Minha foto
Joinville, Santa Catarina, Brazil

Trechos de Engrenagem do Crime



“Estéfanie dava o máximo de sua habilidade vocal e juntamente com Eduardo na guitarra, Vinícius na bateria e Peter no baixo, recebia em dobro os aplausos e ovações de uma plateia extasiada. Centenas de adolescentes cantavam as músicas de sua autoria e pulavam freneticamente, contagiados pelo som dos instrumentos. Estéfanie encerrou o show com um caprichado agudo e Vinícius triunfou com suas últimas notas na bateria. O delírio extravasou todas as expectativas e eles maravilharam-se com o sucesso que atingiram naquela noite especial. O nome da banda, Engrenagem, era repetido pelo coral de vozes entusiasmadas, sucessiva e ininterruptamente...”.

      Tá viajando, cara?!

...
Os tímpanos de Carla enfrentavam uma batalha colossal para ouvir o diálogo entre os dois adolescentes. Balada não é a opção mais interessante para ela, já que gosta de sossego e da luz do dia, mas fazia muito tempo que ela desejava escrever uma história real e julgou que frequentar um local como aquele, onde sentisse a vibração das pessoas, pudesse ajudá-la a descobrir o motivo que as levava a gostar daquele empurra-empurra, daquele barulho.
Carla esgueirou-se no meio daquela multidão de rostos quase infantis, sem saber ao certo o que procurava. Até cantou trechos de algumas canções que conhecia. Todavia, para seu desapontamento, não encontrara nenhum foco de inspiração.
...

      Ei! Calma aí!
      Calma nada, fura-olho! Vou te dar uma lição!
Logo, dezenas de garotas fecharam círculo em torno de Estéfanie e da garota que iniciara a briga.
      Ei, deixa meu cabelo! Não fiz nada! – protestou, tentando se defender do canivete que roçava em seu rosto.
Àquela altura, Carla, que acompanhava parte da conversa, sentira uma vontade incontrolável de buscar socorro com um policial militar que estava próximo, mas decidiu aguardar porque precisava ver onde aquela encrenca ia dar. Deu sorte, já que o desfecho logo aconteceu.

...



Ainda no sábado, por volta das três horas da madrugada, ouviram-se consecutivos disparos de armas de fogo no bairro Costa e Silva e um estudante fora gravemente ferido. A ambulância dos bombeiros voluntários de Joinville fora acionada e chegou rapidamente para o socorro, porém, os médicos conseguiram somente aliviar a expiação do jovem. Por conseguinte, a polícia agiu e evidenciou que a vítima, na madrugada do ocorrido, se envolvera em uma pancadaria com um traficante de drogas que frequentava o Clube 17. Os fragmentos de pedras de crack encontrados na jaqueta do estudante assassinado levaram os investigadores a alertar imediatamente outras viaturas para varrer o quarteirão e passar um pente fino na galera que se espalhava com medo da represália.
O clube é caminho da casa de Carla e ela dirigia devagar, já desconfiada com tanto alvoroço. Percebeu que ocorrera alguma sucessão não habitual de fatos ao avistar vários homens se refugiando nas sombras das ruas e, em seguida, viaturas de polícia circulando pelo local. Ela era extremamente sensata, no entanto, seu ponto fraco, que é a insaciável curiosidade, vencera e então ela estacionar seu veículo nas imediações.
Naquele momento, ela notou que dois policiais caminhavam em sua direção. Acometeu-a um medo danado e começou a procurar os documentos do carro e a carta de habilitação, que sabia estarem rigorosamente em dia, assim como os impostos. Imaginou-se sendo detida e levada para a delegacia. O que a família pensaria se tivesse que pagar fiança para tirá-la da cadeia? Seriam capazes de deixá-la lá, trancafiada juntamente com criminosas da pior índole. Em meio a sua aflição, ela viu que os policiais ignoraram a presença de seu veículo e revistaram o vendedor de xis-salada logo adiante, que esmagava o quepe com as mãos trêmulas e apontadas para o alto. Tomou fôlego, pois para ela o perigo havia passado.
Do outro lado da rua, na Praça do Bosque, um casal de adolescentes permanecera em um dos bancos de concreto trocando carícias e, apesar de tamanha agitação, não percebeu a aproximação de outro policial armado que foi logo os interrogando. Sobressaltada, a garota ficou em pé em um milésimo de segundo e o garoto – Carla imaginou que, com a intenção de ganhar moral diante da menina, empertigou-se e enfrentou o policial.

 “Ih!”, lamentou ela, “ele devia ter ficado na dele”. Carla cobriu os olhos com as mãos, como se aquele gesto a protegesse, mas deixou uma fresta entre os dedos para poder enxergar. A atitude irrefletida do garoto em peitar a lei provocou a ira do policial, que tratou de punir o rapaz com o cassetete.

...



Vinícius espreguiçou-se na cama, colocou os pés para fora, esfregou energicamente a cabeça e, sentindo um súbito mal-estar, apressou-se a ir ao banheiro na outra extremidade do corredor. A boca estava azeda e seca, a cabeça doía, o aparelho digestivo desregulado se agitava após um período razoavelmente longo de jejum alimentar. Lavou o rosto e enquanto tentava resistir à zonzeira que lhe acometia, escutou sua mãe chamá-lo para jantar e ficou ainda mais confuso. “Como que ela quer que eu vá jantar se eu ainda nem tomei o café da manhã?” Voltou ao quarto e viu que estava escuro lá fora. “Mas que dia é hoje?”, perguntara-se, incapaz de raciocinar. Teclou o celular e olhou a data e o horário: sábado, 18h30min. Nada parecia fazer sentido. Caminhou com dificuldade até a cozinha e se sentou à mesa. O cheiro da comida pareceu-lhe agradável e despertou seu apetite. A mãe enchia-o de mimos, ao passo que o pai mastigava seu alimento, distraído.

