As mariposas evocam lembranças de meus
tempos de criança. Nasci na época em que não existia energia elétrica, então
nós usávamos os chamados liquinhos,
ou seja, lampiões a gás, que lançavam sombras e faziam a imaginação tremer de
medo.
A casa ficava no meio de uma floresta (bem,
pelo menos era o que parecia para mim aos quatro anos de idade). Tudo era
enorme e assustador, inclusive as tais mariposas que esbarravam no vidro do lampião
e que eu chamava de bruxas. Quando
elas ficavam imóveis em um local ao alcance de meus olhos, eu ficava
observando-as de longe, com tanto medo que, a qualquer bater de asas era eu
quem batia em retirada para baixo do
meu cobertor.
Lembro-me da coceira que eu sentia no nariz,
provocada pelo pó macio que se desprendia das asas dos insetos quando voavam.
Talvez eu fosse alérgica e ninguém pensava em tal hipótese. Minha mãe contava
que no tempo em que ela era criança ninguém reclamava de dor-aqui-dor-ali; cólicas menstruais, então, nem pensar! Qualquer
mal-estar que sentissem era muito bem dissimulado para não levar uma respeitosa
bronca.
A energia elétrica fora instalada em 1980,
o que alegrou a comunidade e trouxe também novidade para minha vida. Naquela
época, eu enfrentava um período turbulento, já que precisava me adaptar a
dividir meu tão precioso colinho com a
irmã que nascera recentemente.
Crescemos
e eu havia ficado mais corajosa. Enfrentava as mariposas e torcia para que
faltasse energia para vê-las bem de perto, sombras agigantadas pelo lampião a
gás.
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