Ei, amiguinho(a)! Vamos brincar de imaginação? Imagine então que você tem um computador diretamente ligado a um satélite (desses aparelhos sofisticados que flutuam no espaço na órbita de nosso planeta Terra). Agora você vai digitar as coordenadas para encarar uma emocionante viagem. Preparar, apontar... localizar!
Continente América do Sul, país Brasil, Estado Santa Catarina, cidade Joinville, Bairro Bom Retiro, Rua Itajubá e, finalmente, o nosso alvo: a Escola de Educação Básica Avelino Marcante. Agora você precisará de um aparelho de raio-X para ver com os olhos da imaginação o que acontece por lá. Um detalhe: aquilo que ocorre por lá não é imaginação coisa nenhuma! É a mais pura verdade...
Ah! Antes de acionarmos nosso ultramoderno equipamento, precisamos convidar uma pessoa para nos acompanhar. Essa pessoa é sensacional! É um homem cheio de amor e de ensinamentos para compartilhar com você. Ele irá protegê-lo, segurando a sua mão. Aceite a sua companhia e não se esqueça dele jamais. Eu lhe apresento seu novo amigo: Jesus.
Brrr... ai que frio! Ainda bem que tem esse lindo sol! Veja que maravilha de céu azul! E esse vento! Venha e me acompanhe. Estamos quase chegando. Não se esqueça de agradecer a Deus por este lindo dia. Tudo bem?
Mais alguns passos... ufa! A caminhada foi longa. Mas já estamos no portão de entrada de nossa escola. Vamos depressa! Jesus está nos esperando lá dentro!
Jesus disse “Vinde a mim os pequeninos, porque deles é o reino dos céus”. É por isso que ele está nos convidando, porque tem uma porção de coisas legais para nos contar.
Pode aproveitar para brincar com seus companheiros, amiguinho (a). Enquanto isso, nós nos preparamos para receber o Espírito Santo para que ele nos oriente qual a melhor forma de ajudar você.
Veja como a escola é agradável. Imagine as salas de aula, os banheiros, a cantina, a quadra, o pátio. Lembre que o vento está super gelado e você, de tanto correr, está com o rosto pegando fogo.
Não esqueça que você precisa pegar seu crachá. Vamos, não sinta vergonha. Jesus sabe seu nome de cor, mas nós, irmãos, também queremos conhecê-lo. Brinque, pule, divirta-se! Afinal, Jesus ama você e quer ver você feliz!
Agora, escute. Tem alguém te chamando! Vamos bem ligeirinho para a sala de aula, porque Jesus quer sua presença. Venha, amiguinho (a)! Coragem! Um mundo novo Deus quer dar a você.
"Para não perder a rota, é necessário seguir um caminho; se não puder desviar das pedras, ajunte-as e forme uma calçada sedimentada por palavras."
Anedota - QUEM TEM Q.I. CHEGA NA FRENTE
- Meus parabéns! você passou no primeiro teste. Geralmente as pessoas conseguem somente passar após o quinto teste.
- Isso não foi nada, porque eu tenho Q.I.
- Q.I.?
- Sim: “Quem Indique”. Meu irmão trabalha como coordenador de PCP.
- Isso não foi nada, porque eu tenho Q.I.
- Q.I.?
- Sim: “Quem Indique”. Meu irmão trabalha como coordenador de PCP.
Crônica - NÃO SOU TROUXA
Amadurecimento e desenvolvimento são paralelos, caminham juntos em um estreito e equilibrado relacionamento. Aproximam-se do discernimento, o ato de separar o que é certo daquilo que é equivocado de acordo com princípios morais, éticos, religiosos e profissionais.
Compreender o que significa amadurecer não é possível sem que as atitudes comprovem o próprio entendimento. Não basta dizer: “Eu sou uma pessoa madura e me relaciono muito bem com os outros” se, diante de situações imprevistas, os atos demonstrem o inverso.
