Davi
Davi era um jovem pastor de ovelhas. Todas as
manhãs, ele cuidava das ovelhas de seu pai. Bem cedinho as levava para o pasto
para se alimentarem e beberem água. Além disso, cuidava para que os animais
ferozes ficassem bem longe delas!
Davi tocava harpa no meio do campo. Cantava o
senhor é meu pastor, nada me faltará.
Davi estava sempre contente, apesar de passar o
dia inteiro sozinho no campo, porque sabia que Deus estava o tempo todo cuidando
dele, pois Deus está em todo lugar.
Um dia, um leão atacou uma ovelha e Davi matou
o leão. Não sentiu medo, porque confiou que Deus o protegeria.
Davi cuidou da ovelha até que sarasse, usou um
bálsamo para curar as feridas.
Certo dia, o pai de Davi chamado Jessé recebeu
a visita de Samuel, um homem com barba branca e comprida, já velho, um bom
servo de Deus. Deus havia mandado Samuel revelar que um dos filhos de Jessé se
tornaria rei de Israel.
Jessé tinha oito filhos que Samuel viu um a um,
até o último que era Davi. Então, ungiu Davi com azeite precioso com ótimo
perfume dentro de um chifre oco de boi.
Davi achou estranho que Deus o houvesse
escolhido para ser rei, logo ele, um simples pastor de ovelhas, mas acreditou
porque sabia que Deus sempre cumpria o que prometia.
DAVI DEVE IR AO PALÁCIO DO REI
Na história da semana passada, conhecemos
Davi, que mesmo jovem, se mostrava muito firme em sua fé em Deus. Também vimos
que Samuel, enviado por Deus, revelou que Davi será rei do povo de Israel no
lugar do rei Saul.
Hoje, vamos continuar a história,
acompanhando mais um pouquinho sobre a vida de Davi.
Vocês lembram que falamos sobre o rei Saul,
não lembram? Ele vivia num e-nor-me palácio, e lá estava ele, sentado em uma
linda cadeira de ouro, que era seu trono. Ele se vestia com roupas caras, usava
uma coroa tão pesada, tinha de tudo, nada, nadinha mesmo, lhe faltava. Ele até
tinha uma porção de empregados, que satisfaziam todas as vontades do rei.
Assim, se o rei tinha vontade de comer batata-frita, ele apenas dizia: “Tragam
uma boa porção de batata-frita para mim, e tem que ser rápido-ligeiro, que
minha vontade não pode esperar!”
Era até engraçado um homem daquele tamanho
ficar mandando e desmandando do jeito que lhe desse na cabeça.
Outro dia, ele quis comer um hambúrguer do
Mc Donald’s com refrigerante. Os empregados dele tiveram que improvisar, porque
nem conheciam o tal hambúrguer. Esse rei...
Só que, apesar de ter de tudo, o rei Saul
andava estressado, uma pilha de nervos, estava entrando em parafuso. Imaginem
que ele ficava tão zangado, mas tão zangado, que gritava com todo mundo,
quebrava objetos, louças, rasgava cortinas, ameaçava colocar todo mundo no olho
da rua.
E sabem por que motivo ele estava daquele
jeito?
Vocês lembram do Samuel, aquele que disse a
Davi que ele vai ser rei? Então, o Samuel foi lá no palácio real e contou a
Saul que Deus havia dito que Saul não será rei por muito mais tempo e que um
outro rei governará Israel. Só que Samuel guardou segredo que Davi será
coroado, pois bem sabia que Saul iria ficar bem nervosinho...
E não deu outra. O rei Saul sentiu raiva do
outro que seria rei em seu lugar. Apesar de Saul não obedecer mais a Deus, ele
sabia que Deus cumpriria a promessa, mais cedo ou mais tarde. Aí o Saul começou
a sofrer por antecipação e em vez de pedir perdão a Deus, ficou ainda mais
desobediente, revoltado, orgulhoso e mandão. Não deixava mais ninguém em paz!
