Acabo caindo num irrefletido engano
quando seu elogio minha alma abranda;
diante do semblante serenado,
faz-me esquecer a vida que anda.
Seu olhar incide sobre mim
com tão doce e sincera ilusão,
e eu me envolvo, enfim,
nas brumas de sua sedução.
Sigo você nervosamente
na caminhada ofegante;
ouço o que diz meu coração
e desatenta, perco a direção.
Confesso, contrariada,
das virtudes, abalada,
dos princípios que não troco:
espero te rever, mas não posso.
Ilusão de alguém que agora flutua
nas carícias lânguidas da aurora
e na velocidade da luz em alta hora
parte do aposento para a lua.
Não me é permitido te amar,
declarar-me nem pensar!
devo afastar-me do seu encanto,
mesmo que em sentido pranto.
Perder-me assim não devo mais,
iludir-me em sonhos, jamais!
pois você apareceu e já passou,
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