...
      Um minuto! – Vinícius havia se levantado, mas voltou a sentar. Percebeu que seu pai não parecia nada satisfeito. Quando lhe perguntou o que seu velho queria, este depositara sobre a mesa o que restara de um baseado. – Isto foi encontrado no bolso de sua bermuda. Como você explica isso, filho?
Vinícius sobressaltou-se quando viu que tinha esquecido o cigarro no bolso e tentou se defender, argumentando que desconhecia aquele troço e não tinha a menor ideia de que jeito aquilo viera parar em sua roupa. As explicações ambíguas do garoto não convenceram o pai, que resolveu castigá-lo proibindo-o de sair de casa.
      Pai, você não pode fazer isso com um futuro artista! – protestou. – Depois eu já tenho dezoito, portanto, sou maior de idade...
      Maior de idade e ainda no ensino médio – recomeçou o pai, extenuado com os protestos –, você deve aprender que ter dezoito, vinte ou trinta anos pouco importa se você mesmo não desenvolver seu caráter e assumir as responsabilidades pelas atitudes que toma. A vida é sua, viva como quiser, mas entenda que eu, na qualidade de seu pai, tenho a obrigação – discorreu, enfatizando as últimas palavras e repetindo-as –, obrigação de alertar pra você não se meter em fria.
      Que fria que nada, pai! Chega de mijada, tá? Não mais criança. Além disso, com uma puta dor de cabeça... tá sendo injusto!
Enquanto Vinícius debandava da cozinha, resmungando, o pai balançou a cabeça, preocupado. Andava desconfiado a algum tempo de que o filho estava se envolvendo com drogas e deduziu que só podia ser culpa das companhias daquela banda barulhenta, cujo som irritava seu gosto musical, que preferia um bom “sertanejo raízes”. Ouviu a porta do quarto do garoto ser batida fortemente em sinal de insatisfação com o castigo e alimentou a esperança de que o filho mudaria de comportamento após o afastamento daquelas péssimas influências. A esposa, até então calada, murmurou algumas palavras amenizadoras e começou a recolher a louça do jantar.
“Quanto engano!” desesperou-se Carla. O projeto para sua história estava começando a lhe provocar dor de cabeça. “É bom você parar por aí”, recomendou sua consciência, todavia, Carla se julgava a mãe da teimosia.


...




São seis horas da manhã e Estéfanie custa a abrir os olhos. Espreguiça-se na cama, revira-se, puxa o edredom até o pescoço. O despertador do celular soou o segundo round e a moça esbugalha os olhos com a primeira lembrança da manhã. “Matemática!” grita sua mente subitamente agitada. Uma tão temida prova e ela esquecera completamente! Ela levanta de um salto e sai do quarto. Verifica que os pais já saíram para o trabalho e a casa está sob sua inteira responsabilidade. O café está pronto na mesa, mas o almoço é por sua conta a partir de hoje, bem como a organização e limpeza diárias. É o castigo pela desobediência às regras da casa.


....



Eram 23 horas e Ricardo acabara de apagar as luzes de seu quarto. Apenas pensara em orar a Deus em agradecimento por mais um dia, foi interrompido com as batidas insistentes à sua porta.
      Seu Ricardo! – alguém chamou.
Em um pulo, Ricardo levantou-se e abriu a porta. Estava com cara de sono e ficou de mau humor.
      O que foi?
      Seu Ricardo, desculpe, mas o senhor precisa ver uma coisa.
Àquela altura, Ricardo perdera totalmente o sono. Seguiu o rapaz que o buscara pelo facho de luz da lanterna que segurava.
      Por que não acendem as luzes? – resmungou, após ter chocado a perna em algum móvel.
...
“QUEM PERMANECER AQUI VAI MORRER.”

...
      Pai, me mata de uma vez! O senhor não queria mesmo que eu nascesse! Me mata de uma vez!
Para pronunciar seu derradeiro pedido, o garoto usou toda a energia que lhe restava e perdeu a consciência. O pai, que se preparava para segundo violento chute, recuou inesperadamente. Observou o filho, mas seu coração gélido não buscou arrependimento. Saiu de casa, embarcou no caminhão e se foi, inconsciente do crime praticado.

Caído ao lado do corpo inerte, o celular vibrava incessantemente.

...



