Tijolos maciços metodicamente enfileirados e encaixados em vigas de madeira de lei. Nas paredes, reboco somente no interior. Assoalho de tabus. Sótão. Telhado em triangulo quase íngreme. Varanda. Escadaria. Construção pitoresca alemã.
Vivi nesta casa durante 22 anos e depois que meus pais se mudaram e que a mesma foi demolida, chorei. Parece que eu tinha perdido algo de muita estima.
A casa não era confortável, os cômodos mal distribuídos. Era escura e fria. Não tinha lavabo. O sanitário ficava do lado de fora. Os móveis eram todos antigos, gastos, de baixa qualidade. Energia elétrica, somente em 1980. Havia um prolongamento nos fundos da casa, onde existia um rancho e neste local havia o forno a lenha, os esmeril, as gaiolas para criação de pintinhos, a oficina de meu pai, e colado ao rancho, um pequeno galinheiro.
O riacho passava pelos fundos da casa. Não havia agua encanada e era desse rio que se buscava agua, aos baldes. Havia uma pequena horta ao lado da casa. Na frente, um jardim com cerca de bambus. A entrada sombreada por altaneiras palmeiras e o caminho margeado por hortênsias e arbustos. em toda a volta, pomares, plantações e mata virgem envolviam c=a casa, que ficava protegida pela beleza da natureza intacta.
Mesmo que as condições de vida não favorecessem o conforto, aquela casa continua fazendo parte importante das minhas lembranças e até dos meus sonhos. A saudade aperta o peito quando os olhos da minha memória percorrem aqueles cômodos. Por ser uma moradia bastante afastada da vila, eu tinha somente meu pai, minha mãe e minha irmã. Vivia sob a dependência absoluta do carinho e amor deles. E é desses tempos remotos que recordo.
A casa de enxaimel não existe mais; pertenceu a uma época longínqua que permanece apenas na lembrança, uma recordação boa de tempos que não resistiram à passagem dos anos.
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