Mercedes
sai para a rua em seu salto quinze e caminha um quarteirão. Bem vestida e
perfumada, não escapa de uma buzinada aqui, uma cantada mais adiante. Tudo
passa despercebido para uma mulher como ela, resolvida e autoconfiante.
Para
no ponto de táxi e olha o relógio de pulso que usa mais por ornamento do que
funcional. Cruza os braços, impaciente.
Alguns
minutos depois, chega um táxi, no qual ela embarca rapidamente.
-
Para o motel de luxo mais próximo – ordena, sem
cerimônia.
O
taxista, através do espelho, lança um olhar de aprovação e sorri. Conduz o
veículo para o local solicitado, estaciona e informa o preço da corrida. Fica
estupefato quando Mercedes, com jeito de déspota, lhe desafia para entrar.
Contudo, obedece.
-
Olhe que minha patroa não vai gostar nada
disso...
-
Pelo contrário, ela vai adorar.
Algum
tempo depois, eles retornam para o veículo. Ela não orienta a rota dessa vez,
mas o motorista a deixa no portão de uma casa. Antes de desembarcar, Mercedes
sorri, beija o taxista e afirma:
-
Viu como sua patroa adorou?
Quando
ela está abrindo o portão, o taxista torna a falar:
-
Ah, querida! Não se esqueça de pegar as crianças
na casa da mamãe às 11 horas, hein!
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