...
Na mesma balada, Vinícius ficava com uma mulher de cabelo tingido de loiro, sensual, visivelmente mais madura do que ele. Dado o ritmo de seu envolvimento, percebia-se que se conheciam há mais tempo e que boa coisa não havia ali. Extrovertida em excesso, a loira não se intimidava em descer até o chão no rebolado de um funk. Cigarros e bebidas passavam sem cerimônia por suas mãos frenéticas.
      Isso daqui é do melhor! – berrou o garoto, para ser compreendido no meio daquele fervo. – Experimenta, gata! Não vai se arrepender...
Ela tomou um comprimido da mão dele e engoliu junto com um gole de uísque. Fiquei pensando que tipo de droga era aquela. No mínimo, extasy ou algo do gênero. Os efeitos começaram a saltar aos olhos dela. Vinícius, por sua vez, ficara satisfeito. Gostava da moral que ganhava ficando com ela. Seus corpos roçavam um no outro, aumentando a energia e provocando em ambos desejos lascivos. Agora me imagine lá no meio, observando aquelas cenas. Eu, toda educada e correta, acabei ficando vermelha de vergonha sem querer. Ainda bem que ninguém prestou atenção nisso.
De repente, surgiram dois sujeitos encorpados ao lado da mulher e, propositalmente, ela apontou o dedo para o garoto. Ele era menor de idade e havia entrado na danceteria graças à influência dela. Então, cercaram-no e, discretamente, ameaçaram-no com revólveres. Retiraram-no da pista de dança e levaram-no até uma sala privativa no mesmo prédio.

...




Vanessa abriu a pequena caixa com grande entusiasmo. Retirou o aparelho de celular – o primeiro que tinha comprado, e imediatamente começou a testá-lo. Tirou algumas fotos de si mesma, saiu filmando os cômodos da casa. Já eram 18h30 e ela seguiu pela rua ansiosa por mostrar para o esposo sua aquisição, um sonho de bastante tempo.
Chegou próximo da barraca e começou a filmar Pedro, que atendia dois garotos. Em seu estado de euforia, Vanessa acenou para o marido e o chamou:
      Querido! Olha pra cá!
Pedro atendeu ao chamado e olhou na direção da filmadora do celular. Os garotos também voltaram a visão e um deles soltou um palavrão.
      O que tá fazendo, sua besta? – Desta vez, fora Pedro que esbravejara. – Larga já essa porra!
      Pega aquela câmera! – ordenou o outro cliente de Pedro.

Confusa, Vanessa abaixou o celular, guardou-o no bolso da calça jeans e deu alguns passos para trás até começar a correr pela rua lateral da Praça do Bosque, enquanto era perseguida pelos dois garotos. Ela fugiu sem parar até o final da rua quando avançou pela rua Rui Barbosa. De repente, um motoqueiro a interceptou, parando diante dela e estendendo um capacete.


...




A Ponte


A ponte entre o sonho e a realização é a força de vontade, a persistência e a crença de que você conseguirá.

Prepare-se para o "sim"


No altar, durante a celebração de seu casamento, responda sim, com convicção.
 - Você promete amá-lo(a) e respeitá-lo(a) quando advirem as doenças, porque na saúde é muito fácil amar alguém?
- Você promete amá-lo(a) e respeitá-lo(a) quando a pobreza bater à sua porta, porque é muito mais fácil amar alguém quando as suas contas estão em dia e a prosperidade está sempre à sua volta?
- Você promete amá-lo(a) e respeitá-lo(a) mesmo nos dias mais tristes, depressivos e desmotivadores, porque quando você e ele(a) estão alegres tudo é encarado como uma grande festa?
- Você promete amá-lo(a) e respeitá-lo(a) quando ele(a) discordar de você, porque tudo é muito simples quando seu(sua) companheiro(a) aceita tudo o que você faz ou diz?

O Sorriso da Alegria

Muitas vezes a Alegria passa pertinho de nós, e nem nos damos conta. Às vezes ela vem disfarçada de esperança, às vezes de sucesso. Quantas páginas de livro a Alegria renderia! Encaixaria perfeitamente em muitas crônicas, fecharia inúmeros romances e quanta felicidade marcaria os contos infantis!

Ontem mesmo, a Alegria se aproximou de mim. Pareceu que ela queria dizer alguma coisa, mas ela apenas sorriu. E sorriso da Alegria é sincero e contagiante. Se ela sorri, não devolvemos o sorriso por educação; iluminamos nosso semblante e vibramos interiormente! Afinal, Alegria é visita ilustríssima em nosso lar.

Hoje eu procurei por ela o dia inteiro. Encontrei a Alegria na hora de cozinhar; ela veio com bastante apetite e até me parabenizou pelo aroma e pelo sabor da comida; depois, encontrei a Alegria quando arrumei a cama e passei aspirador na casa; a Alegria fez sinal de "legal!" e eu sorri; continuei procurando a Alegria, porque ela deve ser nossa companheira inseparável, e a encontrei enquanto esfregava o vaso sanitário. Novamente ela nada falou, apenas transmitiu a mensagem de que estava ao meu lado.

A companhia da Alegria não deve ser desperdiçada. Nós somos a mão, e a Alegria, a luva.  



ENGRENAGEM DO CRIME





A sua cidade está segura? Você tem certeza de que, na­ sua vizinhança, há pessoas idôneas? E quando você tem um grande sonho e sua família não apoia? E se um filho seu se envolve com drogas? Ou você ama uma pessoa que age com violência contra você? Quando menos você esperar, alguém poderá destruir a sua tranquilidade, armando uma verdadeira, completa e destrutiva engrenagem do crime.

Carla da Silva é uma mulher independente, proprietária de casa e vida próprias. É solteira, vive do trabalho em uma indústria e está feliz, porém, tem uma grande ambição: escrever uma história real, com personagens baseados em pessoas de carne e osso que lhe sirvam de inspiração, e com uma narrativa desta natureza, alcançar milhões de pessoas com os mesmos problemas, sonhos, dificuldades e aspirações.

