejara e ela não cabia em si de contentamento. Ele tirou a camisa e continuou a beijá-la no pescoço, sussurrando, quando falou:

Você é muito melhor nisso do que matando. Para assassina você foi um fracasso.

- Você tem razão. Eu errei quando confiei demais em mim mesma e não fiquei para ter certeza do resultado. Mas como sabe que fui eu? – perguntou ela, quase inocente, jogando o jogo dele.

- Você acabou de confessar.

Dizendo isso, ele levantou-se, rindo zombeteiramente. Elisabete ficou enfurecida por ter caído na armadilha dele e levantou da cama atirando nele um objeto que apanhou na mesa de cabeceira.

Fora daqui, Elisabete! Minha casa não tem lugar para uma assassina.

- Não admito isso, ouviu? Exijo que você termine o que começou!

- Por quê? Vai tentar me matar também? – ele riu, sarcástico.

- Seu... seu nojento! Como é possível que você chegue até esse ponto e pare?

- Eu sou eu – respondeu ele. – Não sou qualquer homem que você coloca na sua cama.

Ela deu uma bofetada no rosto dele, mas Paulo não se moveu do lugar.

Você está querendo me convencer de que é íntegro – retrucou ela, recuperando o controle da situação. – De que é um homem fiel, leal, cheio de princípios e escrúpulos. Mas quero lhe avisar uma coisa – ela deu uma gargalhada que ecoou na casa silenciosa. – Um homem assim não existe!

- Engano seu, Elisabete – desta vez foi ele que riu. – Esse homem existe. Agora, saia daqui antes que eu tenha que usar métodos não muito sutis para te expulsar.

Elisabete parou diante dele com o olhar fulminando de ódio.

Você não tem como provar nada, meu bem – falou sarcástica.

- Fora!

Quando ela finalmente saiu, Paulo começou a rir e repetiu:

Ah, Elisabete, esse homem existe, não se esqueça disso.



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