Há casos de pessoas que, embora dotadas de exuberante beleza e contem com a juventude, lamentavelmente transmitem mensagens inadequadas como egoísmo, instabilidade emocional voltada à irritabilidade ao menor sinal de contrariedade, vingança e distorção de caráter. Tais pessoas, em ambiente profissional, esforçam-se apenas por si mesmas, não aprenderam a aceitar a diversidade de opiniões e por isso mesmo sofrem ao receberem respostas negativas as suas sugestões autoritárias. Não têm a visão geral da atividade que realizam, porque dão as costas quando são recriminadas e não admitem quando estão erradas.
Recentemente presenciei um companheiro de trabalho sendo “levado nas costas” pelos outros membros da nossa equipe, e não bastasse sua fraca atuação na execução das tarefas, deliberadamente provocava queda na produtividade. Alertado sobre as sérias dificuldades e o prejuízo gerado, alegou em própria defesa: “Não sou trouxa para trabalhar pelos outros.” Porém, eu mesma fui um dos “burros de carga”.
A visão de companheirismo, bonomia e lealdade é alicerçada nos ditames do amadurecimento e desenvolvimento. Todos têm os mesmos direitos e as mesmas obrigações e é imprescindível saber expressar a verdade de forma que ninguém se sinta agredido verbalmente, pois o que diferencia é a forma como as convicções pessoais são expostas. Toda ação provoca uma reação. Temos a possibilidade de escolher entre a aceitação da crítica ou a imposição dos argumentos que julgarmos convenientes. Podemos ser os “burros de carga”, pessoas adultas envolvidas e determinadas à realização de um compromisso comum, ou nos contentarmos em evitar ser “trouxas” em prol de interesses particulares. Continuo do primeiro lado, apesar da carga da responsabilidade, pois é o caminho do desenvolvimento.
Compreender o que significa amadurecer não é possível sem que as atitudes comprovem o próprio entendimento. Não basta dizer: “Eu sou uma pessoa madura e me relaciono muito bem com os outros” se, diante de situações imprevistas, os atos demonstrem o inverso.
Há casos de pessoas que, embora dotadas de exuberante beleza e contem com a juventude, lamentavelmente transmitem mensagens inadequadas como egoísmo, instabilidade emocional voltada à irritabilidade ao menor sinal de contrariedade, vingança e distorção de caráter. Tais pessoas, em ambiente profissional, esforçam-se apenas por si mesmas, não aprenderam a aceitar a diversidade de opiniões e por isso mesmo sofrem ao receberem respostas negativas as suas sugestões autoritárias. Não têm a visão geral da atividade que realizam, porque dão as costas quando são recriminadas e não admitem quando estão erradas.
Recentemente presenciei um companheiro de trabalho sendo “levado nas costas” pelos outros membros da nossa equipe, e não bastasse sua fraca atuação na execução das tarefas, deliberadamente provocava queda na produtividade. Alertado sobre as sérias dificuldades e o prejuízo gerado, alegou em própria defesa: “Não sou trouxa para trabalhar pelos outros.” Porém, eu mesma fui um dos “burros de carga”.
A visão de companheirismo, bonomia e lealdade é alicerçada nos ditames do amadurecimento e desenvolvimento. Todos têm os mesmos direitos e as mesmas obrigações e é imprescindível saber expressar a verdade de forma que ninguém se sinta agredido verbalmente, pois o que diferencia é a forma como as convicções pessoais são expostas. Toda ação provoca uma reação. Temos a possibilidade de escolher entre a aceitação da crítica ou a imposição dos argumentos que julgarmos convenientes. Podemos ser os “burros de carga”, pessoas adultas envolvidas e determinadas à realização de um compromisso comum, ou nos contentarmos em evitar ser “trouxas” em prol de interesses particulares. Continuo do primeiro lado, apesar da carga da responsabilidade, pois é o caminho do desenvolvimento.
Crônica - VISÃO DOS 10 MANDAMENTOS
Deus, na plenitude da vida tu nos ensinas a viver, proporcionas ao nosso espírito momentos de honra e tornas mais alegres os nossos dias.
