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Joinville, Santa Catarina, Brazil

OS CONTADORES DE HISTÓRIAS - 3ª PARTE




Cláudia e Fernanda seguiram o sentinela através de um corredor escuro e úmido. Todas as celas estavam lotadas e os detentos lançavam olhares especulativos sobre as duas garotas, além de desrespeitarem-nas com insinuações maldosas. Fernanda enrugou a testa e cochichou algo com Cláudia, mas a amiga pouco se importava com as frases mal feitas ditas pelos homens. Mesmo assim, Fernanda reclamou:


- Cláudia, que furada que você meteu a gente! Eles pensam que nós duas somos da vida, e com razão, porque o que mais haveriam de pensar sobre duas garotas aqui nesse lugar...


- Eles podem pensar o que quiserem sobre a gente – falou Cláudia, sem se alterar. – Somente nós sabemos o que somos de verdade.


Elas aproximaram-se cautelosamente de uma cela menor, onde Antônio estava isolado. “Ele não merece isso”, pensou Cláudia. “Está sofrendo por Patrícia, sendo corroído pela culpa de não a ter protegido e ainda para completar a catástrofe de desentendimentos, fica aí, separado dos outros, como se fosse um criminoso de verdade.”


- Tem certeza de que desejam entrar? – perguntou o carcerário, interrompendo Cláudia em sua reflexão. – Ele é culpado por um crime hediondo – declarou o homem, orgulhoso de seus conhecimentos. Cláudia reafirmou sua decisão e após o homem ter destrancado a porta enferrujada, ela e Fernanda tomaram lugar no cômodo minúsculo.


- Oi – cumprimentou Cláudia. – Viemos visitar você.


- Como está? – Fernanda indagou, assustada com o aspecto de Antônio.


- Estou curtindo umas férias, não estão vendo? Estou preso nesta masmorra, e apesar disso, ainda posso ter o prazer de receber a visita da família real.


Elas engoliram a ironia e se aproximaram dele.


- Vão embora!


- Não. Queremos conversar com você. Não se lembra de nós? Somos amigas.


Antônio observou Cláudia por trás do olho roxo.


- Puxa, quem te machucou desse jeito? – perguntou Cláudia, tentando quebrar o gelo.


- Mandaram o Mike Taison para um amistoso comigo. Já sabem quem venceu?


“Outro sarcasmo”, pensou ela. Mas havia uma maneira de chegar até ele.


- Viemos trazer notícias da Paty.


- Como ela está? – perguntou Antônio, movendo-se rapidamente na direção de Cláudia. – Por favor, diga como ela está!


- Posso me sentar? – pediu Cláudia. Antônio apontou o catre. – Tentamos falar com ela, mas Paty não responde. Olha assustada pra nós e se não fossem as dores acho que correria de nós. O psicólogo disse que é uma atitude normal para o caso dela. Mas ainda penso que ela está escondendo a verdade por uma razão muito óbvia – afirmou Cláudia, enquanto estudava atentamente a expressão de Antônio, que tentava absorver as palavras.


- Neste lugar nada me parece mais óbvio do que a injustiça – desabafou Antônio, baixando a cabeça.


- Eu posso imaginar como você se sente. Mas não desanime, porque tudo vai ser esclarecido, você vai ver.


- Isso mesmo – continuou Fernanda, procurando o que dizer, embora não estivesse muito convicta de sua atitude. Ainda achava tudo aquilo uma loucura. – Essa história de vocês merece um final muito feliz.


Conversaram ainda durante alguns minutos e Cláudia pôde deduzir que a razão para o silêncio de Patrícia seria uma possível ameaça. Cláudia encerrou a conversa quando se deu conta da presença do carcereiro alertando sobre o término da visita.


- Tchau, Antônio – disse Fernanda.


- Tchau, amigo. Se cuida – disse Cláudia.


Antônio segurou a mão de Cláudia e ela surpreendeu-se com as lágrimas dele.


- Obrigado – murmurou ele, engolindo as lágrimas.


- Eu estava certa – Cláudia sorriu para ele e olhou para Fernanda, que também observava a esperança nos olhos dele se confundindo com a tristeza. – Você não é nenhum psicopata. Agora sei por que a Patrícia te ama tanto. Vamos, Fernanda!


Elas deixaram a cela e Antônio deitou-se no catre, dando vazão a sua tristeza.


.......


Na manhã seguinte, Cláudia e Fernanda resolveram visitar Dona Adelaide para consolá-la. Encontraram-na abatida, cansada e revoltada com a situação da filha.


- D. Adelaide, nós sentimos muito, muito mesmo. Nós sabemos como tudo isso é doloroso.


- Obrigada – respondeu a mãe de Patrícia, com o rosto envelhecido pelo sofrimento. – Preferia que isso tivesse acontecido comigo, mas não posso perdoar aquele maníaco! Eu gostava dele, achei que a Paty estaria bem nas mãos dele. Agora me arrependo amargamente de não ter dado ouvidos ao meu marido.


