Após três semanas de férias, Tatiana voltou ao trabalho. Entrando no setor, apressou-se a abraçar Natália, com cuja amizade sempre pudera contar.
- Como está, Tati?
- Eu estou tão feliz, Natália! Tenho uma coisa muito importante para dizer.
- Dá pra ver que você está mesmo feliz. E aí, “viajou” muito nas férias?
- Sim, mas desta vez eu fui até o céu – disse Tatiana, transbordando de felicidade.
- Ãh? Como assim? – Natália curvou as sobrancelhas diante do comentário enigmático. – Tati, você está muito misteriosa... o que aconteceu?
- Você nem imagina...
- Fala logo...
- Eu encontrei o...
Luíza e Paloma entraram na sala, interrompendo a conversa, e logo foram dando as boas vindas para Tatiana, que as abraçou amistosamente.
- Depois falamos – disse Tatiana a Natália, que aguardava a revelação. – Ei, meninas, a Valéria já chegou?
- Ainda não – respondeu Luíza. – Parece que ela vai participar de um treinamento na matriz hoje e amanhã.
Tatiana não ficou muito satisfeita com a notícia, porque desejava falar com a supervisora sobre a compensação de horas da semana que ela tirara para se recuperar do suposto choque emocional com o casamento e pretendia zerar seu banco de horas o quanto antes. Assim, resolveu conversar com Luíza e esta telefonou para Valéria. Dentro de instantes, Luíza informou que Valéria estaria na empresa antes do meio-dia devido à prorrogação da data do treinamento de líderes na matriz da Optical. Tatiana agradeceu e retomou seu trabalho, embora as atividades que ela realizava dentro da empresa estivessem muito distantes de seus ideais, pois ela sonhava em ser uma romancista de verdade e publicar as histórias que escrevia. Como mera auxiliar administrativa, ela se via na obrigação de contar com o que tinha. Suspirou e começou a avisar o corte de rede, telefonando para cada assinante dos 120 telefones apontados em seu relatório. Aquela atividade não lhe animava, pois, tal qual uma gravação, repetia a mesma informação tantas vezes quantas fossem necessárias.
À tarde, Tatiana encaminhou-se para a sala da supervisora e combinou o horário para compensação de horas. Quando passava das 18 horas, ela estava exausta. Em seu primeiro dia enfrentar uma jornada de trabalho de doze horas não era tarefa fácil.
- Tati, tem certeza de que quer ficar? – perguntou Paloma, enquanto desligava seu computador.
- Claro, já conversei com a Valéria e está tudo acertado para eu trabalhar até as 21 horas de hoje até quinta.
- Então tá, tchau.
- Eu também queria ficar para adiantar o serviço, Tati, mas você sabe, eu tenho curso – explicou Luíza.
- Não precisa me dar satisfações. Eu estou cumprindo a minha obrigação – respondeu Tatiana, com naturalidade.
- E você, Natália? – perguntou Luíza, observando que ela ainda continuava digitando. – Ainda não vai?
- Eu vou ficar mais um pouco, porque quero terminar esse lote – argumentou Natália, apontando para a pilha de documentos que aguardavam lançamento no sistema. – Tem algum problema?
- Não, mas não se esforce muito. Precisa prevenir a LER (Lesão por Esforço Repetitivo), tá bom?
- Tá legal.
- Tchau pra vocês. Vamos, Paloma!
- Tati, tem certeza de que quer ficar? – perguntou Paloma, enquanto desligava seu computador.
- Claro, já conversei com a Valéria e está tudo acertado para eu trabalhar até as 21 horas de hoje até quinta.
- Então tá, tchau.
- Eu também queria ficar para adiantar o serviço, Tati, mas você sabe, eu tenho curso – explicou Luíza.
- Não precisa me dar satisfações. Eu estou cumprindo a minha obrigação – respondeu Tatiana, com naturalidade.
- E você, Natália? – perguntou Luíza, observando que ela ainda continuava digitando. – Ainda não vai?
- Eu vou ficar mais um pouco, porque quero terminar esse lote – argumentou Natália, apontando para a pilha de documentos que aguardavam lançamento no sistema. – Tem algum problema?
- Não, mas não se esforce muito. Precisa prevenir a LER (Lesão por Esforço Repetitivo), tá bom?
- Tá legal.
- Tchau pra vocês. Vamos, Paloma!
Assim que as garotas saíram do departamento, Natália aproximou-se de Tatiana.
- Que bom que você ficou – alegrou-se Tatiana, sorrindo para a amiga. – Eu preciso muito conversar com você. Senta aqui!
- Então me conta tudo, não esconda nada – brincou Natália.
Tatiana riu e começou a falar do amor que sentia por Paulo e narrou o encontro. Cada palavra fazia seus olhos brilharem e sua felicidade contagiou Natália, que sorria emocionada.
Enquanto isso, Luíza e Paloma seguiam pelos corredores na direção da saída, acenando para os companheiros dos outros departamentos que também encerravam o expediente. Pouco a pouco a empresa foi ficando vazia e às escuras. Na porta de saída elas encontraram-se com Valéria, que aguardava alguma coisa.
- Você, já de saída? Vai chover... – brincou Luíza, porque sabia que Valéria estava sempre ocupada com o cumprimento das atividades solicitadas pela matriz.
- O Ernesto vem me buscar... – explicou Valéria. – Olha ele aí!
- Hum... – fizeram as meninas, enquanto Valéria embarcava no automóvel que acabara de estacionar. – Vai namorar...
- É isso aí! Tchau, garotas! Cuidem-se.
Luíza e Paloma permaneceram algum tempo no pátio da empresa. Enquanto isso diversos instaladores deixavam os veículos no almoxarifado e se despediam delas, inclusive Paulo, que as cumprimentou alegremente, surpreendendo-as com sua atitude.
Do outro lado da rua e oculto pelas sombras, uma pessoa com uniforme da empresa acompanhava toda a movimentação. Olhou o relógio e resmungou:
- Que droga! Ela ainda não saiu.
Assim, continuou sua vigília, aguardando o momento oportuno para colocar seu plano em ação.
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