A felicidade é a expectativa que cada um, em todo seu ser almeja, Deus querido, e tu tratas de manter a fé, porque é o que tu queres para nós. E assim sendo, glorificamos a tua perfeição e exaltamos a sua generosidade, pois tu, pai, em quem podemos alegremente confiar, nos abençoa, nos ilumina, e com sincera devoção podemos afirmar:
1. Tu pediste que te amássemos sobre todas as coisas e pessoas, pois sabeis que não seríamos ninguém e não alcançaríamos a felicidade sem nossa grata devoção a ti;
2. Ordenaste que teu santo nome não fosse usado desnecessariamente e não fosse desonrado, porque tu tens todo o poder;
3. Disseste para separarmos os dias santos e domingos para refletirmos e te louvarmos;
4. Guiaste nosso coração para respeitarmos os pais para os quais nos encaminhaste, porque sabeis que a família é de importância SALUTAR;
5. Mandaste não tiramos de ninguém a vida, porque virá buscar todos os seus filhos no cronograma da vida que estabeleceste para nós;
6. Indicaste que não pequemos contra nossa castidade enquanto ainda não estamos casados, pois conheces que uniões instáveis, momentâneas e frívolas podem gerar frutos que sofrerão por não ter uma família completa;
7. Instruíste para não enganarmos nossos irmãos, sob pena de errarmos contra ti mesmo;
8. Conduziste que a mentira é um pecado muito grave e provocador de injustiças e que não devemos prejudicar nossos irmãos com falsos comentários;
9. Permitiste aos seus filhos o livre arbítrio, mas convenceste de que não se deve se envolver o cônjuge de um irmão, porque, na sua sabedoria, mostras que a alegria e a satisfação de instantes de delírio não substituem uma vida de casal levada a sério;
10. Ensinaste que a inveja é um fator comparativo que provoca martírio, porque se está sempre desejando algo que alguém possui e outro não, almejando ser uma pessoa que não somos apenas porque a outra se encontra em situação mais favorável.
Deus, tu nos modificas a cada instante para que nos adiantemos e nos aproximemos cada vez mais de ti. Tu nos instruis e nos fazes compreender os preceitos da vida feliz: tentando nos aproximar de tua infinita bondade e do teu caráter, nós nos tornamos cristãos melhores e na sabedoria da tua luz edificamos a nossa vida e nos conduzimos à felicidade. Amém.
A felicidade é a expectativa que cada um, em todo seu ser almeja, Deus querido, e tu tratas de manter a fé, porque é o que tu queres para nós. E assim sendo, glorificamos a tua perfeição e exaltamos a sua generosidade, pois tu, pai, em quem podemos alegremente confiar, nos abençoa, nos ilumina, e com sincera devoção podemos afirmar:
1. Tu pediste que te amássemos sobre todas as coisas e pessoas, pois sabeis que não seríamos ninguém e não alcançaríamos a felicidade sem nossa grata devoção a ti;
2. Ordenaste que teu santo nome não fosse usado desnecessariamente e não fosse desonrado, porque tu tens todo o poder;
3. Disseste para separarmos os dias santos e domingos para refletirmos e te louvarmos;
4. Guiaste nosso coração para respeitarmos os pais para os quais nos encaminhaste, porque sabeis que a família é de importância SALUTAR;
5. Mandaste não tiramos de ninguém a vida, porque virá buscar todos os seus filhos no cronograma da vida que estabeleceste para nós;
6. Indicaste que não pequemos contra nossa castidade enquanto ainda não estamos casados, pois conheces que uniões instáveis, momentâneas e frívolas podem gerar frutos que sofrerão por não ter uma família completa;
7. Instruíste para não enganarmos nossos irmãos, sob pena de errarmos contra ti mesmo;
8. Conduziste que a mentira é um pecado muito grave e provocador de injustiças e que não devemos prejudicar nossos irmãos com falsos comentários;
9. Permitiste aos seus filhos o livre arbítrio, mas convenceste de que não se deve se envolver o cônjuge de um irmão, porque, na sua sabedoria, mostras que a alegria e a satisfação de instantes de delírio não substituem uma vida de casal levada a sério;
10. Ensinaste que a inveja é um fator comparativo que provoca martírio, porque se está sempre desejando algo que alguém possui e outro não, almejando ser uma pessoa que não somos apenas porque a outra se encontra em situação mais favorável.