- Não chore, D. Adelaide – disse Fernanda, correndo para ampará-la. – Nós temos boas notícias para a senhora. O Antônio não é o culpado.


- E como sabem disso? – perguntou ela, desconfiada.


- Intuição – respondeu Cláudia. – Ele ama a Patrícia. Jamais faria nada que a magoasse ou ferisse.


- Mas quem foi então? – perguntou Adelaide, quase desesperada.


- É isso o que pretendemos descobrir. Agora a senhora nos dá licença, temos muito trabalho a fazer.


- Eu também vou tratar de me arrumar um pouco e ir ao hospital para cuidar de minha filha – anunciou ela.


Cláudia e Fernanda despediram-se de Adelaide e deixaram a casa, caminhando com tranquilidade pelas ruas do bairro.


- Espero que não tenha esquecido nosso encontro com a D. Benedita, Cláudia.


Cláudia parou de chofre.


- Ah, meu Deus! Vamos chegar atrasadas de novo! – disse Cláudia, olhando no relógio e correndo para alcançar o ônibus que parara no ponto.


........


Benedita batia o pé nervosamente no chão, à espera das duas estudantes, até que avistou as moças correndo pela portaria. Cláudia e Fernanda chegaram ofegantes e cumprimentaram-na meio sem graça.


- Pensei que teria que cancelar o conto hoje. Danilo tinha outro compromisso no emprego, Ricardo não tem cabeça para nada – nada mais justo, e Vera me telefonou avisando que estava com enxaqueca. E vocês...


- Estávamos na casa da Dona...


- ... Alci – interrompeu Cláudia, piscando para Fernanda. – Tínhamos dúvidas com a dinâmica de História. Acabamos nos atrasando. Desculpe.


- Tudo bem, mas procurem se esforçar para não deixar isso acontecer mais uma vez. Vamos andando.


Logo que chegaram, contaram a história dos Três Porquinhos para as crianças. Felizmente, elas puderam ouvir até o fim. Benedita, Cláudia e Fernanda receberam uma salva de palmas no final.


- Obrigada – agradeceu Benedita. – Na semana que vem tem mais.


Elas caminharam em direção ao quarto em que Patrícia estava de recuperação. Entretanto, um policial não as deixou entrar.


- Mas queremos vê-la. Somos amigas...


- Infelizmente não podem entrar. Ordens do delegado.


- Mas por quê? – perguntou Cláudia, indignada.


- Discutam o caso com o delegado. Eu tenho ordens para cumprir.


Benedita, incrédula, fez sinal para que as moças obedecessem. No pátio, Cláudia não se deu por vencida.


- Tem alguma coisa errada.


- Claro que tem, Cláudia. É a sua paranoia! – resmungou Fernanda, aborrecida. – Pra mim, chega! Eu vou pra casa.


Fernanda atravessou a portaria e se perdeu no tráfego fervilhante. Benedita ofereceu carona para Cláudia, mas esta recusou.


- É que... já tenho carona, D. Benedita – desculpou-se a moça.


- Já sei, já sei. Não precisa explicar. Vou embora para não deixá-la constrangida quando seu namorado aparecer.


Cláudia nada respondeu e esperou que Benedita saísse do hospital. Quando a perdeu de vista, começou a caminhar, decidida.


Foi parar na delegacia, procurando pelo delegado Ivan. Com muita insistência, conseguiu vê-lo.


- O que há, mocinha? Tenho muito que fazer – declarou ele, observando entediado a garota.


- Quero saber por que há um de seus homens evitando a entrada das visitas de Patrícia – ousou ela, sem qualquer constrangimento.


- Mas é muita audácia da sua parte querer interferir no trabalho de um delegado de polícia! – ralhou, impaciente. – Mandei e está acabado! E não vou ficar aturando uma adolescente mimada.


Cláudia não se ofendeu com a grosseria de Ivan. Imaginou que Ivan fosse um delegado corrupto que aceitava dinheiro em troca de pequenos favores. Poderia muito bem estar sendo pago por alguém para condenar Antônio. Entretanto, suas suspeitas teriam que ser melhor investigadas e ela preferiu evitar um confronto direto e inútil e apenas declarou:


- Vou convencer o senhor que isso não é o melhor a fazer.


Ivan suspirou, cansado.


- Você é muito petulante, mocinha.


- Meu nome é Cláudia.


- Muito bem, Cláudia. O policial está lá pela seguinte razão: o advogado de Antônio conseguiu um habeas corpus e Antônio foi libertado. Em seguida invadiu o hospital e ameaçou a moça. Para controlá-la, ela foi sedada.


- Mas eu e a minha amiga estivemos com o Antônio ontem, aqui na cela. Como ele podia estar em dois lugares ao mesmo tempo?