Além disso, o rei Saul queria que seu
filho, que se chamava Jônatas, fosse rei e não o que Deus escolhera.
Apesar de todas as coisas ruins que o rei
estava aprontando, os empregados sentiam pena dele, porque sabiam que Deus não
estava mais em seu coração, e no lugar havia muita maldade. Aí eles tiveram uma
idéia. Resolveram sugerir que o rei Saul contratasse uma pessoa para tocar para
ele e, quem sabe, a música aliviasse a sua tensão.
“É uma ótima idéia!”, falou Saul.
Agora adivinhem quem foi tocar para o rei
Saul? Isso mesmo! Davi!
Os empregados do rei foram rapidinho buscar
Davi antes que Saul mudasse de idéia, pois conheciam a boa música que Davi
tocava na harpa. Apostaram que depois que Davi tocasse, o rei Saul melhoraria.
Davi então chegou de mansinho no palácio
com sua harpa e olhou para o rei, que zanzava batendo os pés e gritava. Saul
estava com uma cara de poucos amigos, ranzinza, com o humor péssimo. Eu, no
lugar de Davi, iria dar meia-volta e sair de fininho, para não sobrar pra mim.
Eu, hein!
Mas Davi, que já tinha enfrentado um leão
maior do que ele, não tinha medo de cara feia, não!
Começou a tocar sua harpa e a música suave
se propagou pelo palácio. O rei Saul se aproximou de Davi e ficou bem calmo.
Sentou em seu trono e continuou ouvindo a música. Parou até de pensar naquele
outro, que mais tarde iria ser rei.
O rei se sentiu melhor. Havia se curado com
a música da harpa e começou a gostar de Davi, achando que era um bom rapaz.
Também quis que Davi ficasse sempre com ele no palácio.
Mas se o Saul soubesse...
DAVI E O GIGANTE GOLIAS
Um dia, aconteceu uma guerra em Israel.
Guerra quer dizer que existe alguém de
mau, alguém que não concorda com as coisas que acontecem, e para resolver as
desavenças briga pra valer. Foi o que aconteceu em Israel na época que o rei
Saul governava aquele país. Umas pessoas muito más, que se chamavam filisteus e
que não gostavam do jeito de viver do povo de Israel, invadiram o país para
roubar as ovelhas, o trigo e, além de tudo, fazer o povo de Israel de escravos!
Invasor é uma pessoa que não tem respeito
por aquilo que pertence a outra pessoa e entra em um lugar sem ser convidado.
Além de ser super mal-educado, um invasor não pensa em fazer o melhor para as
pessoas, ao contrário, tem intenção de tomar tudo para si.
O rei Saul, então, juntou todos os seus
mais fortes e mais valentes soldados e foi até o acampamento dos filisteus. Só
que ele não conseguiu expulsá-los, porque havia um homem enorme, do tamanho de
uma árvore, forte, malvado e bem bravo, que metia medo em todos os soldados do
rei Saul. Esse soldado tão temido se chamava Golias.
Golias estava bem preparado para a batalha:
ele tinha uma lança, uma faca grande dependurada na cintura, vestia uma couraça
(tipo um colete à prova de balas) e usava um capacete de cobre. Golias zombava
de todo mundo, pois todos tremiam de medo quando o viam.
E Davi, onde é que ele tinha se metido?
Pois até três de seus irmãos eram soldados.
Davi estava em casa ajudando seu pai a
tomar conta de tudo enquanto os irmãos estavam na frente de batalha. Aí ele
recebeu do pai uma importante tarefa, que era levar pão e trigo para os
soldados.
Quando chegou no acampamento dos soldados,
Davi conheceu o malvado Golias e sentiu uma raiva dele! Também, o grandalhão
zombava de todo mundo, e o que era pior! Praguejava e zombava de Deus! Ah, isso
Davi não podia aceitar de jeito nenhum! O tal gigante não tinha o direito de
cometer tamanha injustiça.
