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Joinville, Santa Catarina, Brazil

Crônica - BRUXAS DA NOITE

As mariposas evocam lembranças de meus tempos de criança. Nasci na época em que não existia energia elétrica, então nós usávamos os chamados liquinhos, ou seja, lampiões a gás, que lançavam sombras e faziam a imaginação tremer de medo.
A casa ficava no meio de uma floresta (bem, pelo menos era o que parecia para mim aos quatro anos de idade). Tudo era enorme e assustador, inclusive as tais mariposas que esbarravam no vidro do lampião e que eu chamava de bruxas. Quando elas ficavam imóveis em um local ao alcance de meus olhos, eu ficava observando-as de longe, com tanto medo que, a qualquer bater de asas era eu quem batia em retirada para baixo do meu cobertor.
Lembro-me da coceira que eu sentia no nariz, provocada pelo pó macio que se desprendia das asas dos insetos quando voavam. Talvez eu fosse alérgica e ninguém pensava em tal hipótese. Minha mãe contava que no tempo em que ela era criança ninguém reclamava de dor-aqui-dor-ali; cólicas menstruais, então, nem pensar! Qualquer mal-estar que sentissem era muito bem dissimulado para não levar uma respeitosa bronca.
A energia elétrica fora instalada em 1980, o que alegrou a comunidade e trouxe também novidade para minha vida. Naquela época, eu enfrentava um período turbulento, já que precisava me adaptar a dividir meu tão precioso colinho com a irmã que nascera recentemente.
Crescemos e eu havia ficado mais corajosa. Enfrentava as mariposas e torcia para que faltasse energia para vê-las bem de perto, sombras agigantadas pelo lampião a gás.

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