Deus, tu nos modificas a cada instante para que nos adiantemos e nos aproximemos cada vez mais de ti. Tu nos instruis e nos fazes compreender os preceitos da vida feliz: tentando nos aproximar de tua infinita bondade e do teu caráter, nós nos tornamos cristãos melhores e na sabedoria da tua luz edificamos a nossa vida e nos conduzimos à felicidade. Amém.
Crônica - BORBOLETAS AZUIS
Vejo borboletas azuis voando em torno de mim. Em suas frágeis patas levam a essência da dignidade e a riqueza do caráter para polinizar as flores do conhecimento humano, segregado a um cérebro limitado e não menos importante, porque cada indivíduo traz dentro de si a capacidade adequada à realização pessoal de acordo com os planos de Deus.
As borboletas azuis desenham no ar linhas prateadas de sonhos que me inspiram, de desejos que conspiram contra meu crescimento, não por culpa dessas criaturinhas tão sensíveis, mas inteiramente por minha própria fraqueza. Enquanto elas sobrevoam os limites do meu pensamento, os neurônios “estralam” como labaredas em galhos secos, superaquecendo a constante emissão de fluidos desgastantes.
As borboletas multiplicam-se e me dominam, cercando-me, elevando-me no encanto de seu vôo colorido e leve. Suspendem meus desatinos e lançam por terra minhas mediocridades resumidas em pensamentos pessimistas. Suas pequenas asas incansáveis ventilam a transpiração do medo que me ocorre, soprando sobre meu ser uma brisa suave, fresca, pura como um bálsamo que vem do céu. As feridas começam a cicatrizar. As borboletas espalham-se lentamente, levando consigo minhas dores.
As borboletas azuis desenham no ar linhas prateadas de sonhos que me inspiram, de desejos que conspiram contra meu crescimento, não por culpa dessas criaturinhas tão sensíveis, mas inteiramente por minha própria fraqueza. Enquanto elas sobrevoam os limites do meu pensamento, os neurônios “estralam” como labaredas em galhos secos, superaquecendo a constante emissão de fluidos desgastantes.
Crônica - BRUXAS DA NOITE
As mariposas evocam lembranças de meus
tempos de criança. Nasci na época em que não existia energia elétrica, então
nós usávamos os chamados liquinhos,
ou seja, lampiões a gás, que lançavam sombras e faziam a imaginação tremer de
medo.
A casa ficava no meio de uma floresta (bem,
pelo menos era o que parecia para mim aos quatro anos de idade). Tudo era
enorme e assustador, inclusive as tais mariposas que esbarravam no vidro do lampião
e que eu chamava de bruxas. Quando
elas ficavam imóveis em um local ao alcance de meus olhos, eu ficava
observando-as de longe, com tanto medo que, a qualquer bater de asas era eu
quem batia em retirada para baixo do
meu cobertor.
Lembro-me da coceira que eu sentia no nariz,
provocada pelo pó macio que se desprendia das asas dos insetos quando voavam.
Talvez eu fosse alérgica e ninguém pensava em tal hipótese. Minha mãe contava
que no tempo em que ela era criança ninguém reclamava de dor-aqui-dor-ali; cólicas menstruais, então, nem pensar! Qualquer
mal-estar que sentissem era muito bem dissimulado para não levar uma respeitosa
bronca.
A energia elétrica fora instalada em 1980,
o que alegrou a comunidade e trouxe também novidade para minha vida. Naquela
época, eu enfrentava um período turbulento, já que precisava me adaptar a
dividir meu tão precioso colinho com a
irmã que nascera recentemente.