- Ele foi liberado às 20 horas, saiu daqui e foi direto para o hospital.


- Mas não pode ser...


- Não se iluda, garota. Ele é um marginal. Agora me dê licença.


Cláudia, tomada de uma incapacidade de reação, caminhou até a porta e parou para atender o chamado de Ivan.


- Eu recomendo que você pare de brincar de detetive. Ou poderá se machucar... como Patrícia.


- Farei isso – respondeu Cláudia, tentando engolir o nó que se formara em sua garganta.







Faltava pouco para o meio-dia quando Cláudia chegou em sua casa e telefonou para Fernanda.


- Ele me enganou, Fernanda. Eu tinha tanta certeza... É, você tinha razão, sim... Vou escutar você nas próximas vezes. Tchau.


Mesmo que as evidências levassem a crer na culpa de Antônio, Cláudia tinha suas dúvidas. Desabafou com a amiga, mas ainda havia algo dentro dela que não a convencia. O impacto com as novas acusações causara-lhe desapontamento, mas depois que Cláudia refletiu, imaginou que o plano para tirar a liberdade de Antônio tinha muito mais armações do que poderia prever. Teria que ser muito mais cautelosa se quisesse realmente ajudar Antônio e Patrícia a enfrentar a crise. Decidiu cuidar de sua simples vida de estudante, enquanto não prosseguisse com a investigação particular.


À tarde, ela encontrou-se com Fernanda na universidade e com a turma. Discutiam sobre um projeto acadêmico. Vera, por sua vez, mal escutava o que diziam.


- Algum problema, Vera? – perguntou Fernanda, quando percebeu que a colega estava com o pensamento distante.


- Ela levou um fora ontem – respondeu Danilo, antes que Vera sequer abrisse a boca para uma desculpa.


- Do Ricardo? – foi a vez de Cláudia.


- Eu tô pouco me importando com o Ricardo! – explodiu Vera. – E querem saber, eu quero que ele morra!


Vera abandonou o grupo, andando com falsa grandeza.


- Ih... foi um fora daqueles – deduziu Cláudia, avaliando a reação de Vera. – Mas o que ela queria? Foi sozinha na festa, ficou com todo mundo, bebeu, aprontou, foi o centro das atenções. É claro que ia cair nos ouvidos do Ricardo.


- A propósito, a irmã dele já melhorou? – perguntou Débora, outra colega. Eu soube o que aconteceu. Meus pais me contaram ontem à noite. Recomendaram umas mil vezes para eu não me aproximar do pessoal da polícia.


Cláudia permaneceu em silêncio. Fernanda tomou a frente.


- A Patrícia está sedada e só pode receber visita dos pais dela e de mais ninguém.


- Coitadinha – disse Débora. – Tchau, gente, tenho que ir. Meu pai já deve estar me esperando. A nova mania agora é me buscar.


Fernanda e Cláudia permaneceram na sala.


- Fernanda, você vai comigo até o hospital? Eu esqueci meu livro de histórias ontem.


- Vamos lá – disse Fernanda, sorrindo.


Quando chegaram ao hospital, elas perguntaram sobre o livro na recepção. A recepcionista permitiu que entrassem para pegá-lo em um balcão de atendimento de outro andar do prédio.
As moças passaram na frente do quarto de Patrícia e Cláudia logo notou a falta do policial.


- Vem, Fernanda.


Entraram no quarto e fecharam a porta. Aproximaram-se de Patrícia, que dormia profundamente. Cláudia tocou carinhosamente na mão de Patrícia.


- Eu estava curiosa para vê-la – disse Cláudia.


- Eu também – respondeu Fernanda, roendo as unhas.


Fernanda afagou os cabelos da moça e esta abriu os olhos, moveu a cabeça lentamente e tentou falar, mas parecia embriagada e as visitantes não a compreendiam.


- Calma, Paty. Você vai melhorar. Não precisa se preocupar com nada – falou Cláudia.


- To... tonhi... Tony...


- Não se preocupe, Paty. Eles vão mandar o Antônio para a cadeia – afirmou Fernanda.


Patrícia tentava lutar contra o efeito dos sedativos e reagiu assim que entendeu o que aconteceria. Ficou agitada e em seus olhos havia medo. Encolheu-se na cabeceira da cama, movimentando a cabeça numa negativa desesperada.


Assustadas, Cláudia e Fernanda procuraram acalmá-la, sem sucesso. De repente, uma enfermeira entrou no quarto e arregalou os olhos.


- O que estão fazendo aqui? Essa moça não deve receber visitas! Vejam só o que fizeram! Fora daqui! Saiam imediatamente ou chamo a polícia!


Cláudia e Fernanda prontamente deixaram o quarto.


- Estamos numa enrascada, Cláudia! – reclamou Fernanda, ainda atordoada com a reação de Patrícia.


