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Joinville, Santa Catarina, Brazil

DO OUTRO LADO DA LINHA - 2002



Tatiana é auxiliar administrativa de uma prestadora de serviços telefônicos e conhece Márcio, profissional responsável pela instalação de linhas telefônicas, com o qual sofre incompatibilidade de gênios. Márcio, por sua vez, se envolve com Elisabete, mulher dominadora que denuncia o instalador por maus tratos e este, para se livrar da prisão, se vê obrigado a aceitar a chantagem e casar com ela. Tatiana ainda tenta ajudá-lo e piora a situação, porque sofre ao descobrir que o ama. Apesar de casado, Márcio se recusa a consumar o casamento, porque também descobriu sua paixão por Tatiana e precisa resgatar sua dignidade para tomar as rédeas da própria vida e se livrar da vilã. Entretanto, se soltar das amarras do próprio remorso exigirá uma profunda transformação.


...

Ela deu as costas para ir até o depósito, mas antes que pudesse dar cinco passos, sentiu um fio ser tencionado em torno de seu pescoço e não conseguiu mais respirar. Suas mãos imediatamente tentaram libertá-la do fio, porém, estava perdendo as forças à medida que lhe faltava o ar. Deixou-se desabar no chão, onde seu corpo convulsionava violentamente à procura de ar. Um espasmo atingiu o boné do instalador, que caiu no chão revelando uma cabeleira loira.
        Desgraçada! Isso vai te ensinar a não se meter comigo!
        Eli... sabete? Por quê...
Ela deu outra volta com o fio telefônico no pescoço de Tatiana até esta ficar completamente imóvel. Elisabete ajeitou o cabelo sob o boné e manteve o olhar fixo no corpo imóvel. Os olhos de Tatiana estavam saltados, a boca entreaberta, a pele começara a ficar arroxeada, o peito já não arfava como há um minuto. Sua rival estava definitivamente fora de ação e Elisabete sorriu com a vitória tão fácil. Ela saiu com tranqüilidade, satisfeita por atingir seus objetivos.
Tatiana não respirava mais. Aos poucos sentia que o sangue parava de circular e seu corpo frio perdia quase toda a atividade vital. Seus olhos fixos perceberam que o teto se aproximava e subitamente ela soube que estava morrendo. “Deus, já chegou a minha hora? Então não tenho mais medo.” Ela não sentia dor nem angústia, apenas estava se sentindo levitar e alcançar o teto, que começara a girar, aumentando gradativamente a velocidade. De repente, ela teve a impressão de que despencara de um precipício e seu corpo antes imóvel voltara a se mexer.

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