Crescemos
e eu havia ficado mais corajosa. Enfrentava as mariposas e torcia para que
faltasse energia para vê-las bem de perto, sombras agigantadas pelo lampião a
gás.
Crônica - NA PASSARELA DA BIODIVERSIDADE
Na marginal da rua vice-prefeito Luiz Carlos Garcia, aqui perto, a prefeitura construiu um passeio público, aproveitando o espaço vago entre a rua e o rio. Houve até inauguração do novíssimo espaço de lazer. Placas com a história dos rios da região e com leis sobre a preservação ambiental foram incrustadas em enormes pedras de granito lapidadas em formato de colunas. A base do passeio (ora essa! Passeio? Desculpe, ainda não atualizei meu vocabulário arcaico. Hoje em dia a palavra apropriada é calçada. Cal-ça-da. Somente para eu me lembrar) foi feita com placas de pedras usadas com esta finalidade. Paralelamente ao passeio, ou melhor, à calçada, foram plantadas grama e diversas árvores, das ornamentais às frutíferas. Grandes lixeiras foram instaladas e a iluminação complementou a paisagem que, anteriormente, não passava de uma extensão de capim, onde somente existia uma estreita trilha para as pessoas caminharem.
Alguns anos depois, a tão utilizada calçada apresenta alguns problemas. Sem dreno, as enchentes provocam erosão nas margens do rio, as chuvas torrenciais de verão, veranico, primavera e até outono (ô tempo bom em que se sabia em que estação do ano nos encontrávamos!) encharcam o gramado e as placas de pedra não possuem mais o devido apoio no solo irregular. Por sorte, a comunidade do Jardim Resplendor toma conta daquele caminho, fazendo a limpeza. A prefeitura mantém o passeio preservado apesar dos vândalos terem destruído as lixeiras. Sempre existe alguém que não gosta de dividir nada com ninguém e aproveita para estragar o bem comum.
Mas não são esses detalhes que impedem a comunidade de aproveitar a academia ao ar livre. É preciso caminhar na passarela em um final de tarde de domingo para sentir o frescor do vento na beira-rio após um quente dia de verão. Então se vêem o desfile de chinelos, sandálias, rodas, tênis, famílias inteiras, inclusive seus animais de estimação, caminhando em segurança no passeio. Crianças brincando de bicicleta, namorados marcando encontros, casais se recuperando das tensões do dia-a-dia, idosos aproveitando o pequeno espaço para aquecer os ossos enrijecidos, desportistas praticando corrida, empresários trocando as gravatas por camisetas soltas e bermudões, mães passeando com seus filhos, pessoas de todas as raças se misturando no vaivém da marginal.
Alguns anos depois, a tão utilizada calçada apresenta alguns problemas. Sem dreno, as enchentes provocam erosão nas margens do rio, as chuvas torrenciais de verão, veranico, primavera e até outono (ô tempo bom em que se sabia em que estação do ano nos encontrávamos!) encharcam o gramado e as placas de pedra não possuem mais o devido apoio no solo irregular. Por sorte, a comunidade do Jardim Resplendor toma conta daquele caminho, fazendo a limpeza. A prefeitura mantém o passeio preservado apesar dos vândalos terem destruído as lixeiras. Sempre existe alguém que não gosta de dividir nada com ninguém e aproveita para estragar o bem comum.
Mas não são esses detalhes que impedem a comunidade de aproveitar a academia ao ar livre. É preciso caminhar na passarela em um final de tarde de domingo para sentir o frescor do vento na beira-rio após um quente dia de verão. Então se vêem o desfile de chinelos, sandálias, rodas, tênis, famílias inteiras, inclusive seus animais de estimação, caminhando em segurança no passeio. Crianças brincando de bicicleta, namorados marcando encontros, casais se recuperando das tensões do dia-a-dia, idosos aproveitando o pequeno espaço para aquecer os ossos enrijecidos, desportistas praticando corrida, empresários trocando as gravatas por camisetas soltas e bermudões, mães passeando com seus filhos, pessoas de todas as raças se misturando no vaivém da marginal.
