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Joinville, Santa Catarina, Brazil

CAPÍTULO 5 - PARTE III - NOVA INVESTIDA

Apesar de ter de cumprir as exigências impostas pelo contrato, Paulo não abandonou sua profissão. Procurava concentração total em seu trabalho para esquecer que era um prisioneiro da própria covardia.

Ao chegar na casa de itaúba, que agora ele sabia ser um chalé de luxo, ele ia diretamente para a edícula, pois não suportava a ideia de se encontrar com Elisabete. Mas esta insistentemente o lembrava de suas obrigações conjugais. Paulo, entretanto, a desprezava.

Certa noite, após mais uma tentativa frustrada, Elisabete mudou de estratégia. Usou palavras vulgares para caracterizar a atitude dele em rejeitar uma mulher como ela. 

- Você não é nada, não é um homem à altura para mim. Acho que me enganei quanto às suas preferências sexuais.

Paulo, já saturado das repetidas cobranças, ressentiu-se com o julgamento e resolveu provar que, ao contrário das suposições dela, era um homem. Agiu com brutalidade, porque estava insano de ódio. Chegou a rasgar a roupa dela e imobilizou-a na cama.

Cada vez mais perto de celebrar a vitória, Elisabete instigava o ódio dele ao ferir seu orgulho. Ela, apesar de estar sendo dominada, incentivava a continuidade do ato desvairado que consumaria seu casamento.

- Eu não costumo me enganar a respeito das coisas em que aposto. Por isso, apostei em você – afirmou, quando estava perto de realizar seus anseios.

Contudo, Paulo foi interrompido por um instante de lucidez e controlou-se a tempo de se arrepender pelo resto da vida. Puxou Elisabete de sua cama e empurrou-a para fora do quarto, atirando também as roupas que ele próprio rasgara. Apesar dos protestos da mulher, trancou a porta para recuperar o controle da situação.

Chovia forte naquela noite e ele foi até a sacada do quarto para tentar conter a fúria e o desejo insano de matar Elisabete e fugir. Paulo sentiu repulsa de si mesmo e viu que nunca mais seria o mesmo. No lugar do rapaz digno e ético, uma fera indomável estava preparada para atacar. 

Inspirou o ar frio da madrugada e pensou em Tatiana, voltando alguns dias no tempo. Estava tão preocupado consigo mesmo que não notara a tristeza que havia no olhar dela no dia do suposto casamento. Refletiu o quanto fora egoísta e quando finalmente compreendera que Tatiana o amava, Elisabete apareceu, atirando por terra todos os seus planos.

Depois de buscar as recordações, Paulo fechou as venezianas e deitou-se na cama, planejando encontrar-se com Tatiana. Precisava desesperadamente dela e a buscaria no fim do mundo se fosse preciso.

 

No dia seguinte, Paulo dirigiu-se ao setor de administração para saber notícias de Tatiana. Quando entrou no departamento, a primeira pessoa que encontrou foi Valéria, que o atendeu com visível desprezo, porque acreditara cegamente nas mentiras de Elisabete. Ele então pediu blocos de ASLA e Valéria pediu para Paloma apanhar no estoque.

- Onde está a Tatiana? – perguntou quando Paloma lhe entregou os blocos.

- Ela pediu alguns dias de folga e foi para a casa dos pais em Pirabeiraba – respondeu a moça, tomando cuidado para não ser ouvida pela supervisora.

- Onde exatamente? – Paulo insistiu.

Paloma, então, apanhou uma agenda e copiou o endereço que Tatiana informara.

- Está aqui, Paulo. – Paloma colocou o bilhete sob uma ASLA. – Está faltando assinatura do cliente.

- Obrigado, Paloma. Eu devolvo a ASLA amanhã mesmo.

Ele apanhou a ASLA e saiu satisfeito. Luíza e Natália observaram a cena e leram nos lábios de Paloma a palavra Tatiana.

- Tipos com esse caráter não deveriam trabalhar nesta empresa – censurou Valéria, sem perceber os olhares compreensivos das funcionárias.



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