Minha foto
Joinville, Santa Catarina, Brazil

CAPÍTULO 6 - PARTE II - O CRIME


Tatiana contara toda sua história e, no final, Natália abraçou-a.

- Amiga, você tem uma barra pesada pela frente, mas não desista, viu? Você merece toda felicidade do mundo. No final, tudo vai dar certo.

- Obrigada, Natália. Eu sabia que podia contar com seu apoio.

- Agora preciso ir, estou atrasada para o colégio. Tchau!

Assim que Natália saiu, Tatiana voltou ao trabalho.




Natália saiu da empresa e ficou surpresa quando viu Luíza e Paloma.

- Ué? Vocês não iam embora?

- A gente ia, sim, mas ficou batendo papo e nem viu o tempo passar – falou Luíza.

- Você nem imagina quem passou por aqui todo feliz, Natália – comunicou Paloma.

- Quem?

- O Paulo, aquele mala que ia se casar com a Tatiana. Ele sorriu e disse tchau, até parecia gente. Acho que o casamento fez bem pra ele – continuou Paloma.

- Pode ser – concordou Natália, rindo porque conhecia bem a razão que o transformara. – Olha, eu não quero ser estraga-prazeres, mas estou atrasada – alertou.

- Ah, meu Deus! – exclamou Luíza, apavorada. – Vou perder minha aula! Tchau, gente!

- Espera, eu vou com você – disse Natália, enquanto se despedia de Paloma.

As duas apressaram o passo para chegarem a tempo de tomar o ônibus no terminal norte e Paloma atravessou a rua, pois morava em uma casa que fazia frente com a empresa. Antes de abrir o portão, porém, ela viu uma sombra movimentar-se e ficou inquieta.

- Deve ser minha imaginação – resignou-se, entrando na casa.



Assim que ela sumiu, a pessoa que estava à espreita saiu de seu esconderijo e atravessou a rua, encaminhando-se para a porta que dava acesso ao interior da empresa. Girou o trinco, mas o sistema interno de travamento estava acionado. Naquele instante, viu a luz na cozinha do andar superior ser acesa e um funcionário colocar a cabeça para fora da janela.

- Está precisando entrar? – perguntou o rapaz.

- Sim.

- Espere um minuto que já estou descendo. – O rapaz levou um minuto para descer e, ao abrir a porta, olhou para o sujeito com uniforme e boné e se afastou para que ele pudesse entrar. – Você é novo por aqui? – perguntou antes que o instalador desaparecesse no corredor.

- Sim.

- Ah, eu também. Está no plantão noturno?

- Sim.

- Tchau. Bom trabalho. 

- Igualmente.




Tatiana olhou o relógio. Passava das 19:30 e ela suspirou. A pilha de ASLA’s para conferir parecia não ter diminuído e a moça começou a sonhar com a publicação de suas histórias. Ela amava escrever e, apesar de não ter nenhuma expectativa a curto prazo para conseguir a publicação, não desistia de seu sonho.

Seus pensamentos foram subitamente interrompidos pelo ranger da porta e ela virou-se para ver o instalador entrar. Antes que ele pudesse dizer algo, ela perguntou sobre blocos de ASLA.

O sujeito pigarreou e perguntou:

- Como?

- ASLA, blocos de ASLA. Não foi isso que veio buscar? – perguntou ela, inocentemente enquanto o observava.

- Sim.

- Quantos? Um ou dois?

- Ãh, um... não, não, dois.

- Eu vou buscar em um minuto. Enquanto isso, você pode colocar a sua produção na caixinha ali na estante.

Ela deu as costas para ir até o depósito, mas antes que pudesse dar cinco passos, sentiu um fio ser tencionado em torno de seu pescoço e não conseguiu mais respirar. Suas mãos imediatamente tentaram libertá-la do fio, porém, estava perdendo as forças à medida que lhe faltava o ar. Deixou-se desabar no chão, onde seu corpo convulsionava violentamente à procura de ar. Um espasmo atingiu o boné do instalador, que caiu no chão revelando uma cabeleira loira.

- Desgraçada! Isso vai te ensinar a não se meter comigo!

- Eli... sabete? Por quê...

Ela deu outra volta com o fio telefônico no pescoço de Tatiana até esta ficar completamente imóvel. Elisabete ajeitou o cabelo sob o boné e manteve o olhar fixo no corpo imóvel. Os olhos de Tatiana estavam saltados, a boca entreaberta, a pele começara a ficar arroxeada, o peito já não arfava como há um minuto. Sua rival estava definitivamente fora de ação e Elisabete sorriu com a vitória tão fácil. Ela saiu com tranquilidade, satisfeita por atingir seus objetivos.





Nenhum comentário:

Postar um comentário