Crônica - VITÓRIA NA MADRUGADA
O despertador do celular toca a música que
mais gosto, só que às duas horas da madrugada qualquer composição musical que
interrompa meu sono repousante acaba se tornando a mais desprezível. Solto um
bocejo e troco por um gemido. Ai, que despertador insuportável!
-
Ó, céus! Agora me lembrei!
Preciso dar no pé!
Levanto de um salto no quarto escuro, pego
a roupa que deixei separada sobre o encosto da cadeira e, com os olhos
semiabertos, vejo-me em desabalada carreira pelo corredor e me enfio embaixo de
uma ducha quente. Ainda sinto “areia” nos olhos. Ai, minha cama tão
quentinha...
Termino o banho, volto para o quarto. No
meio do caminho, dou uma topada na porta. Com todo esse barulho meu marido deve
ter caído sem paraquedas de seus sonhos. Enfim, procuro a bolsa e sigo para a
cozinha. Passo café; depois mastigo um pão dormido; tomo meu antidepressivo, escovo
os dentes, lavo mais uma vez o rosto para afugentar os resquícios de sono
interrompido. Abro a tranca superior da porta, em seguida, a inferior e,
finalmente, dou dois giros na chave e pronto! Estou livre para observar as
estrelas e o luar de ontem... Ops! Onde é que foram parar aquelas estrelas
faiscantes? E aquele luar tão intenso? Bom, ao menos não está chovendo. Penduro
minha bolsa no guidão da minha bike,
atravesso o corredor da garagem e ganho a rua. Sigo pela madrugada cinzenta com
o objetivo de chegar a tempo de garantir uma vaga para consultar a clínica
geral com a qual estou me tratando. Puxo fôlego e aspiro o ar noturno... Cof,
cof, cof! Tosse de última hora ainda por cima!
Chego ao meu destino, o posto de saúde do Costa e Silva, bairro
onde resido. Para minha grata surpresa, não há ninguém. Ora essa! Então sou a
primeira? Que inédito! Olho para o relógio e suspiro aliviada: 03:40. São somente três horas de espera aqui neste
solitário posto. Começo a pensar se não seria melhor que já tivesse chegado
mais pessoas. Não faz mal, não estou completamente só, minha proteção vem do
alto. Nada de ruim vai acontecer comigo e posso aproveitar para exercitar a virtude
da paciência (logo eu, que sou a paciência em pessoa, número e grau superlativo!
Mas como é mesmo que anda minha ansiedade? Até torci meu tornozelo devido a
minha controladíssima paciência...). Por sorte, trouxe meu ponto cruz.
Lá se vão os minutos e as horas. Alivio-me
ao presenciar a chegada do segundo corajoso da madrugada. Conversamos um pouco
durante um quarto de hora, quando um senhor toma a terceira posição na fila do sistema único de saúde. Único mesmo, já
que nós, pobres trabalhadores, não temos mesmo muita opção.
E assim os minutos prosseguem seu curso
ininterrupto até formarem as horas. Chega a quarta pessoa. Os minutos não
cansam. Chega o quinto. As horas empilham os minutos. Vem o sexto e o sétimo e
o oitavo...
Espere aí! O que houve hoje? Impressionante!
Não é que sobraram vagas!
O posto de saúde abre, enfim, às sete horas.
Em seguida, a agente comunitária nos cumprimenta e distribui as tão merecidas
fichas. Aí volto a me lembrar da música chata do celular, da minha cama
quentinha, do turismo na escuridão da casa, da topada na porta do quarto, do
café, das trancas da porta, da decepção com o tempo nublado, das pedaladas, da
tosse, do bordado que larguei para participar das conversas e, finalmente, da
primeira posição da fila do SUS.
Abro um sorriso, pois nem tudo está
perdido. Até que enfim saí na frente, com honras de um maratonista vitorioso.
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