Nesta obra, Letícia nos presenteia com a pluralidade de reflexões. Somos levados, juntamente com Marcus Reismann e a neta grávida, a uma propriedade autossuficiente na serra, como forma de se proteger do aquecimento global, quando as enchentes ameaçam submergir Porto Alegre.
Acaso não temos todos um pouco do senso de preservação de Marcus Reismann, que prepara o que espera ser "o paraíso": uma casa com energia solar, pomares, plantas medicinais, livros, CD's e até mesmo internet temendo o degelo dos icebergs? Não levaríamos quem mais amamos para esse "paraíso", mesmo que não espontaneamente? E de um momento para outro, percebermos que o paraíso imaginado e construído para abrigar as vítimas de um fim de mundo iminente, também não seria inteiramente seguro?
As alucinações de Marcus Reismann - primeiro o garotinho, depois o mesmo já em idade avançada, revela toda sua preocupação em relação a ele mesmo e a própria família. Mostra que ele pretende dominar a neta menor de idade e grávida de seu bisneto, mas viver significa liberdade de expressão e respeito à vontade das outras pessoas. Temer o futuro de nossas gerações representa uma verdadeira responsabilidade.