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Joinville, Santa Catarina, Brazil

Fada-Madrinha

Era uma vez uma princesa chamada Edilene e um príncipe chamado Márcio. Eles viviam felizes em seu lindo e bem administrado reino. Seus súditos adoravam-nos, pois estes eram muito amorosos com todas as pessoas e tratavam a todos com igualdade.

Certo dia, o reino de Márcio e Edilene foi atingido por uma devastadora tempestade e um furacão destruiu o castelo. O príncipe foi arrastado para longe por um violento ciclone e a princesa ficou à mercê de um destino imprevisível.

Desolada, a princesa resolveu recomeçar a vida em uma cidade muito distante chamada Joinville. Omitiu ter sido uma princesa e passou a ganhar o próprio sustento trabalhando em uma fábrica da região. A pobre princesa que antes cuidava de leves afazeres domésticos e dos seus delicados bordados, crochês, pinturas e literatura, via-se agora com a necessidade de sobreviver em um ambiente hostil, rude. Trabalhava em uma máquina que todos os dias vazava óleo em abundância. A princesa, entretanto, tinha o objetivo de reencontrar o seu amado príncipe, razão que fazia com que ela levasse o trabalho a sério.

Mesmo que todos os dias precisasse fazer curativos em suas frágeis mãozinhas e lavar suas roupas extremamente sujas de óleo, mantinha a firme esperança de mudar de vida e recuperar sua autoestima abalada pela ausência de seu amado.

Após dois anos trabalhando na produção daquela fábrica que a acolhera, a saúde da princesa ficou debilitada. Seu precário estado emocional era visível e ela foi tomada por muitas dúvidas. Sua fé também enfraquecera. Chorava todos os dias depois do trabalho e não se sentia motivada a continuar vivendo. Sobretudo, a falta de notícias do príncipe decepcionava-a profundamente.

Porém, como a princesa colaborava com a administração de seu reino e muitas atividades eram atribuídas a ela, tinha muita experiência no campo burocrático e da comunicação. Naturalmente, quando sua máquina quebrava, para agilizar o conserto, telefonava para a central de atendimento e abria uma ordem de serviço. Assim, ficou conhecida pelos atendentes, pois era extremamente educada e cordial.

Certo dia, enquanto a princesa limpava o equipamento no qual trabalhava, apareceu Magali, que se apresentou como Fada-Madrinha. Apareceu vestida de bondade, envolta em um raio de esperança. Embaraçada por estar suja de óleo, graxa, suor e possuir hematomas nos braços e pernas, a princesa escutou-a com atenção. A fada-madrinha Magali trouxera novo ânimo e, a um passe de mágica movimentando seu rádio de condão, um facho de estrelas transformou a princesa em uma atendente da central.

A princesa, revigorada, agradeceu ao pai do céu por ter enviado um anjo em forma de Fada-Madrinha. Com a presença constante de sua Fada-Madrinha Magali, a princesa Edilene adquiriu conhecimentos indispensáveis à realização de suas atividades. Executou um bom trabalho e foi reconhecida como uma boa atendente da central.

Agora, munida de novos meios de comunicação, passou a fazer uma busca para localizar seu amado. A saudade de sua terra natal sensibilizava profundamente a princesa, entretanto, proporcionava motivação para que ela planejasse como reconstruir seu reino. Mesmo assim, passaram-se anos sem que a ela obtivesse notícias do príncipe.

A Fada-Madrinha percebera a prostração da princesa e, ao conhecer o sofrimento que avassalava seu sensível coração, realizou uma varredura de todos os continentes por meio da internet. Acionou equipes de busca em todos os países, cidades e vilarejos. Apesar de todas as tentativas, o príncipe não foi encontrado.

Contudo, a princesa não se deixava abater. Sentia que seu amado continuava vivo e acreditava na pureza de seu coração.

Não conformada com o fracasso das buscas, a Fada-Madrinha resolveu mudar a estratégia de suas investigações. Procurara em todos os lugares existentes no planeta, mas não chegara a mais evidente das conclusões: a procura necessitava de um toque mágico. A mão de Deus.

Acionada a ferramenta essencial, o momento de encontro aconteceu. Após anos de separação, o príncipe Márcio foi encontrado. Ele voltara ao reino devastado e trabalhara arduamente para reconstruí-lo. Concomitantemente, procurou a esposa amada, que preenchia inteiramente seu viver.

Magali, novamente envolta em um raio de bondade, transportou a princesa até o reino e presenciou, com enorme felicidade, a união do casal. Discretamente se retirou para viajar de volta a sua cidade, acompanhada de longe pelos acenos agradecidos de Márcio e Edilene.


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