Sua natural curiosidade levou-a a conhecer Estéfanie, vocalista de uma banda que almejava cantar profissionalmente. Depois vieram Vinícius, Peter e Eduardo, que juntamente com Estéfanie, encararam o desafio de se projetarem no meio artístico. Carla conheceu, porém, as dificuldades que a cantora enfrentava com seus pais, que reprovavam seus sonhos.

Investigando, Carla descobriu em Peter um adolescente presunçoso, que continuava na banda devido a sua paixão pela cantora; e em Eduardo, um talento nato para a música. Já em Vinícius ela encontrou um garoto rebelde, que vivia se metendo em encrenca.

A intenção de Carla era de, simplesmente, narrar a vida dos quatro adolescentes, entretanto, ela foi sugada para um labirinto de perigos, principalmente ao se defrontar com Ivo, um homem misterioso, que projetava um cruel plano com Vera¸ contra os habitantes da cidade de Joinville. A parceria que eles mantinham com Afonso, um funcionário público que lhes garantia informações confidenciais sobre a prefeitura, aterrorizou Carla que, àquela altura, já estava totalmente enredada nas ocorrências.

Não demorou para que Carla chegasse a Ricardo, fundador e mantenedor de uma clínica para tratamento de dependentes químicos. Enquanto sua clínica sofria ameaças, Ricardo conhecia e se tornava amigo de Ângela, que por sua vez, era casada com Alberto, que se revoltava com acusações injustas e, consequente, abalava o próprio casamento.

Carla tentou libertar-se daqueles casos em que embarcara imprudentemente, contudo, seu envolvimento prosseguia quando soube que Castro, capitão da polícia militar responsável pelo departamento de investigação criminal em Joinville e sua equipe formada por César e, nada mais nada menos que Vera (!), investigavam três casos: o roubo de uma planta – o mapeamento da tubulação de gás natural na cidade; a ameaça à clínica de recuperação de dependentes químicos de Ricardo, e um caso que envolvia um assalto à indústria de explosivos, onde Alberto exercia a função de vendedor.

Ao mesmo tempo em que Carla tentava entrevistar os integrantes da banda e se esforçava para não penetrar mais profundamente naquela teia de crimes, conheceu Vanessa em um pronto-socorro, uma jovem que vinha sendo agredida fisicamente pelo marido Pedro, e a quem amava, apesar de tudo, fato que indignou Carla e intrigou ao mesmo tempo.

Embora Carla tivesse plena consciência da trama em que estava abarcando, ela não teve mais chance de escapar de seu pior inimigo: a aguçada curiosidade. Fortemente armada com uma percepção sagaz e uma memória invejável, além de suas inseparáveis agendas e canetas, perscrutou todas as evidências sob vários ângulos para alcançar as desejadas revelações.

Descanso

A Luz encontra o Dia,
e encobre a Sombra da Tristeza
sob um véu de Pureza.
Eterniza um momento e encontra
algo de valor, grande como o Sol,
vigoroso como o Amor,
encantador como a Natureza.
E em seu esplendor o arrebol
demarca a paisagem incandescente,
que cativa e anuncia que mais um dia
termina para outro recomeçar.
E a Luz, puríssima, vem do céu,
para trazer a Paz tão almejada,
abençoada pelo Criador.

A Vida

Quando ando por aí, vejo a Vida passar por mim.
Ela é bonita; melhor, linda. Linda, mesmo!
E tem um cheiro suave de flores do campo,
e passa por mim, assim, tão tranquila.

A Vida é boa, honesta, eu diria até, "vivida".
Isso! E até misteriosa.
Às vezes ela me convida a trabalhar mais,
e às vezes ela prefere me chamar para não fazer nada.

Ela tem senso de humor, essa danada dessa Vida;
de vez em quando dou umas boas gargalhadas!
Ninguém imagina a Vida assim, desse jeito,
tão descontraída.

Nem sempre a Vida está no melhor dos seus dias.
A Vida também sofre de TPM, acredite!
Ela vai de um pico a outro em um milésimo de segundo!
Às vezes até sobra para mim...

Essa Vida... todo dia ela passa por mim,
e todo dia ela sorri e me convida para ser como ela.
Todo instante ela pede para que eu não a ignore;
a Vida também sofre de carência... pudera!

Mas é verdade, toda vez que ando por aí eu a vejo,
solta como o vento, suave como a fragrância das flores,
severa como o trovão, grata como a amiga mais íntima,
e alegre, sempre alegre, por me ver todos os dias.

Raízes

Algo me prende.
Raízes...
me enclausura:
teias...
trama contra mim,
captura.

A trama da teia
enreda na veia,
anestesia a ideia.
As raízes e os neurônios
embaraçam -
ondas cerebrais
com ondas do mar.

Enraizar a segurança...
Ramificar o crescimento;
Tecer a trama da vida.

O Título do Blog

     

         Realizar qualquer projeto é difícil, já que exige iniciativas que a dúvida trata de podar. Antes de agir é preciso dedicação e planejamento para que alcancemos nossas metas. Contudo, para começar a caminhada incerta é realmente inevitável dar o primeiro passo.

      Desde que o sonho de me tornar, de fato, escritora, passou da área onírica para a da captação de recursos e realização, foi essencial prosseguir em uma jornada de 17 anos lendo, escrevendo, lendo e reescrevendo. Como toda atividade paralela ao compromisso de se autossustentar financeiramente, empregando excelência em responsabilidade na tarefa da qual se depende para sobreviver, diversas vezes o sonho foi interrompido, substituído pela necessidade de manter os pés bem fixos ao chão, enraizados de tal forma que não se pudesse voar.