- Viu como ela ficou? – Os olhos de Cláudia brilhavam e ela parecia não ter se dado conta da gravidade da situação. – Foi só você falar do Antônio na cadeia e ela reagiu!


- Sabe o que isso significa? Que ela não pode ouvir o nome dele! – Fernanda estava zangada e gesticulava nervosamente, enquanto quase corriam pelos corredores. – E provavelmente o efeito dos sedativos passou. O que acha que ela faria? Queria que nos contasse tudo o que aconteceu? Cai na real, Cláudia!


- Não, Fernanda, me escuta. Isso significa que ela não quer que ele seja preso, porque não foi ele. Ah, eu sabia!


Cláudia podia pular de alegria. Chegaram ao balcão de informações e pegaram o livro esquecido.


- Esperem! – chamou a recepcionista antes que elas pudessem se afastar. – A diretora quer falar com vocês. Venham comigo.


Cláudia e Fernanda olharam uma para a outra e seguiram a recepcionista até uma sala de reuniões.


- Aguardem aqui um minuto que ela já vem.


Não demorou muito para a diretora aparecer.


- Boa tarde – disse ela em tom pouco amistoso. – Ficaria feliz em vê-las caso os motivos fossem outros.


Fernanda e Cláudia não escondiam a ansiedade.


- Dra. Carola, o que houve? – perguntou Cláudia, apreensiva.


Dra. Carola era uma senhora de baixa estatura, magra e de cabelos brancos. Sua presença no hospital era constante, apesar da idade avançada. Normalmente era bondosa e compreensiva, mas a ocasião ameaçara sua paciência e ela fora obrigada a assumir uma postura autoritária e intransigente. Exigiu explicações das garotas que ainda não haviam compreendido o motivo da repreensão. Finalmente, Dra. Carola revelou que a visita proibida havia causado sérios danos à saúde da paciente, que tivera seu sistema nervoso amplamente alterado e recebera doses extras de sedativos.


Após o esclarecimento da diretora, Cláudia sentiu um súbito mal-estar, semelhante a uma agulhada em seu cérebro, porque se sentira terrivelmente culpada pelo agravamento do quadro clínico de Patrícia. Percebera que estava levando sua tarefa muito mais longe do que imaginara, porque ao contrário de ajudar – como era seu desejo –, ela prejudicara a moça. Para terminar o sermão, Dra. Carola disse:


- Se não fosse a grande estima que tenho por sua coordenadora, a Benedita, mandaria vocês agora mesmo para dar satisfações ao delegado Ivan.


Cláudia e Fernanda quase pularam da cadeira.


- Mas, como eu disse, em consideração à Benedita, vou fingir que nada aconteceu e explicarei aos pais dela que Patrícia teve uma reação emocional muito forte. Entenderam? – Elas responderam e quase correram da sala. – Mais uma destas e o delegado vai saber de tudo.


As adolescentes procuraram acalmar os nervos e saíram do hospital. Na rua, Cláudia quase foi atropelada.


- Tá no mundo da lua, garota? – irritou-se o motorista.


Elas chegaram finalmente na casa de Cláudia e refugiaram-se no quarto. Cláudia ainda sentia o dissabor de ter trocado os pés pelas mãos e os “choques” em seu cérebro continuavam, a intervalos regulares.


- Viu? O que vamos fazer agora?


- Calma, amiga. Não precisa me dar essa bronca. Eu vou ligar pra delegacia. Quero ver se informam o endereço do Antônio – explicou Cláudia, tentando esquecer as ondas elétricas que faziam seu corpo tremer. – Eu estraguei tudo, mas quero consertar a situação. Nós não temos tempo a perder.


Antes mesmo que Fernanda contestasse, Cláudia já estava na linha com a delegacia. Anotou o endereço no caderno e desligou o telefone.


- Fernanda, vem comigo.


- O quê? Aonde? Na casa daquele safado? Não vou me arriscar. E nem você.


- Mas, Fê...


- Nada disso. Fim de papo. Tá ok? – afirmou Fernanda, encerrando a conversa.



A campainha tocava seguidamente, espalhando o som irritante pelo apartamento. Antônio reuniu toda sua força de vontade para levantar do leito e abrir a porta e ficou contrariado ao rever Cláudia e Fernanda.


- O que fazem aqui? – perguntou ele, impaciente.


- Queremos visitar você, ora.


- Vocês não desistem, não é? Entrem.


Cláudia e Fernanda entraram no apartamento desleixado. Um tufão parecia ter passado por ali.


- Desculpem a bagunça. Não imaginei que receberia visita – falou ironicamente.


- Por que você foi ao hospital ameaçar Patrícia? – perguntou Cláudia, de supetão, observando a expressão pouco amistosa de Antônio. Ele pareceu aborrecido com o julgamento precipitado e andava de um lado para outro da sala esfregando as mãos no rosto envelhecido pelo sofrimento, talvez pelo remorso, coisa que Cláudia não soubera avaliar.


