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Plano de Aula - Ortografia e Pontuação - Plano B - Criatividade e Improviso

A professora Edilene entrou na sala de aula do ensino médio, cumprimentou a classe, contudo, não se fez notada nem em sua segunda tentativa, já que, sendo tarde de segunda-feira, seus alunos estavam freneticamente absorvidos em relatos de seu fim de semana.

O tema do dia em seu plano de aula era um estudo sobre a ortografia e pontuação, e ela bem que tentou prosseguir, mas sem sucesso. Alguns instantes de hesitação da parte da professora, e ela pensou que era necessária uma estratégia diferente daquela a que estava acostumada. Então, encontrou dentro de si a melhor voz de locutora que sabia encarar, ajeitou seu timbre e tom e assim iniciou seu plano de aula B:

- De um futuro bastante distante, uma era em que a tecnologia tomou conta da Terra, surgiu o Mestre da Má Educação! Há-há-há-há! 

- Minha nossa, mas que susto o senhor me deu! - respondeu a professora Edilene, como se estivesse conversando com uma pessoa diante de si. - O senhor precisa de alguma coisa? Caso  contrário, poderia sair, pois está interrompendo minha aula?

- Como ousa falar dessa maneira com o Mestre da Má Educação? - empertigou-se Edilene, como se fosse o personagem surgido do nada.

Tal encenação atraiu a atenção dos alunos, que se calaram, seja por curiosidade, seja pela péssima atuação da professora, que para artes cênicas talento não tinha nenhum. Alguns consideraram ridículo e apenas reviraram os olhos. Outros acharam divertido, e cochicharam entre si. Outros permaneceram quietos, atentos ao desenrolar dos fatos.

- Eu sou do futuro - disse o tal Mestre da Má Educação, - e vim provar que educação é bobagem, que seus alunos não precisam aprender nada! NADA! - repetiu.

Depois de um momento de interrupção em que percebeu que a classe estava mais silenciosa do que antes, a professora voltou-se para eles e disse:

- Ei! Vocês ainda não estão escrevendo? Está valendo de zero a dez, pessoal! Prova de ditado, vou avaliar a pontuação e ortografia. Depressa! Destaquem uma folha, coloquem seu nome e comecem. Vocês já perderam o primeiro parágrafo.

Confusos, os alunos se entreolharam, cada qual expressando uma reação diferente. Dava para ler em seus semblantes o que se passava em suas mentes: professora perdeu o juízo, vou denunciar essa professora doida para a direção, não estou entendendo nada, o que foi que eu perdi, etc... Mas depois de duas semanas em que Edilene seguia rigidamente o plano de educação em uma formalidade que fazia jus a seu quase meio século de existência, era natural seus alunos estranharem. Coisa que a divertiu secretamente.

Enfim, iniciou novamente seu ditado, coisa de improviso, inclusive a narrativa, que não sabia de onde havia inventado tão rapidamente. Depois de algumas queixas dos seus alunos, que se demoravam a escrever, Edilene continuou:

- De onde vim, há aplicativos capazes de usar ortografia e pontuação em todos os textos publicitários, artigos científicos, livros digitais, legendas em videoconferências. Não há mais necessidade de ensinar isso agora, professorinha - disse o Mestre da Má Educação, sarcasticamente, querendo puxar briga com a professora.

- Obviamente que lá no seu futuro, senhor Má Companhia, ou melhor, Má Educação, ninguém precisa se incomodar com a ortografia ou a pontuação, porque hoje, no presente, há pessoas interessadas em ensinar e aprender esses temas. E se lá no seu futuro distante as pessoas não precisam mais disso, é porque as pessoas de hoje se tornaram especialistas no assunto, se formaram programadoras para facilitar e agilizar a comunicação.

E assim, a professora não precisou usar golpes e nem violência verbal como argumento, e com um debate muito respeitoso, convenceu o Mestre da Má Educação a admitir que se destruísse a educação do presente, não haveria a comunicação do futuro. Contrariado, entretanto, mais esclarecido, o vilão da Má Educação retornou para sua era com uma nova visão.

Finalizado o ditado, Edilene solicitou que cada aluno passasse sua folha para o colega de trás e a folha do aluno da ponta ela entregou para o primeiro, para que fizessem a correção, com sua supervisão.

Depois disso, ela usou os minutos finais de sua aula para discutir o tema: "Por que educação é importante?" e ficou bastante satisfeita, uma vez que os estudantes demonstraram espontaneidade e engajamento.