     Entretanto, esquecer do sonho, jamais. Por quê? Porque antes mesmo de escrever eu já criava. Desde os cinco anos, as histórias já fizeram parte de minha vida. Ou seja, existo somente porque Deus me permitiu a condição de criar.

     A ideia do blog nasceu do desejo de desengavetar os textos para que sejam lidos e criticados, pois é a única maneira para o pleno desenvolvimento da arte de escrever. Quanto à denominação arcaica do blog - Edilene e sua Máquina de Escrever, o significado vai muito além do evocado pelos termos; mais do que uma máquina de datilografia, Máquina de Escrever trata-se do instrumento utilizado no momento para expressar o potencial criativo e também uma homenagem a minha amiga Paula Ribeiro, que sugeriu o título e sempre foi uma grande incentivadora.

Davi - Histórias Bíblicas – Adaptação Alpha 2007

Davi

Davi era um jovem pastor de ovelhas. Todas as manhãs, ele cuidava das ovelhas de seu pai. Bem cedinho as levava para o pasto para se alimentarem e beberem água. Além disso, cuidava para que os animais ferozes ficassem bem longe delas!
Davi tocava harpa no meio do campo. Cantava o senhor é meu pastor, nada me faltará.
Davi estava sempre contente, apesar de passar o dia inteiro sozinho no campo, porque sabia que Deus estava o tempo todo cuidando dele, pois Deus está em todo lugar.
Um dia, um leão atacou uma ovelha e Davi matou o leão. Não sentiu medo, porque confiou que Deus o protegeria.
Davi cuidou da ovelha até que sarasse, usou um bálsamo para curar as feridas.
Certo dia, o pai de Davi chamado Jessé recebeu a visita de Samuel, um homem com barba branca e comprida, já velho, um bom servo de Deus. Deus havia mandado Samuel revelar que um dos filhos de Jessé se tornaria rei de Israel.
Jessé tinha oito filhos que Samuel viu um a um, até o último que era Davi. Então, ungiu Davi com azeite precioso com ótimo perfume dentro de um chifre oco de boi.
Davi achou estranho que Deus o houvesse escolhido para ser rei, logo ele, um simples pastor de ovelhas, mas acreditou porque sabia que Deus sempre cumpria o que prometia.

DAVI DEVE IR AO PALÁCIO DO REI

Na história da semana passada, conhecemos Davi, que mesmo jovem, se mostrava muito firme em sua fé em Deus. Também vimos que Samuel, enviado por Deus, revelou que Davi será rei do povo de Israel no lugar do rei Saul.
Hoje, vamos continuar a história, acompanhando mais um pouquinho sobre a vida de Davi.
Vocês lembram que falamos sobre o rei Saul, não lembram? Ele vivia num e-nor-me palácio, e lá estava ele, sentado em uma linda cadeira de ouro, que era seu trono. Ele se vestia com roupas caras, usava uma coroa tão pesada, tinha de tudo, nada, nadinha mesmo, lhe faltava. Ele até tinha uma porção de empregados, que satisfaziam todas as vontades do rei. Assim, se o rei tinha vontade de comer batata-frita, ele apenas dizia: “Tragam uma boa porção de batata-frita para mim, e tem que ser rápido-ligeiro, que minha vontade não pode esperar!
Era até engraçado um homem daquele tamanho ficar mandando e desmandando do jeito que lhe desse na cabeça.
Outro dia, ele quis comer um hambúrguer do Mc Donald’s com refrigerante. Os empregados dele tiveram que improvisar, porque nem conheciam o tal hambúrguer. Esse rei...
Só que, apesar de ter de tudo, o rei Saul andava estressado, uma pilha de nervos, estava entrando em parafuso. Imaginem que ele ficava tão zangado, mas tão zangado, que gritava com todo mundo, quebrava objetos, louças, rasgava cortinas, ameaçava colocar todo mundo no olho da rua.
E sabem por que motivo ele estava daquele jeito?
Vocês lembram do Samuel, aquele que disse a Davi que ele vai ser rei? Então, o Samuel foi lá no palácio real e contou a Saul que Deus havia dito que Saul não será rei por muito mais tempo e que um outro rei governará Israel. Só que Samuel guardou segredo que Davi será coroado, pois bem sabia que Saul iria ficar bem nervosinho...
E não deu outra. O rei Saul sentiu raiva do outro que seria rei em seu lugar. Apesar de Saul não obedecer mais a Deus, ele sabia que Deus cumpriria a promessa, mais cedo ou mais tarde. Aí o Saul começou a sofrer por antecipação e em vez de pedir perdão a Deus, ficou ainda mais desobediente, revoltado, orgulhoso e mandão. Não deixava mais ninguém em paz!
Além disso, o rei Saul queria que seu filho, que se chamava Jônatas, fosse rei e não o que Deus escolhera.
Apesar de todas as coisas ruins que o rei estava aprontando, os empregados sentiam pena dele, porque sabiam que Deus não estava mais em seu coração, e no lugar havia muita maldade. Aí eles tiveram uma idéia. Resolveram sugerir que o rei Saul contratasse uma pessoa para tocar para ele e, quem sabe, a música aliviasse a sua tensão.
É uma ótima idéia!”, falou Saul.
Agora adivinhem quem foi tocar para o rei Saul? Isso mesmo! Davi!
Os empregados do rei foram rapidinho buscar Davi antes que Saul mudasse de idéia, pois conheciam a boa música que Davi tocava na harpa. Apostaram que depois que Davi tocasse, o rei Saul melhoraria.
Davi então chegou de mansinho no palácio com sua harpa e olhou para o rei, que zanzava batendo os pés e gritava. Saul estava com uma cara de poucos amigos, ranzinza, com o humor péssimo. Eu, no lugar de Davi, iria dar meia-volta e sair de fininho, para não sobrar pra mim. Eu, hein!
Mas Davi, que já tinha enfrentado um leão maior do que ele, não tinha medo de cara feia, não!
Começou a tocar sua harpa e a música suave se propagou pelo palácio. O rei Saul se aproximou de Davi e ficou bem calmo. Sentou em seu trono e continuou ouvindo a música. Parou até de pensar naquele outro, que mais tarde iria ser rei.
O rei se sentiu melhor. Havia se curado com a música da harpa e começou a gostar de Davi, achando que era um bom rapaz. Também quis que Davi ficasse sempre com ele no palácio.
Mas se o Saul soubesse...

