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Joinville, Santa Catarina, Brazil

Poesia - QUERO ENVELHECER AO SEU LADO

Faz muito tempo que eu queria te dizer isso,
Que você é minha pedra preciosa,
Minha estrada, o caminho por onde sigo,
Minha lua, meu sol, minha casa,
É você que alimenta o meu viver.

Quase te perdi para o meu trabalho,
Mas foi a tempo que reconheci
Que estava errado, o tempo inteiro,
Você lutava pra vencer a solidão,
E me esperava e eu não te amava.

Mas fiquei embevecido com seu corpo
Que me esperava, ansioso por um toque,
Ávido de esperança por um abraço,
Lânguido, desejoso, mas também puro,
Apaixonei-me de novo, te amo, não tem jeito.

Quero envelhecer ao seu lado,
Quero vê-la com cabelos brancos,
Bem, olhe pra mim, já tenho os meus,
Agora falta você, mas tão jovem,
Os anos para você não passam tão depressa.

Sou confiante de que Deus está agora mesmo
Aqui ao nosso lado, nos fazendo felizes,
Dando-nos oportunidade para recomeçarmos,
Assim como as árvores, que perdem suas folhas
Durante o outono, mas na primavera se renovam.

Sinto medo quando você fica longe,
Pois a distância é como um veneno,
As horas separados são torturantes,
Quero vê-la, senti-la, amá-la,
Como se sempre fosse a primeira vez.

Conseguimos rir juntos ao nos declararmos,
Depois de tantos conflitos e tantas dúvidas,
E seus olhos voltaram a brilhar,
Fulgurantes, como jabuticabas,
Revelando a pureza de sua alma.

Como me arrependo em te ignorar,
Mas você sabe o quanto te amo,
Às vezes a cabeça não está boa,
Mas o coração sempre está
Te procurando, certamente.

Você sabe que eu te amo,
Não há nada que perturbe nosso amor,
Não se sinta desprezada
Se não te procuro, pois respeito
O seu cansaço e o seu descanso.

Repousa no meu peito, doce amor meu,
Não pense que deixei de te amar,
É somente o horário das obrigações
Que nos separa, e nada mais,
Não sofra, mesmo longe, você está em mim.

Diga que também me ama,
Para mim também é importante te ouvir,
Não responda que vai desistir,
Nós estamos quase chegando,
A nossa jornada não tem fim.

Precisamos um do outro,
Eu preciso de você, minha vida,
Minha paixão, mulher linda
Que Deus me deu,
Mulher pura como os anjos.

Quero vê-la confiante, firme,
Constante, deslumbrante,
Basta olhar para mim,
Olhos de jabuticaba,
Para abrilhantar meu coração.

Penso em você a todo instante,
E luto por você, razão da minha existência.
Não se preocupe tanto,
Você é exclusivamente minha
E assim sou todo seu.

Quero envelhecer ao seu lado,
Fazer com que seus olhos brilhem sempre,
Sussurrar palavras de amor,
Cantar, cuidar de você,
Razão da minha presença neste mundo.

Poesia - SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO

Sexta-feira da paixão,
A dor é desesperadora.
O coração quebrantado clama:
Libertem nosso Jesus!

Deus, por que tem que acontecer?
Por que permites que o mal possa vencer?
Por que deixas Jesus sofrer?
Ele só falou de amor para o povo viver.

Jesus está lá, dependurado
No holocausto de uma cruel cruz;
Suplantado pela injustiça
De um povo insano, ludibriado.

Não deixes Jesus morrer, Senhor!
Clamo a ti neste momento.
Pai, livra-o deste tormento,
Que presencio com imensa dor.

Onde estás, Deus, neste instante?
Onde foi parar a sua glória?
A legião do mal grita confiante:
É chegada a hora da nossa vitória!

Jesus faleceu, não quero acreditar!
Desespero-me, Pai, acabou!
A terra tremeu e o manto do céu se rasgou;
Para onde foi o santo que veio nos salvar?

Porém, nós, pecadores,
De seus desígnios desconfiamos;
Formamos um povo ingrato,
Quando não alimentamos nossa fé.

Vimos Cristo morrer e lamentamos,
Sem lembrarmos-nos das profecias:
Deus enviará seu próprio filho
Ao mundo de heresias.

A vitória da maldade três dias dura,
Com renovado ânimo bradamos:
Jesus Cristo ressuscitou!
Deus conclui a sua obra.

Jesus sofreu para que tenhamos vida,
Pois Deus nos chama à alegria,
Quer ver sua família reunida,
Com amor e santa paz todo dia.

