Indizível vontade de calar. Quantas vezes tivera eu desejo inevitável de falar, falar, falar...? Estranhos opostos do temperamento feminino empregam artifícios maquiavélicos com o secreto intuito de desestabilização racional e emocional.
Sou tagarela em potencial. Quando foi que me tornei reclusa do meu próprio pensamento? Escapar da incongruência que o labirinto cerebral – estimulado pelas complicações sentimentais inefáveis, demonstra ao desarticular a voz, se trata de uma luta desigual em que minha estima vai a nocaute.
Hoje sorri e até arranquei risos das pessoas com as quais divido minhas horas de profissão extenuante. Sou alegre e normalmente bem-humorada, pois tenho uma vida feliz. Amo minha família e recebo apoio o tempo inteiro. Tenho poucas preocupações, mas aquele sentimentozinho medíocre permanece lançando seu veneno em meu centro nervoso.
Descubro, finalmente, a causa, mas não consegui ainda desafiar a consequência, tomando posição superior frente ao problema agressivo. A insegurança fortemente vinculada à minha estima é resultado dos altos níveis de testosterona produzidos não somente em meu organismo como também em minha alma. Fico a desejar um antídoto que reverta o hirsutismo, mas será possível encontrá-lo? Nem as soluções fitoterápicas, nem as médicas, nem mesmo as estéticas parecem funcionar.
Lá no fundo pesa a sensação de parecer diferente, de chamar atenção para algo aflitivo e não menos repugnante do que filamentos vigorosos que cobrem a epiderme facial. Às vezes, cortá-los se assemelha a abrir uma “transamazônica” em plena mata nativa e densa. E essa sensação tão pérfida e voraz como um enxame de cupins, arruína toda a estrutura externa – o lado que se vê, e a interna, não menos inerme aos ataques discrepantes de discriminação.
Por isso trabalho sempre com a qualidade interior, pois mais vale o conteúdo do que a embalagem. Se em meu corpo corre testosterona além da conta, pouco importa: ela não impede de eu fazer valer a minha existência.
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