DAVI E O GIGANTE GOLIAS

Um dia, aconteceu uma guerra em Israel.
Guerra quer dizer que existe alguém de mau, alguém que não concorda com as coisas que acontecem, e para resolver as desavenças briga pra valer. Foi o que aconteceu em Israel na época que o rei Saul governava aquele país. Umas pessoas muito más, que se chamavam filisteus e que não gostavam do jeito de viver do povo de Israel, invadiram o país para roubar as ovelhas, o trigo e, além de tudo, fazer o povo de Israel de escravos!
Invasor é uma pessoa que não tem respeito por aquilo que pertence a outra pessoa e entra em um lugar sem ser convidado. Além de ser super mal-educado, um invasor não pensa em fazer o melhor para as pessoas, ao contrário, tem intenção de tomar tudo para si.
O rei Saul, então, juntou todos os seus mais fortes e mais valentes soldados e foi até o acampamento dos filisteus. Só que ele não conseguiu expulsá-los, porque havia um homem enorme, do tamanho de uma árvore, forte, malvado e bem bravo, que metia medo em todos os soldados do rei Saul. Esse soldado tão temido se chamava Golias.
Golias estava bem preparado para a batalha: ele tinha uma lança, uma faca grande dependurada na cintura, vestia uma couraça (tipo um colete à prova de balas) e usava um capacete de cobre. Golias zombava de todo mundo, pois todos tremiam de medo quando o viam.
E Davi, onde é que ele tinha se metido? Pois até três de seus irmãos eram soldados.
Davi estava em casa ajudando seu pai a tomar conta de tudo enquanto os irmãos estavam na frente de batalha. Aí ele recebeu do pai uma importante tarefa, que era levar pão e trigo para os soldados.
Quando chegou no acampamento dos soldados, Davi conheceu o malvado Golias e sentiu uma raiva dele! Também, o grandalhão zombava de todo mundo, e o que era pior! Praguejava e zombava de Deus! Ah, isso Davi não podia aceitar de jeito nenhum! O tal gigante não tinha o direito de cometer tamanha injustiça.
Então, Davi decidiu ir falar com o rei Saul. Os soldados acharam graça de Davi. Ora, um indefeso pastorzinho... Ele ia virar pudim, o pobre coitado! Mas Davi tanto insistiu, que conseguiu convencer Saul que desejava lutar com Golias. Saul entregou-lhe uma espada, vestiu uma couraça de ferro e colocou na cabeça do pastorzinho o capacete de cobre. Entretanto, aquela parafernalha era tão pesada que Davi tratou de tirar tudo. Ora, ele tinha certeza de que Deus iria ajudá-lo a derrotar o gigante, pois já ajudara a matar o leão.
Que pastorzinho resolvido esse nosso Davi! Acreditam que ele levou somente a vara e uma arma parecida com um estilingue? Eu fiquei de cara! Eu tinha medo até do mau humor do rei Saul, imaginem se eu iria arriscar a minha pele lutando contra um homem maior do que eu? Eu, hein! Mas o Davi não era de correr da briga, não! Muito pelo contrário. Ele começou a andar na direção de Golias e eu só fechei meus olhos...
Coitado do Davi! Aquele gigante malvado vai acabar com ele!
Aí, eu ganhei um pouquinho de coragem e olhei o que iria acontecer. Davi ajuntou cinco pedras e guardou-as no bolso. “O que esse rapaz pensa que vai fazer?”, eu pensei.
O gigante veio com tudo pra cima de Davi, só que antes que pudesse arremessar sua lança, Davi tinha colocado uma pedra no estilingue, mirou e atirou. A pedra acertou em cheio bem no meio da testa do tal gigante. Bem feito! Quem mandou zombar de Deus? Precisava de uma boa lição.
Quando o gigante caiu no chão, o solo estremeceu feito um terremoto. É porque o gigante, além de malvado, era guloso, e estava bem obeso...
Em seguida, Davi correu e cortou a cabeça de Golias e assim, provou que Deus estava mesmo junto com ele.
Ah! E o resto dos filisteus?
Eles se apavoraram e deram no pé, pois não queriam morrer como Golias. Os soldados de Saul gritavam vivas para Davi e trataram de expulsar os invasores.
Saul ficou tão agradecido e resolveu que Davi seria chefe dos soldados. Jônatas, filho de Saul, era muito amigo de Davi e lhe deu de presente sua capa, sua espada, seu arco e seu cinto de estimação.
Davi estava contente, porque o rei gostava dele, porque era amigo do príncipe e, melhor de tudo, era amigo de Deus. Por isso teve coragem para enfrentar Golias: por causa de sua fé.