Duvidamos de Deus e de sua promessa
De que os bons ao céu chegarão.
O Senhor nos fala ao coração:
Esperemos, pois ele ao mundo regressa.

Sejamos firmes, dia a dia,
Ajamos com fé inabalável,
Pois o Senhor é indelével,
E sua justiça não é tardia.

Poesia - NÃO QUERO TE ESQUECER

Achei que fosse uma brincadeira,
Mas você, seguro, apareceu,
Do jeito que prometera.
Meus olhos, das órbitas quase fora,
Minhas pernas enterneceram.
Pensei um segundo: E agora?


Que coisa é essa,
De querer agir depressa,
Te impedir, que é o certo,
Fingir que não me interessa?


Quando te avistei,
Tomei atitude decisiva,
Triste episódio da minha vida.
O coração, já comprometido, fechei.
À sua aproximação
me retraí e te dei a mão.


Queria conversar contigo,
Mostrar minha alma,
Em teu semblante buscar abrigo.


Postura indigna,
O correto é esquecer,
Mas quanto bem faz a lembrança
Deste doce enigma!


Sou como a criança
Que se entusiasma
Com a bolha de sabão,
cresci na nuança,
e me maravilho ainda
Com uma forte emoção.

Poesia - BRUMAS DE SEDUÇÃO

Acabo caindo num irrefletido engano
Quando seu elogio minha alma abranda;
Diante do semblante serenado,
Faz-me esquecer a vida que anda.


Seu olhar incide sobre mim
Com tão doce e sincera ilusão,
E eu me envolvo, enfim,
Nas brumas de sua sedução.


Sigo você nervosamente
Na caminhada ofegante;
Ouço o que diz meu coração
E desatenta, perco a direção.


Confesso, contrariada,
Das virtudes, abalada,
Dos princípios que não troco:
Espero te rever, mas não posso.


Ilusão de alguém que agora flutua
Nas carícias lânguidas da aurora
E na velocidade da luz em alta hora
Parte do aposento para a lua.


Não me é permitido te amar,
Ouvir suas declarações nem pensar!
Devo afastar-me do seu encanto
Mesmo que em sentido pranto.


Perder-me assim não devo mais,
Iludir-me em sonhos, jamais!
Pois você apareceu e já passou,
Mas vale a lembrança que restou.

Poesia - SONHO EM FICAR CONTIGO

Seus olhos me perscrutavam indiscretos,
Buscavam respostas na minha essência,
Seu olhar penetrante me envaidecia,
Minha alma solitária invadia.

Tentei ignorar o que seus olhos imaginavam,
Quis fugir de você e me esconder,
E salva na minha verdade constante,
Mas, nem que eu quisesse, te esqueceria.

Veja só o que você fez comigo:
Me deixou indefesa,
Oscilou minha certeza
E agora sonho em ficar contigo.

Continuou olhando atentamente,
E eu, sem graça e com pudor,
Com voz sumida respondi presente,
E você me olhou com mais amor.

Coragem não lhe faltava
Para dizer que de mim gostava,
Que meus olhos transmitem doçura,
E que mesmo menina, pareço madura.

Veja só o que você fez comigo:
Me deixou indefesa,
Oscilou minha certeza
E agora sonho em ficar contigo.

Poesia - GPS DA PAIXÃO

As palavras não fazem sentido
Quando eu me sinto perdido.
Abro um livro e vejo palavras
Voando em minha direção.

As palavras procuram abrigo
E penetram o meu coração.
Mesmo assim, as investigo
Pra saber o que realmente são.

Há palavras, só palavras
Que seu destino não alcançam.
Há palavras, só palavras
Dentro do meu coração.

Continuo desnorteado
Sem saber onde te procurar;
Pelas palavras, desorientado,
Sinto vontade de te amar.

Um instante de hesitação
Porém, preciso te encontrar,
Saber de ti, minha ilusão,
Te descobrir, te abraçar.

Então sem demora eu ligo
O GPS da paixão,
Me comunico contigo
E te encontro, meu coração.

Há palavras, só palavras
Que querem te encontrar.
Há palavras, tantas palavras
Minha bússola é seu coração.

Poesia - NA CONFIGURAÇÃO EXCLUSIVA DO MEU SER

Eu não sonhava com você
E nem esperava te encontrar
Queria apenas conhecer instantes de insensatez
E soprar de leve toda minha embriaguez.

Sua presença, censura,
De descompasso causador,
seus gestos, doçura,
meu coração encheu de amor.

Na configuração exclusiva do meu ser
Você vem e se mistura.
Sua face desvanece, temo te perder,
Porque sua dignidade é minha cura.

E eu te procuro a cada alvorecer
Você, um sonho que me acorda,
A felicidade de viver
Um coração que de amor transborda.