- Isso parece um pesadelo. E vocês sempre aparecem para tornar tudo mais difícil.


- Não é verdade. Queremos ajudar – falou Cláudia, quase se desculpando.


Finalmente Antônio sentou na poltrona e após alguns esclarecimentos, deduziram que o delegado mentira ao afirmar que Antônio fora liberado às 20 horas. Na versão de Antônio, sua saída da delegacia dera-se às 21 horas.


- Olhem, moças. Não sei o que está havendo aqui, mas há uma conspiração contra mim. Eu acho que vocês devem se afastar desse caso, antes que seja tarde demais.


- Por que está todo mundo nos dizendo isso? Alguém tem medo que a gente descubra alguma coisa – reclamou Cláudia.


Até então calada, Fernanda ouvia o depoimento de Antônio incerta sobre o tipo de pessoa que Cláudia insistia defender. Não achava seguro fazer toda aquela investigação por conta própria, mas diante do sofrimento que testemunhara vendo Antônio tão depressivo e inseguro, o oposto do policial forte e valente que conhecera antes de tudo acontecer, aceitou definitivamente a inocência dele. Lembrou-se da cena que presenciara no quarto do hospital e da dor que saltava aos olhos de Antônio enquanto conversava com Patrícia. “Tudo isso o machucou demais”, pensou Fernanda, subitamente envergonhada pelos seus preconceitos pueris e julgamentos precipitados. Ela não sabia ouvir a voz do coração como a amiga, que desde o primeiro instante se mobilizara para ajudar o casal. Fernanda então resolveu assumir a nova posição para a qual as reflexões a encaminharam e, com doçura no olhar e na voz, falou:


- Escute, Antônio, eu acreditava que você era culpado, mas agora vejo que estava errada. Peço desculpas pela minha atitude.


Cláudia sorriu orgulhosa para Fernanda.


- Isso mesmo, Antônio. Já disse isso uma vez. Pode contar conosco! – anunciou Cláudia, eufórica. – Agora, que tal uma melhorada no aspecto desse lugar?


Antônio observou uma a uma e imaginou se elas poderiam compreender a angústia que o fazia perder a vontade de viver. A ameaça não estava em provar sua inocência, mas no fato de aceitar a situação, recuperando a saúde e o amor de Patrícia. Entretanto, ele se deu ao direito de voltar a sonhar com a solução de todos os problemas. Agradeceu a confiança e, alegremente, começaram a pôr ordem no apartamento.

OS CONTADORES DE HISTÓRIAS - 2ª PARTE



Benedita deixou o automóvel no estacionamento do hospital e caminhou rapidamente na direção dos jovens que a aguardavam.

- Bom dia, crianças! – cumprimentou ela, com entusiasmo. – Desculpem o atraso, mas o trânsito está impossível hoje.

- Não faz mal, professora Benedita. A Vera também não chegou – respondeu Cláudia.

- Ela infelizmente não vai participar hoje. Ela me ligou esta manhã – disse Benedita, com pesar. – A irmã de Ricardo desapareceu ontem de manhã.

- A Patrícia? – perguntou Fernanda, assustada com a notícia.

- O que houve com ela? – indagou Danilo.

- Saiu mais cedo do colégio e não voltou para casa. A mãe dela, a D. Adelaide, pensou que ela estava com as amigas, mas foram elas que telefonaram procurando por Patrícia.

- Será que ela não saiu com o namorado dela, aquele bonitão da polícia? – perguntou Cláudia.

- Creio que não – respondeu Benedita. – Ela sempre avisa aonde vai, mesmo quando sai com ele.

- O coitado do Ricardo deve estar maluco atrás dela – deduziu Fernanda.

- Agora é com a polícia, crianças. É uma pena, mas nós não podemos mover uma palha. Vamos, estamos atrasadíssimos.

Benedita era professora de Língua Portuguesa na universidade e coordenava há algum tempo o projeto “Os Contadores de Histórias”. Ela levava aos hospitais um pouco de alegria com suas histórias adaptadas ou inéditas. Benedita, com sua baixa estatura, de pequena não tinha nada. Era decidida e mansa. Todos os seus alunos a adoravam. Os rapazes gostavam de espalhar seu cabelo curto para vê-la esbravejar e sabiam que no fundo ela gostava dessa intimidade. No começo, ridicularizaram-na por seu hábito de chamar de crianças os marmanjos para quem lecionava, mas com o tempo, ela foi ganhando um espaço especial no coração deles e aos poucos, Os Contadores de Histórias ganhava novos integrantes.

O grupo dirigiu-se ao saguão do hospital. Não era hora de visitas, mas eles foram carinhosamente recebidos na recepção.

- Vocês já conhecem o caminho melhor do que eu – comentou a recepcionista, sorrindo.