A lança e a moringa

O rei Saul não aprende, mesmo! Já se esqueceu que Davi o havia ensinado a amar os inimigos e deixou que a inveja tomasse conta dele de novo. Voltou a perseguir Davi, e certo dia, depois de tanto procurar, seus soldados armaram a tenda e ficaram do lado de fora, vigiando.
O rei Saul, lógico, se acomodou dentro da tenda, fincou a lança no chão ao seu lado e deixou a moringa com água para beber durante a noite. Não passou muito tempo e todos estavam roncando, até os soldados.
Estava bem escuro, quando Davi e seu amigo Abisai se aproximaram cautelosamente da tenda. Abisai quis aproveitar para dar cabo do malvado e invejoso rei, mas Davi não permitiu. Em vez disso, Davi e Abisai levaram a lança e a moringa junto com eles.
Esperaram amanhecer e então Davi chamou bem alto por Saul. O rei envergonhou-se mais uma vez, porque viu que Davi era, de fato, um bom homem e quis fazer as pazes, convidando Davi para voltar para o palácio.
Davi, porém, que não era bobo nem nada, não aceitou o convite, porque sabia que Saul esqueceria facilmente a lição aprendida. Devolveu a lança e a moringa e foi embora para uma terra bem distante.

Davi torna-se rei

Davi morava em uma terra bem distante, mas soube que os filisteus provocaram uma guerra quando novamente invadiram Israel. Saul e Jônatas morreram no combate e Davi, quando recebeu a notícia, ficou muito triste e não conseguiu comer nem beber. Chorou o dia inteiro, porque gostava do rei Saul e de Jônatas, seu amigo.
Mas aí aconteceu uma coisa maravilhosa!
Deus cumpriu a promessa que fez quando Davi ainda era um pastorzinho e depois de tanto tempo, Davi tornou-se rei.
Ele ficou muito feliz e agradecido. Era um rei bondoso e justo, porque obedecia sempre a Deus. Então compôs um hino de agradecimento: “Deus é o meu pastor, nada me faltará.”
Todos os servos o escutavam e no céu também Deus escutava, como nos campos de Belém.

Davi torna-se rei
Davi estava morando em um lugar muito distante, porque não queria mais se arriscar a encontrar Saul.
Mas um dia, Davi recebeu uma notícia muito triste.
Ele soube que Israel estava novamente em guerra, que o lugar onde Davi morava estava sendo atacado e destruído pelos filisteus. Os invasores estavam muito armados e com grande número de homens e cavalos. Eles tinham de tudo: arcos e flechas com fogo, catapultas, lanças, espadas. Mais do que isso, possuíam homens fortes e maus, que queriam tomar posse das terras de Israel, roubar a comida e escravizar o povo.
Se fosse hoje em dia, seria uma catástrofe, pois as armas são muito mais poderosas e mortais. As bombas, granadas, metralhadoras, canhões, mísseis, torpedos, tanques de guerra, destruiriam milhares de pessoas.
O rei Saul e seu filho Jônatas precisaram juntar todos os soldados do país e lutar com muita coragem para vencer a guerra. Eles conseguiram expulsar os invasores, mas aconteceu uma coisa muito triste: eles morrreram.
O rei Saul havia sido castigado por toda a sua maldade e Davi então não precisava mais morar naquela terra tão distante, pois agora não havia mais ninguém para persegui-lo.
Só que Davi não se alegrou nada com aquela notícia. Ele sofreu muito com a morte do rei Saul e mais ainda pela morte de seu amigo Jônatas. Sua tristeza era tão grande, tão grande, que cortava o coração. Coitado! Ele preferiu ficar sozinho e chorar. Não conseguiu comer nem beber durante o dia inteiro. Ele ficou realmente arrasado. Quando anoiteceu, ele tocou na harpa uma música muito triste em homenagem ao seu amigo.
Esse dia foi muito triste. Mas chegou um dia muito alegre.
Fazia muito tempo, quando Davi era apenas um pastor de ovelhas, Samuel viera lhe dizer que Deus o havia escolhido para ser rei. E as promessas que Deus faz são sempre cumpridas, sem dúvida nenhuma. Pode demorar, mas Deus nunca esquece.
Davi voltou para Israel, que perdera seu rei Saul na guerra e então Davi foi aclamado rei. O povo o elegeu, porque confiava em Davi, sabia que era um homem que obedecia a Deus e queria o bem de todos.
Davi foi coroado rei e muito aplaudido. O povo dizia repetidamente: “Davi! Davi! Davi é o nosso rei!” Davi foi morar no palácio e se tornou chefe de todo o país.
Ele estava feliz e muito agradecido por Deus ter confiado a ele um cargo tão importante. Sabia que teria muito trabalho, pois daquele momento em diante liderava homens e tinha uma grande responsabilidade. Nunca se esqueceu de que um dia fora um simples pastorzinho e queria fazer tudo certo, tudo como Deus mandava, porque Davi amava muito a Deus.
Davi sempre pensava como Deus sempre o protegera e então pegava a harpa e tocava e cantava como antigamente no campo: “O Senhor é meu pastor e nada me faltará.”
Seus servos escutavam em silêncio o belo hino e agradeciam, porque Deus lhes havia dado um rei bondoso e justo. E Deus também os escutava.