Poesia - NECESSIDADES INDECISAS

O Verde da minha vida não se limita à flora,
Nem o Amarelo às jazidas de ouro exploradas outrora,
Quanto menos o Vermelho à financeira instabilidade
Ou o Azul se prende a uma década de cumplicidade.

Um Branco sonho me faz despertar,
E me levanto Negro por uma xícara de bem-estar.
Cinza o dia passo a contar migalhas de atenção,
Visto-me de esperança de fugir da solidão,
Cubro-me com um manto dourado,
E preparo-me para ver-me então,
Repousando em imaterial estado.

Poesia - O TEMPO NÃO PÁRA

O relógio soa: tic-tac-tic-tac-tic-tac.
Os ponteiros parecem se movimentar com o peso de um canhão,
prontos para a contagem regressiva e o disparo: pummm!
Explodiu a idéia contraditória,
que foi arremessada para fora do universo.

O relógio continua tictaqueando incessante,
ajudado pelo sistema automático de liga-desliga do refrigerador.
As idéias deslizam no papel,
enquanto os pernilongos matraqueiam,
ávidos pelo doce sabor do sangue.

O refrigerador então silencia por alguns minutos... poucos.
O tic-tac-tic-tac-tic-tac incomoda,
parece uma prisão dos sentidos,
trazendo a mórbida sensação
de que cada minuto que passa
representa um minuto a menos para viver.

O tic-tac conta as horas
e relembra que a vida passa rápido demais.
E se ele leva consigo os minutos do meu viver,
quantos tic-tac ainda me resta esperar?

Poesia - CONSPIRAÇÃO

Pelo universo vagam, distantes,
os olhos da Aurora matinal.
O Sol chega tranqüilo,
superaquece a Superfície dos Sentidos
e desaparece num piscar de olhos.

As Estrelas incandescentes
iniciam a combustão dos sentidos
e a Terra entra em ebulição.
Os Aerossóis espalham pelo mundo inteiro
a Fragrância resultante da evaporação cutânea,
ameaçando a camada de ozônio
da Infelicidade.

O Som então marca Presença
com a respiração ofegante
do Cansaço e do Delírio.
O Choque Térmico dos desejos,
tem o Sabor da Eternidade.

As Ondas de Encantamento do mar
acalmam-se na Praia da Serenidade,
indo e vindo para o reencontro
com a Ilha da Saudade.

Poesia - PROCURA-SE SUBSTANTIVOS, ADJETIVOS E VERBOS

Preciso de adjetivos brilhantes,
como a água pura que o sol reflete,
Preciso de substantivos abstratos,
como o ar que não se vê e não se toca,
Preciso de verbos intransitivos,
como chuvas que no solo se infiltram.

Sinto falta dos eufemismos,
tão doces e sutis.
Procuro esquecer os pleonasmos,
vícios da monotonia.

Dôo os superlativos ou troco
por advérbios de intensidade.
Empresto os gêneros e números,
mas faço questão das locuções pronominais.

Audaciosa o racional e o subjetivo misturo,
aspectos emocionais ao concreto determino,
mas continuo insensata busca
de substantivos, adjetivos e verbos.

Poesia - VIDA ASSALARIADA

Jornada traiçoeira, refém do estrago
De trabalho ocioso, descaso,
O tempo parado, ultrapassado
Doença que se instala.
Lesão cruel que nada impede
o operário-artista de se apresentar
no picadeiro-expediente,
corda bamba do cliente insatisfeito.
Enquanto o Instituto brinca de peteca,
bolinha de gude, amarelinha,
capricha na lei do embrulho,
enrolado, feito peixe em jornal.

Poesia - O TEMPO DE SER CRIANÇA

Alegro-me com a criança suja
que brinca com terra
que inventa e que tenta.

E tentando cresce, amadurece,
se faz gigante, não se limita.

Gente grande quer ser
fazer o tempo depressa correr
para continuar se sujando
de terra, areia, pó, lama.

Produz a própria criação,
um carrinho de lenha, lata e barbante,
que ela vê como um fórmula um,
ou um robusto caminhão.

Quando o tempo a faz grande,
forte, lutadora e brilhante,
a realidade a esmaga e de novo ela quer ser
uma criança que se alegra brincando de se sujar.

Poesia - CONTRAPESO

Das injúrias ao esclarecimento
seguem as palavras atônitas no ar,
sílabas cortantes, maciças,
doentes de ouvir e de dizer.

Dos picos nevados de fino
e elegante gelo que, a pino
o sol segrega
ao passado, retaguarda,
esboço de um futuro que,
de relance,
Expõe viçosa vida
Como asas enjauladas.