Cada funcionário que encontravam os cumprimentava alegremente. Benedita era muito querida por todos.

- Aqui, crianças. Vamos tomar o elevador.

Eles caminhavam rapidamente pelos corredores iluminados e estreitos. Cláudia e Fernanda seguiam logo atrás de Benedita e Danilo. Cláudia observava as pessoas nos quartos e os cumprimentava, pois já os conhecia da recuperação. Subitamente, viu uma moça com ferimentos no rosto, e parou.

- Ela é nova por aqui? – perguntou Cláudia para uma enfermeira que ia passando.

- Sim.

- O que houve com ela? – insistiu a visitante.

- Ela foi vítima de violência... hum... masculina – respondeu a enfermeira, desprovida de emoção.

- E quem é ela? – continuou Cláudia, logo que se recuperou do choque que a notícia lhe causara.

- Infelizmente, não posso dizer. Sua identidade está sendo mantida em sigilo.

A enfermeira se afastou, enfastiada pelas perguntas e Cláudia permaneceu parada na frente da porta.

- Ah, você está aqui! Cláudia, a professora Benedita está uma fera com você! Acho bom você inventar uma boa desculpa – disse Fernanda, puxando Cláudia pelo braço.

- Não dá nada – falou Cláudia, com ar despreocupado. – Nada que uma boa dor de barriga não resolva.

- Você é impossível – respondeu Fernanda, rindo da gracinha.

Cláudia, ainda intrigada, observou o número do quarto e seguiu a amiga.

.......

- ... E o lobo soprou, soprou, soprou e derrubou a casa de palha que o porquinho tinha construído – narrou Benedita.

- Você é muito mau, seu lobo feio! – disse Cláudia, mostrando a língua para Danilo, que interpretava o Lobo Mau.

- Eu vou pegar você, seu porquinho gordinho! E vou te comer no jantar!

As crianças acompanhavam a história cada qual em seu leito e riam, divertidas, esquecendo momentaneamente as suas dores. Algumas haviam sofrido fraturas ou intoxicações e estavam em observação, aguardando alta e eram as que mais se empolgavam. Porém, uma menina de oito anos que também havia sido trazida para participar era portadora de câncer ósseo e ficava imóvel, sem demonstrar interesse pela história. Benedita procurava animá-la, dirigindo algumas perguntas referentes à história, mas a criança continuava impassível.

Antes que pudessem contar o final da história, a menina começou a berrar de dor e pediu ajuda. Uma enfermeira rapidamente injetou uma seringa com medicação no soro, mas a pobre criança se debatia e chorava, provocando nas outras crianças medo e inquietação. Cláudia e Fernanda, por sua vez, não puderam acompanhar o desespero da menina e saíram do quarto.

- É melhor vocês voltarem outro dia – sugeriu a enfermeira, enquanto preparava outra seringa, e Benedita e Danilo obedeceram prontamente, indo encontrar as duas moças no corredor.

- Por que eles não a ajudam? – perguntou Cláudia, com voz sumida.

- Nem sempre é possível – respondeu Benedita, compreensiva, mas também com o coração dilacerado. – Vamos andando. Infelizmente hoje não podemos continuar.

- Calma, professora. – Já passamos por isso muitas vezes, não se lembra? – disse Danilo, procurando amenizar o sofrimento dela, enquanto caminhavam em direção ao elevador.

Benedita pediu que Danilo a deixasse sozinha e entrou cabisbaixa no elevador. Ele não contrariou sua decisão e aguardou Fernanda e Cláudia que finalmente o alcançaram.

- Puxa! Vocês pareciam um furacão! – reclamou Cláudia.

- Desculpem. Vocês sabem como a professora é sentimental. Vamos indo? – perguntou ele, logo que as portas do elevador se abriram. Os três entraram e permaneceram em silêncio até chegarem ao térreo. Danilo ofereceu carona, e antes que Fernanda pensasse em aceitar, Cláudia rapidamente respondeu:

- Obrigada, mas nós duas temos outros planos.

- Tudo bem. Tchau.

Fernanda esperou que Danilo se afastasse e perguntou curiosa:

- Cláudia, que planos nós temos?

- Vem comigo!

Cláudia e Fernanda seguiram pelos corredores até pararem diante da porta de um quarto, onde puderam observar o policial fardado conversando com a moça que se encontrava imóvel no leito.

- Qual é o problema, Cláudia? O que você perdeu aqui? – perguntou Fernanda, um pouco aborrecida.

- Fica quieta, Fernanda. Não consigo ouvir o que ele diz.
   
No quarto, o policial acariciava o rosto da garota e segurava sua mão, enquanto chorava.

- Meu Deus, Paty! O que eu deixei acontecer a você? – perguntava-se, observando os hematomas que a deixaram quase irreconhecível. – Me conte, Paty, quem foi o desgraçado que fez isso com você.

