Paloma e Luíza haviam ido ao refeitório para uma pausa e Natália tirara a manhã de folga, portanto Tatiana ficara sozinha no departamento. O fone da central de atendimento ao cliente que ficava em sua sala tocou e ela logo atendeu. Ela trivialmente disse o nome da empresa seguido do cumprimento e o cliente perguntou-lhe:
- Tá falando da empresa que instala telefone na casa da gente?
- Sim – respondeu Tatiana, já impaciente. – O que o senhor deseja?
- Tá falando da empresa que instala telefone na casa da gente?
- Sim – respondeu Tatiana, já impaciente. – O que o senhor deseja?
Após entender que o cliente desejava saber qual o prazo para a instalação de sua linha telefônica, ela solicitou o número do CPF para fazer a busca no sistema de informação e descobriu que a ordem de serviço daquele assinante havia entrado na pendência por endereço não localizado e a próxima tentativa de instalação fora agendada após dois meses. Tatiana voltou a falar com o assinante para confirmar o endereço, cadastrar um ponto de referência e explicar sobre o prazo. O assinante ficara irritado e afirmou que sua residência era perfeitamente localizável.
- Escute, senhor, vou fazer o possível para que seu telefone seja instalado o mais depressa possível, mas não posso prometer uma data específica, porque vai depender da fila de serviços.
O assinante pareceu mais tranquilo e satisfeito com o comprometimento, porém, ameaçou procurar o serviço de defesa do consumidor caso o telefone não fosse instalado dentro de uma semana.
- Ai, ninguém merece – resmungou ela, providenciando urgência para a O.S.
- Ai, ninguém merece – resmungou ela, providenciando urgência para a O.S.
Paloma e Luíza chegaram naquele instante e logo perceberam o nervosismo de Tatiana.
- O que aconteceu, Tati?
- Ah, o 0800 me estressou.
- Mentira – disse Luíza em tom de brincadeira. – Você já veio estressada hoje. O que viu no final de semana para ficar desse jeito?
- Se eu estou de mau humor hoje é tudo culpa daquelas duas jarras de vinho...
- Vinho, é? – chateou Paloma. – Sei...
- O que aconteceu, Tati?
- Ah, o 0800 me estressou.
- Mentira – disse Luíza em tom de brincadeira. – Você já veio estressada hoje. O que viu no final de semana para ficar desse jeito?
- Se eu estou de mau humor hoje é tudo culpa daquelas duas jarras de vinho...
- Vinho, é? – chateou Paloma. – Sei...
Paloma entregou em seguida uma ASLA para Tatiana devolver para o instalador, porque faltou parentesco da pessoa que assinou. Ela não gostou ao verificar que se tratava de uma ASLA de Paulo.
- Não vou falar com aquele grosso agora – decidiu ela, deixando o documento em um canto da mesa.
- Você que sabe – respondeu Paloma. – Por que não aproveita para perguntar como ele está?
- Era só o que me faltava!
- Não vou falar com aquele grosso agora – decidiu ela, deixando o documento em um canto da mesa.
- Você que sabe – respondeu Paloma. – Por que não aproveita para perguntar como ele está?
- Era só o que me faltava!
Algumas horas depois chegou Valéria, a supervisora do setor. Ela havia estado na matriz em Florianópolis para uma reunião de lideranças acerca do novo contrato de serviço.
Luíza então comentou sobre as novas exigências que o funcionário da matriz fez para atualização da planilha de combustível e Valéria, irritada com a petulância do sujeito em dar ordens para sua subordinada, apanhou o telefone imediatamente, disposta a esclarecer a situação. Após ter questionado as exigências, ela procurou inteirar-se sobre o desempenho das tarefas, perguntando a respeito das atividades de Luíza, Tatiana, Paloma e Natália. Assim que verificou que os procedimentos estavam sendo rigorosamente seguidos, ela ficou satisfeita e voltou para sua mesa para atender o telefone. Em seguida, dirigiu-se até a sala do Sr. Laércio, coordenador geral da filial de Joinville.
No mesmo dia, houve tumulto na sala de Telefonia Pública, devido à revogação de contrato por parte da Sul Telefonia em relação à área de TP (telefone público). A notícia chegou de repente e a diretoria deu ordens para que tudo que se relacionasse à área fosse suspenso. Desta forma, Valéria ligou rapidamente para a gráfica para suspender a tiragem do lote de blocos de serviço. Para alegria dela, a impressão ainda não havia sido encaminhada.
Zilda, a assistente de Recursos Humanos da macroárea norte do Estado voltou da sala da diretoria e iniciou o encaminhamento das rescisões dos colaboradores responsáveis pela manutenção de TP’s, o que gerou cerca de trinta demissões.
Tatiana estava cobrindo a recepção pela manhã no momento em que os funcionários estavam chegando para a reunião. Somente mais tarde ela foi descobrir o motivo de tanta agitação. Ao passar pelo corredor, observou a sala de TP em polvorosa e os rostos apreensivos dos funcionários e deduziu a situação.
Diante de tanta aflição, Tatiana lembrou das palavras de Valéria com relação à redução de custos prevista para os próximos meses: “O Seu Laércio me pressiona todos os dias porque quer reduzir o quadro de funcionários deste setor”. Tatiana temia por seu emprego.
Todos os fantasmas passaram por sua cabeça e ela não conseguiu disfarçar quando entrou na sala. Olhou mais uma vez para a ASLA de Paulo, embora não tivesse a mínima vontade de falar com ele. Decidiu entrar em contato com ele somente depois do almoço. À tarde, sem alternativa, apanhou a planilha onde constava o número do celular dele e ligou.
