Tatiana é auxiliar administrativa de uma prestadora de
serviços telefônicos e conhece Márcio, profissional responsável pela instalação
de linhas telefônicas, com o qual sofre incompatibilidade de gênios. Márcio,
por sua vez, se envolve com Elisabete, mulher dominadora que denuncia o
instalador por maus tratos e este, para se livrar da prisão, se vê obrigado a
aceitar a chantagem e casar com ela. Tatiana ainda tenta ajudá-lo e piora a
situação, porque sofre ao descobrir que o ama. Apesar de casado, Márcio se
recusa a consumar o casamento, porque também descobriu sua paixão por Tatiana e
precisa resgatar sua dignidade para tomar as rédeas da própria vida e se livrar
da vilã. Entretanto, se soltar das amarras do próprio remorso exigirá uma
profunda transformação.
...
Ela deu as costas para ir até o depósito, mas antes que pudesse dar
cinco passos, sentiu um fio ser tencionado em torno de seu pescoço e não
conseguiu mais respirar. Suas mãos imediatamente tentaram libertá-la do fio,
porém, estava perdendo as forças à medida que lhe faltava o ar. Deixou-se
desabar no chão, onde seu corpo convulsionava violentamente à procura de ar. Um
espasmo atingiu o boné do instalador, que caiu no chão revelando uma cabeleira
loira.
–
Desgraçada!
Isso vai te ensinar a não se meter comigo!
–
Eli...
sabete? Por quê...
Ela deu outra volta com o fio telefônico no pescoço de Tatiana até esta
ficar completamente imóvel. Elisabete ajeitou o cabelo sob o boné e manteve o
olhar fixo no corpo imóvel. Os olhos de Tatiana estavam saltados, a boca
entreaberta, a pele começara a ficar arroxeada, o peito já não arfava como há
um minuto. Sua rival estava definitivamente fora de ação e Elisabete sorriu com
a vitória tão fácil. Ela saiu com tranqüilidade, satisfeita por atingir seus
objetivos.
Tatiana não respirava mais. Aos poucos sentia que o sangue parava de
circular e seu corpo frio perdia quase toda a atividade vital. Seus olhos fixos
perceberam que o teto se aproximava e subitamente ela soube que estava
morrendo. “Deus, já chegou a minha
hora? Então não tenho mais medo.” Ela não sentia dor nem angústia,
apenas estava se sentindo levitar e alcançar o teto, que começara a girar,
aumentando gradativamente a velocidade. De repente, ela teve a impressão de que
despencara de um precipício e seu corpo antes imóvel voltara a se mexer.
...
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