Poesia - SEPARAÇÃO

Nada mais interessa
do que o penetrante e desvairado olhar,
e assim, um murmúrio tímido o dia cessa.
Divagações e sonhos lânguidos
que, de pensar, causam medo,
se escondem nas lacunas do segredo.

Espasmos ao peito surgem, cativantes,
nas paredes sombras trêmulas, inquietantes,
logo se incidem sobre o catre
e impaciente som na alma emitem.
Receio flutua, repentino, como bolha de sabão,
mas se desfaz no espaço dos segundos que se vão.

Os limites, momentos esquecidos,
retornam, imperativos,
enquanto a dor da ausência se antecipa
na iminência da saudade.
Dentro do baú dos sonhos o desejo se confina,
distante da esperança que não se pode prender.

Poesia - SONHOS CATIVOS

Algema o rio corrente,
amarra a torrente,
segura a vertente
do ribeirão.

Liberdade, quem tu és?
Dentro do gelado peito
e da alma guardo
desespero mudo.

Palavras chicoteadas
vertem meus sonhos
nas veredas abertas,
lâminas pastosas de púrpura dor.

Esvaem nas fendas da dor,
segregam sombras,
correm por entre as mãos.

Poesia - SEGMENTOS DA PAIXÃO

SEGMENTOS DA PAIXÃO

Você passou por cima dos meus sonhos com um Rolo Compressor,
como se eu fosse somente uma estrada de rodagem.
Auxiliado por um Guincho Truck rebocou meu amor,
mas em vez de Socorro 24 horas, na rodovia, à margem,
a Retroescavadeira de seu sarcástico descaso
soterrou minhas mais profundas esperanças.

Sentindo meu coração fragmentado por um Britadeira convulsionante,
procurei refúgio nas Clínicas Neurológicas e na Psicologia,
usando o bom senso das consultas para descobrir o que eu já sabia:
que sua falta tornava minha doença ainda mais angustiante.

Deprimi, e para melhorar o aspecto degradante
da minha abalada fisionomia,
fui parar em uma Clínica de Estética Facial e Corporal
para uma massagem relaxante
e várias sessões de drenagem linfática.
Fortifiquei-me no rigor da Academia de Ginástica,
onde passei por um tratamento especial.

Com motor zero quilômetro, mais potência,
durabilidade, determinação e resistência,
bicombustível à base de Alimentos Naturais,
emagreci quilos de dependências emocionais.

Vivi nas Danceterias emoções intensas,
experimentei Lanchonetes e Petisqueiras,
frequentei Restaurantes tradicionais e requintados,
fartei-me com Pratos Diferenciados.

Viajei pelos Centros Comerciais deslumbrantes,
em Lojas de Vestuário Feminino alimentei minha estima,
vestindo Roupas de Marcas Famosas fiquei em cima;
Em Lojas Especializadas em Perfumes inebriantes,
Bijuterias, Lingeries, Bolsas e Calçados.
Inflei meu ego e meu orgulho antes consternados.

Excursionei pelos Cinemas da vida existentes
nas ruas, praças, viadutos e pontes.
Procurei arrimo nas Imobiliárias,
Depósitos de pessoas solitárias,
nem na Construção Civil, robusta e rude,
equipamentos certos encontrar pude.

Um Curso de Pilotagem de Helicóptero fez-me alcançar o céu
de onde atirei-me de cabeça no Páraquedismo.
Cheguei novamente ao chão, longe do abismo,
E com os pés bem fixos, lembrei do papel
que você representa no Teatro da minha história:
rebusquei as cenas dos atos na memória
e recuperei o meu perdido sentimentalismo.

Na Oficina Mecânica da vida tudo tem conserto:
o Martelinho de Ouro desamassa a lataria machucada,
a Lavação melhora a aparência,
os óleos evitam o desgaste das engrenagens,
a temperatura é equilibrada pelo sistema de Refrigeração,
os catalisadores cutâneos liberam a entupida Exaustão.
Tudo me leva a você, minha restauração,
fonte de toda minha busca.

Embarco num Equipamento Náutico
e venço as águas do meu desejo extático.
Faço uma pausa para repousar em uma Pousada,
Depois de me especializar em Esportes Radicais.
Quando penso que no destino fiz morada,
Todas as coisas que fiz me pareceram demais.
Desisto.



Deleto tudo e volto ao princípio:
aos serviços especializados de amar sem medida,
pois vi que o mundo dos negócios não tem fim.
Procurei o segmento certo para mim,
Mas depois de tanta busca, fiquei rendida,
pois é a minha essência que define a aptidão,
e assim reconheci que meu verdadeiro segmento é você.