- Paulo? Aqui é Tatiana, do controle de produção. Tudo bem?
- Se você está ligando pra mim é porque não está tudo bem.
- Paulo? Aqui é Tatiana, do controle de produção. Tudo bem?
- Se você está ligando pra mim é porque não está tudo bem.
Tatiana ignorou a indireta e procurou informar-se com ele acerca do grau de parentesco. Ele solicitou alguns dados e lembrou que fora a filha da assinante que assinara a ASLA. Entretanto, estaria burlando o procedimento caso ela própria escrevesse na ASLA e pediu para Paulo passar no departamento para incluir o dado esquecido.
- Muito bem, se não quiser pagar a O.S. não tem problema. Rasga e joga fora – retrucou ele, com sarcasmo.
- Mas, Paulo, não posso fazer isso...
- Muito bem, se não quiser pagar a O.S. não tem problema. Rasga e joga fora – retrucou ele, com sarcasmo.
- Mas, Paulo, não posso fazer isso...
Ele desligou na cara dela e Tatiana procurou compreender o motivo de ele ser tão estressado. Virou-se para Luíza e Paloma para perguntar se elas o conheciam, mas foi interrompida pelo supervisor que entrou na sala.
- Boa tarde!
- Boa tarde, Bolacha! – responderam elas.
- Bolacha, preciso falar contigo – começou Tatiana.
- Por que é que eu fui entrar aqui? – lamentou ele, por brincadeira.
- É que eu emiti um RACP (Relatório de Ação Corretiva) pra você, porque o Gilmar escreveu umas ASLAS com caneta cor-de-rosa...
- E com cheiro de morango – completou Luíza.
- Gilmar? – pensou ele. – Quem é esse? Será o Sorriso?
- Esse mesmo! – respondeu Paloma, com desdém.
- Agora o procedimento mudou e é o supervisor que recebe o relatório – continuou Tatiana.
- Coloca o nome dele aqui em cima...
- Já tá lá, Bolacha – atalhou Luíza, rindo dele.
Ele saiu com o relatório e Tatiana atendeu seu ramal. Era Andréia pedindo para ela cobrir a recepção, enquanto faria um lanche.
- Vou para a central – avisou Tatiana ao sair da sala.
Tatiana substituiu Andréia na recepção e imediatamente atendeu a chamada que observou na janela do aplicativo.
- Quem está falando?
- Tatiana.
- Tatiana? E a Andréia?
- É horário do lanche dela.
- Ah, e você pode dar uma ordem pra eu abastecer?
- Claro, qual é o seu nome? – Ela anotou os dados da autorização de abastecimento, comprometeu-se a enviar o fax imediatamente e atendeu a próxima ligação.
- Alô, Andréia, me passa lá com o Bolacha...
- Não é a Andréia, é a Tatiana – irritou-se ela, corrigindo a pessoa com que falava. – Quem está falando?
- Paulo.
“Que perseguição”, pensou, enquanto acessava o ramal e transferia a ligação sem anunciar.
Alguns minutos se passaram sem que a central tocasse. Tatiana abriu o jornal para ler o horóscopo, mas voltou para atender nova ligação.
- Boa tarde – cumprimentou a mulher que ligara. – Eu estou precisando do número do celular do Paulo.
- Que Paulo? – perguntou Tatiana, sobressaltada. – Quem está falando?
- Meu nome é Elisabete. É que ele esteve na minha casa na semana passada instalando meu telefone, que agora está mudo.
- Ah, entendi. Mas infelizmente não estou autorizada a informar número de celular dos funcionários da empresa e eu vou pedir para você ligar no 0800...
- Mas você não pode ajudar? – insistiu a mulher.
- O que eu poderia fazer é anotar o número do seu telefone e dar o recado para ele ligar para você. Qual é o número?
A mulher informou o número do celular dela e enquanto anotava, Tatiana clicou também no aplicativo para verificar de que telefone a assinante estava falando. Estranhou que o número fosse o mesmo do qual Elisabete reclamava. Tatiana não compreendeu e informou novamente o número do 0800.
Andréia voltou do lanche e Tatiana tratou de retornar para o setor.
- Sabe aquele seu amigo... – começou Paloma, quando Tatiana entrou na sala.
- Amigo? – estranhou Tatiana.
- É, o Paulo...
- Ah, o estressado, o que ele fez agora?
- Sabe aquele seu amigo... – começou Paloma, quando Tatiana entrou na sala.
- Amigo? – estranhou Tatiana.
- É, o Paulo...
- Ah, o estressado, o que ele fez agora?
Paloma explicou que recebera a ligação de uma assinante que queria o número do celular dele para consertar o defeito no telefone dela.
- Mas tem que ser o Paulo – Paloma repetiu o que a assinante solicitou, enfatizando o nome dele.
- Qual era o nome dela? – perguntou Tatiana, achando a história familiar.
- Elisabete.
- Bobagem dela, Paloma. Ela acabou de ligar na central contando a mesma história. E adivinha de que telefone ela ligou?
- Do mesmo número que ela diz estar mudo! – deduziu Paloma, enquanto ria da situação.
- Exatamente!
- O cara é bom, hein! – continuou Paloma. – Liga pra ele, Tatiana...
- Por que eu? – protestou Tatiana.
- “Poisque” sim... – brincou Paloma, sem dar maiores explicações.
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