Então, Davi decidiu ir falar com o rei
Saul. Os soldados acharam graça de Davi. Ora, um indefeso pastorzinho... Ele ia
virar pudim, o pobre coitado! Mas Davi tanto insistiu, que conseguiu convencer
Saul que desejava lutar com Golias. Saul entregou-lhe uma espada, vestiu uma
couraça de ferro e colocou na cabeça do pastorzinho o capacete de cobre.
Entretanto, aquela parafernalha era tão pesada que Davi tratou de tirar tudo.
Ora, ele tinha certeza de que Deus iria ajudá-lo a derrotar o gigante, pois já
ajudara a matar o leão.
Que pastorzinho resolvido esse nosso Davi!
Acreditam que ele levou somente a vara e uma arma parecida com um estilingue?
Eu fiquei de cara! Eu tinha medo até do mau humor do rei Saul, imaginem se eu
iria arriscar a minha pele lutando contra um homem maior do que eu? Eu, hein!
Mas o Davi não era de correr da briga, não! Muito pelo contrário. Ele começou a
andar na direção de Golias e eu só fechei meus olhos...
Coitado do Davi! Aquele gigante malvado vai
acabar com ele!
Aí, eu ganhei um pouquinho de coragem e
olhei o que iria acontecer. Davi ajuntou cinco pedras e guardou-as no bolso. “O
que esse rapaz pensa que vai fazer?”, eu pensei.
O gigante veio com tudo pra cima de Davi,
só que antes que pudesse arremessar sua lança, Davi tinha colocado uma pedra no
estilingue, mirou e atirou. A pedra acertou em cheio bem no meio da testa do
tal gigante. Bem feito! Quem mandou zombar de Deus? Precisava de uma boa lição.
Quando o gigante caiu no chão, o solo
estremeceu feito um terremoto. É porque o gigante, além de malvado, era guloso,
e estava bem obeso...
Em seguida, Davi correu e cortou a cabeça
de Golias e assim, provou que Deus estava mesmo junto com ele.
Ah! E o resto dos filisteus?
Eles se apavoraram e deram no pé, pois não
queriam morrer como Golias. Os soldados de Saul gritavam vivas para Davi e
trataram de expulsar os invasores.
Saul ficou tão agradecido e resolveu que
Davi seria chefe dos soldados. Jônatas, filho de Saul, era muito amigo de Davi
e lhe deu de presente sua capa, sua espada, seu arco e seu cinto de estimação.
Davi estava contente, porque o rei gostava
dele, porque era amigo do príncipe e, melhor de tudo, era amigo de Deus. Por
isso teve coragem para enfrentar Golias: por causa de sua fé.
A lança e a moringa
O rei Saul não aprende, mesmo! Já se
esqueceu que Davi o havia ensinado a amar os inimigos e deixou que a inveja
tomasse conta dele de novo. Voltou a perseguir Davi, e certo dia, depois de
tanto procurar, seus soldados armaram a tenda e ficaram do lado de fora,
vigiando.
O rei Saul, lógico, se acomodou dentro da
tenda, fincou a lança no chão ao seu lado e deixou a moringa com água para
beber durante a noite. Não passou muito tempo e todos estavam roncando, até os
soldados.
Estava bem escuro, quando Davi e seu amigo
Abisai se aproximaram cautelosamente da tenda. Abisai quis aproveitar para dar
cabo do malvado e invejoso rei, mas Davi não permitiu. Em vez disso, Davi e
Abisai levaram a lança e a moringa junto com eles.
Esperaram amanhecer e então Davi chamou bem
alto por Saul. O rei envergonhou-se mais uma vez, porque viu que Davi era, de
fato, um bom homem e quis fazer as pazes, convidando Davi para voltar para o
palácio.
Davi, porém, que não era bobo nem nada, não
aceitou o convite, porque sabia que Saul esqueceria facilmente a lição
aprendida. Devolveu a lança e a moringa e foi embora para uma terra bem
distante.