A garota observava-o, mas não emitiu uma única palavra. Apenas chorava copiosamente em um silêncio absoluto e como resposta, fechou sua mão sobre a mão de Antônio.

- Eu vou matar o filho da mãe que causou esse sofrimento a você! – berrou Antônio, tão revoltado com o agressor quanto indignado com sua própria impotência.

- É bom arrumar um bom advogado para sair dessa encrenca, policial Antônio.

Antônio virou-se bruscamente na direção da porta e avistou o delegado acompanhado pelo pai de Patrícia. Este último, cego de ódio, avançou em sua direção, sedento por fazer justiça com as próprias mãos, mas foi controlado por um detetive que acompanhava o caso.

- O que está acontecendo, delegado? – perguntou Antônio, sem entender a situação.

- Recebemos uma denúncia anônima de que você teria espancado Patrícia – disse Ivan –, e o Sr. Ronaldo, o pai da moça, entrou com a acusação.

- Mas que acusação? – perguntou Antônio, cada vez mais perplexo.

- Você está sendo acusado de estupro e tentativa de homicídio. Mas aguardará seu julgamento em liberdade, porque não houve flagrante. Você conhece a lei – explicou Ivan, contrariado com a atitude que estava tomando, porque duvidava que Antônio fosse realmente culpado.

- Ivan, você me conhece – defendeu-se Antônio, tentando esclarecer o mal-entendido. Você conhece os meus princípios e é testemunha da minha integridade. Como pode acreditar que eu tenha agredido a mulher que amo?

Ronaldo não suportou o cinismo, desvencilhou-se do sujeito que o segurava e agarrou Antônio pelo colarinho, ameaçando-o. Apontou a filha encolhida no leito, assustada com a discussão deles, fragilizada pelo tratamento que recebera e, diante do silêncio dela, teve ainda mais certeza de que Antônio era o responsável por seu sofrimento.

- Você não entende como dói para um pai ver sua filha neste estado – finalizou Ronaldo, subitamente cansado, largando Antônio. – Suma daqui, seu delinquente! Só quero vê-lo nos tribunais!

Antônio sentia que o mundo girava enquanto analisava a atitude de Ronaldo, que não fazia questão de ouvir, porque para ele já estava tudo devidamente esclarecido. Antônio seria julgado e condenado injustamente e mesmo a falta de provas não convenceria Ronaldo do contrário. Ainda olhou para Patrícia e resolveu sair para respeitar seu repouso. Andou às cegas pelo prédio, como se não sentisse onde pisava, e finalmente chegou ao jardim, onde encontrou um banco para se sentar. Abaixou a cabeça nas mãos e começou a chorar e soluçar.

Cláudia e Fernanda, que assistiram à discussão, seguiram Antônio e pararam na frente dele. Calmamente, ele ergueu a cabeça e olhou para as duas moças.

- O que querem aqui? – perguntou o homem, com raiva, provocando sobressaltos nelas. – Não sabem que sou um estuprador? Afastem-se de mim!

Elas entreolharam-se e Cláudia tomou a palavra.

- Sabemos que o senhor não é nenhum estuprador, policial.

- É – continuou Fernanda. – Nós vimos que o senhor gosta muito dela.

Antônio respirou profundamente e desabafou:

- Eu a amo.

- Seus olhos confirmam isso – disse Cláudia. E estendeu sua mão, em um gesto de apoio. – Se precisar de ajuda, pode contar conosco.

Ele parou um segundo, absorvendo as palavras de apoio. Surpreendeu-se por alguém estar do lado dele quando nem mesmo Patrícia o defendera e levantou do banco para apertar a mão estendida.

- Obrigado por acreditarem em mim. Mas vocês são jovens demais e não devem se meter nisso. Ouviram?

Fernanda e Cláudia cruzaram os dedos atrás das costas.

- Sim. Prometemos esquecer isso.

Depois de apertar a mão de Fernanda, ele se afastou em direção à viatura, ligando o motor e dando uma arrancada no carro. As moças caminharam caladas até a portaria.

.......

Cláudia e Fernanda voltaram a encontrar Danilo no intervalo das aulas vespertinas. Contaram o caso e ele confirmou as suspeitas.

- Acho que vocês não deveriam confiar nesse cara, porque as publicações todas o acusam.

- Mas, Danilo, ninguém ouviu a versão dele ainda – retrucou Cláudia, inconformada.

- Você ouviu o próprio delegado Ivan confirmar a denúncia. Na mídia saiu que testemunhas viram um sujeito com corpo sarado, de boa estatura, vestido com uniforme da polícia, espancar Patrícia e obrigá-la a entrar na viatura. Eles têm todas as provas e o caso é indefensável – afirmou.

- Mas você sabe que provas podem ser forjadas e se tiver um interesse maior um pouco de propina compra qualquer testemunha...

- Oi, gente – interrompeu a loira que se juntou ao grupo.