Fada-Madrinha

Era uma vez uma princesa chamada Edilene e um príncipe chamado Márcio. Eles viviam felizes em seu lindo e bem administrado reino. Seus súditos adoravam-nos, pois estes eram muito amorosos com todas as pessoas e tratavam a todos com igualdade.

Certo dia, o reino de Márcio e Edilene foi atingido por uma devastadora tempestade e um furacão destruiu o castelo. O príncipe foi arrastado para longe por um violento ciclone e a princesa ficou à mercê de um destino imprevisível.

Desolada, a princesa resolveu recomeçar a vida em uma cidade muito distante chamada Joinville. Omitiu ter sido uma princesa e passou a ganhar o próprio sustento trabalhando em uma fábrica da região. A pobre princesa que antes cuidava de leves afazeres domésticos e dos seus delicados bordados, crochês, pinturas e literatura, via-se agora com a necessidade de sobreviver em um ambiente hostil, rude. Trabalhava em uma máquina que todos os dias vazava óleo em abundância. A princesa, entretanto, tinha o objetivo de reencontrar o seu amado príncipe, razão que fazia com que ela levasse o trabalho a sério.

Mesmo que todos os dias precisasse fazer curativos em suas frágeis mãozinhas e lavar suas roupas extremamente sujas de óleo, mantinha a firme esperança de mudar de vida e recuperar sua autoestima abalada pela ausência de seu amado.

Após dois anos trabalhando na produção daquela fábrica que a acolhera, a saúde da princesa ficou debilitada. Seu precário estado emocional era visível e ela foi tomada por muitas dúvidas. Sua fé também enfraquecera. Chorava todos os dias depois do trabalho e não se sentia motivada a continuar vivendo. Sobretudo, a falta de notícias do príncipe decepcionava-a profundamente.

Porém, como a princesa colaborava com a administração de seu reino e muitas atividades eram atribuídas a ela, tinha muita experiência no campo burocrático e da comunicação. Naturalmente, quando sua máquina quebrava, para agilizar o conserto, telefonava para a central de atendimento e abria uma ordem de serviço. Assim, ficou conhecida pelos atendentes, pois era extremamente educada e cordial.

Certo dia, enquanto a princesa limpava o equipamento no qual trabalhava, apareceu Magali, que se apresentou como Fada-Madrinha. Apareceu vestida de bondade, envolta em um raio de esperança. Embaraçada por estar suja de óleo, graxa, suor e possuir hematomas nos braços e pernas, a princesa escutou-a com atenção. A fada-madrinha Magali trouxera novo ânimo e, a um passe de mágica movimentando seu rádio de condão, um facho de estrelas transformou a princesa em uma atendente da central.

A princesa, revigorada, agradeceu ao pai do céu por ter enviado um anjo em forma de Fada-Madrinha. Com a presença constante de sua Fada-Madrinha Magali, a princesa Edilene adquiriu conhecimentos indispensáveis à realização de suas atividades. Executou um bom trabalho e foi reconhecida como uma boa atendente da central.

Agora, munida de novos meios de comunicação, passou a fazer uma busca para localizar seu amado. A saudade de sua terra natal sensibilizava profundamente a princesa, entretanto, proporcionava motivação para que ela planejasse como reconstruir seu reino. Mesmo assim, passaram-se anos sem que a ela obtivesse notícias do príncipe.

A Fada-Madrinha percebera a prostração da princesa e, ao conhecer o sofrimento que avassalava seu sensível coração, realizou uma varredura de todos os continentes por meio da internet. Acionou equipes de busca em todos os países, cidades e vilarejos. Apesar de todas as tentativas, o príncipe não foi encontrado.

Contudo, a princesa não se deixava abater. Sentia que seu amado continuava vivo e acreditava na pureza de seu coração.

Não conformada com o fracasso das buscas, a Fada-Madrinha resolveu mudar a estratégia de suas investigações. Procurara em todos os lugares existentes no planeta, mas não chegara a mais evidente das conclusões: a procura necessitava de um toque mágico. A mão de Deus.

Acionada a ferramenta essencial, o momento de encontro aconteceu. Após anos de separação, o príncipe Márcio foi encontrado. Ele voltara ao reino devastado e trabalhara arduamente para reconstruí-lo. Concomitantemente, procurou a esposa amada, que preenchia inteiramente seu viver.

Magali, novamente envolta em um raio de bondade, transportou a princesa até o reino e presenciou, com enorme felicidade, a união do casal. Discretamente se retirou para viajar de volta a sua cidade, acompanhada de longe pelos acenos agradecidos de Márcio e Edilene.


A Estrela Esperança


Chego ao denso arvoredo
e escalo íngreme penedo;
vejo tremular estrela brilhante
como centelha no horizonte.

De arco-íris, inocente, brinca
sob o índigo firmamento;
minha alma, em reavivamento,
sente como brilha ainda mais linda.

Pontilhando o universo
Surge bela constelação;
Admirada, com Deus converso,
reacendo a luz do coração.

Por meio da estrela o Criador
transmite mensagem pungente;
diante do brilho incandescente:
filha, não sinta mais dor.

Com vigor o anoitecer atravessa
Mostra que a esperança nunca cessa;
Madruga junto com o alvorecer.

Revigorada, da rocha desço,
da bela estrela me despeço,
e vou com o Pai novamente em meu ser.