Elisabete chegou em casa e abriu uma garrafa de champanha para comemorar sua vitória. Quando o sujeito que contratara para representar um detetive lhe contou que a moça estava realmente apalermada, Elisabete duvidara, mas acabou se convencendo de que sua rival tinha mesmo perdido a memória após constatar, pessoalmente, o caso. Sabia que Tatiana daria um basta na insistência de Paulo e nada revelaria que sua melhor amiga era esposa dele. Ainda apostava nos princípios morais de Tatiana, que apesar de ter perdido a memória, certamente não os teria esquecido.
Augusto aguardava-a no escritório quando Elisabete entrou com a garrafa de champanha e dois copos. Brindou com ele seu sucesso e após algumas taças ela ficara embriagada.
- Estou muito, muito, muito feliz! Eu sou o máximo, não é, Dr. Augusto?
- Isso é uma verdade incontestável, minha querida.
Ela rodopiou nos calcanhares e foi até a janela apreciar o pôr-do-sol. Augusto aproximou-se dela.
- Hoje dei minha cartada final e vou consegui-lo, é só uma questão de tempo. Isso não é maravilhoso, doutor?
- Ele não a merece, Elisabete. Este sujeito a está fazendo sofrer. Há pessoas tão próximas e você nem percebe o que elas seriam capazes de fazer por você...
- Como?
- Hoje dei minha cartada final e vou consegui-lo, é só uma questão de tempo. Isso não é maravilhoso, doutor?
- Ele não a merece, Elisabete. Este sujeito a está fazendo sofrer. Há pessoas tão próximas e você nem percebe o que elas seriam capazes de fazer por você...
- Como?
Elisabete olhou para o lado instintivamente. Seu corpo estava leve, mas ela não deixaria que ninguém estragasse aquele momento de felicidade.
- Onde está querendo chegar, Dr. Augusto?
- Não me chame de doutor. Já trabalho pra você há tanto tempo. Não acha que não precisamos mais de tanta formalidade? – arriscou ele, aproximando-se cautelosamente do corpo dela.
- Eu o pago para ser meu advogado e nada mais – falou ela, bruscamente.
- Eu a conheço bem, Elisabete. Estava esperando uma oportunidade para falar sobre o meu amor...
- Amor? – Elisabete caiu na gargalhada. – Não sabe que não acredito no amor?
- É o que você diz, mas não o que sente, a exemplo do que faz para conseguir este idiota que não percebe a mulher maravilhosa que você é.
Elisabete ficou furiosa e afastou-se dele.
- Você sempre soube que eu quero satisfazer meu ego. Faz parte de mim conseguir tudo o que quero. – Augusto aproximou-se dela novamente, mas permaneceu calado. – E eu quero o Paulo, entendeu? Quando conseguir, vou colocá-lo no olho da rua.
- Sabe que não é mais possível, Elisabete. Você se apaixonou por ele.
- Mentira!
- Você só está enganando a si mesma, Elisabete. Percebe como dói amar uma pessoa que te despreza? E eu te amo.
Augusto aproveitara o momento e beijou Elisabete à força. Ela tentou se desvencilhar, mas logo não ofereceu qualquer resistência.
A noite caíra e o escritório estava às escuras. De repente, a porta rangeu e eles viram Paulo parado, observando-os quase nus.
- Vocês dois se merecem – disse Paulo, afastando-se com tranquilidade.
- Paulo! – chamou ela, enquanto arrumava as roupas. – Cretino! Você estragou tudo!
Elisabete esbofeteou o rosto de Augusto e correu atrás de Paulo. Seu autodomínio a abandonara completamente e ela estava quase entrando em desespero. Ela o seguiu até a cozinha, procurando se explicar. Paulo continuou impassível, enquanto bebia tranquilamente uma cerveja que apanhou na geladeira.
- Paulo, por favor, me escute. Eu não tenho nada com ele.
- Você acha que me importo, Elisabete? Eu já desconfiava disso desde o início. Agora tenho argumento para entrar com o divórcio.
- Divórcio? Como assim, divórcio? Não tem o direito de fazer isso comigo, Paulo!
- Direito? Ouvi você falar em direito? E o que você fez comigo, você acha que é o quê? Calúnia, difamação, ameaças. Você forjou provas contra mim, me mandou pra cadeia, pagou pra me tirarem de lá, me obrigou a assinar um contrato de casamento que lhe dá concessão para jogar-me no lixo assim que for satisfeita e, como se tudo isso não fosse bastante, tentou assassinar a mulher que amo!
Quando terminou, ele estava alterado, mas sentiu confiança e continuou blefando.
- Tenho como provar. Tenho testemunhas de que você esteve no local da tentativa de homicídio.
Elisabete descontrolou-se por completo. O desespero tomou conta dela. Ela percebeu que estava perdendo Paulo e ficou enlouquecida.
- Paulo, eu amo você, não vê que quero você a todo custo? Eu seria capaz de rastejar aos seus pés para implorar seu amor. Não me abandone.
- Confesse! Você tentou matar Tatiana!
- Não!
Elisabete atirou um copo contra ele, que se desviou a tempo de não ser atingido. Em seguida, ele retirou-se da cozinha. Ela continuava enfurecida e quebrou tudo que estava ao seu alcance. Augusto apareceu no momento em que a crise dela passara.
- Seu imprestável! Traidor! Você fez de propósito, não foi?
- Engana-se, Elisabete. Não foi premeditado. Agora, acalme-se.
- Ele vai me deixar, Augusto! – Ela agarrou-o pela camisa e começou a chorar. – Você tem que fazer alguma coisa.
Augusto a abraçou e acariciou seus cabelos. Suspirou pois não gostava de vê-la sofrer. Amava-a verdadeiramente e bastava um pedido seu que ele faria sem hesitar.
- Elisabete, escute. Já tenho um plano. Deixe-me encaminhar tudo e amanhã conversaremos, ok? Por hora, peço que vá tomar um banho e depois vá se deitar.
- Promete que vai me ajudar?
- Prometo – respondeu ele, antes de sair apressadamente.
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