- Como está o Ricardo, Vera? – perguntou Fernanda.

- Ele está arrasado.

- Como tudo aconteceu, Vera? – indagou Cláudia.

- Ela saiu mais cedo do colégio ontem de manhã, só que não chegou em casa. A mãe dela achou que ela tinha ficado direto porque tinha trabalho à tarde. Mas quando os amigos da Paty ligaram para perguntar por que ela estava atrasada, a D. Adelaide se desesperou.

- E como foi que encontraram ela? – foi a vez de Danilo, para confirmar o que lera nos jornais.

- Os pais dela ligaram pra polícia. Vocês sabem, lá eles começam a procurar só depois de 24 ou 48 horas, não lembro bem, e não fizeram nada. Mas mesmo assim, D. Adelaide e o Seu Ronaldo conseguiram uma equipe de busca. A Paty foi encontrada inconsciente aqui perto, em um rancho abandonado.

- E como é que eles descobriram que foi aquele policial? – foi a vez de Fernanda.

- Não sei. A Paty gostava dele. Ela me contou um dia que queria se casar, mas o pai dela não aprovava o namoro deles, porque o cara é bem mais velho que ela.

- Agora o pai dela está achando que o policial quis vingança – deduziu Cláudia.

- Mas deixa essa história pra eles resolverem sozinhos. Eu vou à festa da fraternidade hoje – falou Vera, cortando o assunto.

- Mas e o Ricardo, Vera? Com esse problema, ele tem cabeça pra festa?

- Ele não quer mais sair comigo – reclamou Vera. – Nós já tínhamos combinado. Comigo trato é trato. Se ele não quer ir, o problema é dele. Eu vou sozinha.

- Vera?! – exclamou o grupo, reprovando sua atitude.

- Nem vem! Eu sei o que faço. Vejo vocês na festa.

- Nós não vamos, porque queremos ser solidários com o Ricardo.

- Muito bem. Azar de vocês.

Vera afastou-se deles, caminhando atrevidamente ao lado de um garoto.

- Que egoísta! – recriminou Fernanda. – Infantil, cabeça-oca...

- Eu nunca a vi perder uma festa, desde que entrou na universidade – comentou Danilo. – Mas um dia ela vai aprender a não trocar os amigos por festas.

Cada universitário tomou seu rumo. Cláudia e Fernanda encontraram-se com a professora Benedita no corredor.

- A Patrícia estava lá hoje à tarde. Vocês a viram, não foi?

- Sim, D. Benedita. Sentimos muito por ela ter passado essa tristeza.

- Eu sei, queridas. Mas por que não me avisaram? Eu também gostaria de tê-la visitado.

- Desculpe, professora, mas eu não sabia de nada – disse Fernanda. – Fui atrás dessa louca aqui.

- Fernanda, não sou louca! – reclamou Cláudia. – Eu também não sabia que era a Patrícia. Foi coincidência.

- Tudo bem – falou Benedita. – Mas graças a Deus, já descobriram o bandido. Ele está sob custódia.

- Prenderam o Antônio? – perguntaram as moças, alarmadas, porque sabiam que ele era inocente.

- Mas não é justo! Ele ama a Patrícia. Não pode pagar por um crime que não cometeu.

- Vocês estão me surpreendendo, crianças. E me assustando também. Fiquem longe dele. Antônio é um psicopata – alertou ela, franzindo o cenho. Benedita então foi chamada por  outro professor e as garotas aproveitaram a deixa para dar o fora dali.

- Amiga, nós precisamos fazer alguma coisa – falou Cláudia, sem fôlego. – O Antônio vai parar no presídio de segurança máxima se não tirarmos essa história a limpo.

- Cláudia, agora deu para investigações criminais? Não temos nada a ver com essa história. Esquece isso!

- Não posso fingir que não sei de nada! E se você é minha amiga de verdade, vai me ajudar.

- Cláudia, esse papo te subiu pra cabeça. O que nós, simples estudantes, seremos capazes de fazer? Pensa um pouco. – Fernanda estava contrariada.

- Muita coisa – respondeu Cláudia, determinada. – E começaremos agora mesmo.

- Ah, é?

- É. Vamos direto pra delegacia.

Fernanda viu o brilho nos olhos de Cláudia e pressentiu que ela não iria desistir enquanto não provasse a inocência de Antônio. Cláudia sempre fora muito decidida e detestava injustiças. Estava sempre do lado da verdade e do amor. Desde que presenciara a cena no quarto, soube que Patrícia e Antônio se amavam de verdade e faria o impossível para uni-los novamente. Dona de personalidade forte, Cláudia dificilmente fracassava.

Enquanto refletia sobre a atitude que a amiga estava tomando, Fernanda ficara imóvel e nem percebera que Cláudia já estava longe. Sabia que não adiantava tentar dissuadi-la de procurar o delegado e correu atrás dela para prestar todo seu apoio.