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Joinville, Santa Catarina, Brazil

Resenha - Tempos Extremos - Míriam Leitão


Tempos Extremos

Gostei extremamente desta obra. Míriam uniu em ficção a investigação sobre a época da repressão no Brasil, com a reconciliação (ou não) de dois irmãos separados pela ditadura - um do lado das Forças Armadas e outro exercendo rebelião para conquistar a liberdade. Ao tema, Míriam ainda teceu um suspense histórico, trazendo à tona a escravidão no Brasil.

Hélio e Alice guardam mágoas antigas. Ele, por estar do lado do governo, ela, por defender a resistência à ditadura em 1970. Larissa, a filha de Alice, parece a incapaz da família. Não consegue ser a lutadora como a mãe. Abandonara a profissão de jornalista e embarcara no ofício de historiadora.

A avó de Larissa, para comemorar os seus 88 anos, reúne os quatro filhos com suas famílias em uma fazenda chamada Soledade de Sinhá, em Minas Gerais, local que outra das filhas está restaurando para se tornar uma pousada. A avó quer a paz, mas há muito ela foi negada à sua família.

Larissa atravessa uma espécie de cortina do tempo, voltando 150 anos na história da fazenda e conhecendo a vida de três escravos da época: o pai Constantino e os filhos Paulina e Bento. Cada um busca a liberdade do seu jeito e buscam uma visitante do futuro para lhes dizer qual das empreitadas funcionará: se a fuga de Bento, se a liberdade concedida por meio de um pedido de Antonieta, sinhá de Paulina. Larissa, então, confusa com a experiência, percorre a casa em busca de documentos, e quando os encontra, procura os três amigos, mas já sabe da trágica experiência.

Nesse ínterim, Antônio, marido de Larissa e jornalista, descobre fotos do pai de Larissa sendo torturado, e junto dele, na foto, o próprio cunhado, Hélio, o que resulta na ruptura familiar.

Após toda a experiência, Larissa encontra seu destino como escritora da própria história. Visita, no Rio de Janeiro, o cemitério para o qual eram levados os chamados pretos novos, ou seja, escravos que faleciam na viagem até o Brasil ou que chegavam em condições de saúde precárias. E assim, descreve a história que pessoas anônimas como Constantino, Bento e Paulina vivenciaram, sempre em busca da liberdade que lhes fora roubada.

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