Davi torna-se rei
Davi morava em uma terra bem distante, mas soube que os
filisteus provocaram uma guerra quando novamente invadiram Israel. Saul e
Jônatas morreram no combate e Davi, quando recebeu a notícia, ficou muito
triste e não conseguiu comer nem beber. Chorou o dia inteiro, porque gostava do
rei Saul e de Jônatas, seu amigo.
Mas aí aconteceu uma coisa maravilhosa!
Deus cumpriu a promessa que fez quando Davi ainda era um
pastorzinho e depois de tanto tempo, Davi tornou-se rei.
Ele ficou muito feliz e agradecido. Era um rei bondoso e justo,
porque obedecia sempre a Deus. Então compôs um hino de agradecimento: “Deus é o
meu pastor, nada me faltará.”
Todos os servos o escutavam e no céu também Deus escutava, como
nos campos de Belém.
Davi torna-se rei
Davi estava morando em um lugar muito distante, porque não
queria mais se arriscar a encontrar Saul.
Mas um dia, Davi recebeu uma notícia muito triste.
Ele soube que Israel estava novamente em guerra, que o lugar
onde Davi morava estava sendo atacado e destruído pelos filisteus. Os invasores
estavam muito armados e com grande número de homens e cavalos. Eles tinham de
tudo: arcos e flechas com fogo, catapultas, lanças, espadas. Mais do que isso,
possuíam homens fortes e maus, que queriam tomar posse das terras de Israel,
roubar a comida e escravizar o povo.
Se fosse hoje em dia, seria uma catástrofe, pois as armas são
muito mais poderosas e mortais. As bombas, granadas, metralhadoras, canhões,
mísseis, torpedos, tanques de guerra, destruiriam milhares de pessoas.
O rei Saul e seu filho Jônatas precisaram juntar todos os
soldados do país e lutar com muita coragem para vencer a guerra. Eles conseguiram
expulsar os invasores, mas aconteceu uma coisa muito triste: eles morrreram.
O rei Saul havia sido castigado por toda a sua maldade e Davi
então não precisava mais morar naquela terra tão distante, pois agora não havia
mais ninguém para persegui-lo.
Só que Davi não se alegrou nada com aquela notícia. Ele sofreu
muito com a morte do rei Saul e mais ainda pela morte de seu amigo Jônatas. Sua
tristeza era tão grande, tão grande, que cortava o coração. Coitado! Ele
preferiu ficar sozinho e chorar. Não conseguiu comer nem beber durante o dia
inteiro. Ele ficou realmente arrasado. Quando anoiteceu, ele tocou na harpa uma
música muito triste em homenagem ao seu amigo.
Esse dia foi muito triste. Mas chegou um dia muito alegre.
Fazia muito tempo, quando Davi era apenas um pastor de ovelhas,
Samuel viera lhe dizer que Deus o havia escolhido para ser rei. E as promessas
que Deus faz são sempre cumpridas, sem dúvida nenhuma. Pode demorar, mas Deus
nunca esquece.
Davi voltou para Israel, que perdera seu rei Saul na guerra e
então Davi foi aclamado rei. O povo o elegeu, porque confiava em Davi, sabia
que era um homem que obedecia a Deus e queria o bem de todos.
Davi foi coroado rei e muito aplaudido. O povo dizia
repetidamente: “Davi! Davi! Davi é o nosso rei!” Davi foi morar no palácio e se
tornou chefe de todo o país.
Ele estava feliz e muito agradecido por Deus ter confiado a ele
um cargo tão importante. Sabia que teria muito trabalho, pois daquele momento
em diante liderava homens e tinha uma grande responsabilidade. Nunca se
esqueceu de que um dia fora um simples pastorzinho e queria fazer tudo certo,
tudo como Deus mandava, porque Davi amava muito a Deus.
Davi sempre pensava como Deus sempre o protegera e então pegava
a harpa e tocava e cantava como antigamente no campo: “O Senhor é meu pastor e
nada me faltará.”
Seus servos escutavam em silêncio o belo hino e agradeciam,
porque Deus lhes havia dado um rei bondoso e justo. E Deus também os escutava.