Minha foto
Joinville, Santa Catarina, Brazil

Infantil - O PAVÃO E A CORUJA

O PAVÃO E A CORUJA

Rosimeri chegou em casa do trabalho e foi brincar de pega-pega com o Caio, que de tão feliz, fugia dela e dava altas gargalhadas. Lá pelas tantas, quando os dois cansaram da brincadeira, o Caio sentiu sono e adivinhe o que ele pediu para a zelosa mãe: contar uma história.
Rosimeri estava tão cansada do serviço, que não tinha mais disposição para criar nenhuma história, mas de tanto o filho insistir, ela se deitou com ele na cama e pensou em alguma coisa. Então se lembrou de um colega de trabalho que era extremamente exibido e pedante. Resolveu então contar uma história que ensinasse ao Caio sobre pedantismo.
      Pedantismo?! – estranhou o Caio, em sua voz infantil.
      Isso, filho! Pedantismo significa uma pessoa que se exibe mostrando conhecimentos que não tem. Mas você vai entender melhor depois que eu contar esta história.
      Ah, bom – disse ele, com os olhinhos atentos, cheio de curiosidade.


O Pavão circulava na área e se sentia o tal. Era exibido, espalhafatoso, ostentava beleza e inteligência e se achava acima dos outros bichos. Ele, caminhando devagar – o verdadeiro modelo de passarela, como ele mesmo se intitulava, de humilde não tinha nada. Com todo bicho com o qual o Pavão se encontrasse, falava com tal pedantismo que se criava uma péssima imagem do empenado esnobe.
Acontece que os bichos respeitavam a sabedoria da Coruja e mesmo que esta tivesse hábitos noturnos, aguardavam ansiosamente a vigilante da natureza para lhe pedir conselhos.
O Pavão dormia cedo, pois não queria prejudicar sua beleza com olheiras e também porque precisava da luz do dia para se exibir. Entretanto, cedeu seu precioso sono de pluma para esperar o anoitecer e debater com sua concorrente.
Então, chegou até a árvore onde a Coruja se encontrava e a viu com óculos debruçada sobre um grosso livro.
      Ô, Dona Coruja! Quero falar com a senhora! – chegou o Pavão, cheio de orgulho e autoritarismo.
      Boa noite pra você também, meu filho! – cumprimentou a Coruja, baixando seu livro e fitando o visitante. – Em que posso ajudar, querido garoto? – tornou ela, solícita.
      Disseram-me que a senhora é o bicho mais sábio de todo o reino da bicharada – respondeu o Pavão, em tom sarcástico. – E eu vim provar que não é! Veja! Trouxe minhas testemunhas!
Tão logo o Pavão anunciou, alguns bichos acionaram holofotes, câmeras de vídeo e aparelhos de som, todos preparados para transmitir um novo recorde, que predizia o reconhecimento do Pavão como o novo bicho mais inteligente do mundo animal. Uma grande correria de diversas espécies animais se formou para encontrar um bom lugar para apreciar o prometido debate.
Observando todo aquele aparato, a Coruja calmamente retirou seus óculos e voou para próximo do Pavão.
      Filho, ninguém é melhor que ninguém – explicou, bondosamente. – Se os bichos me reconhecem como sábia é apenas uma consequência de muito aprendizado e respeito pelos outros. Só que eu ainda estou aprendendo.
      Ah! Então já venci a competição antes mesmo de começar – comemorou o Pavão, abrindo seu leque de plumas exóticas. – A senhora Coruja reconhece que não é a mais inteligente. E eu entendo de tudo! – afirmou, cheio de gestos e rodopios. – Conheço Biologia, Química, Geografia, Matemática, Zoologia, sei o nome de todas as espécies, entendo de beleza, culinária, artes, Física e Astronomia.
      Nossa! Você é o bicho mais pedante que eu já conheci – riu-se a Coruja, despreocupadamente.
      Olhe lá o respeito, Dona Coruja! Eu não preciso pedir nada pra ninguém, não! Ora, chamar-me de pedinte é demais para minhas belas plumas! – revoltou-se o Pavão, ofendido.
      Meu garoto que sabe tudo, eu quis dizer pedante e não pedinte.
A Coruja voou para o seu lugar à árvore e abriu novamente sua enciclopédia. Calmamente, ela procurou nas páginas do espesso volume o significado do termo pedante. Os holofotes foram todos direcionados para ela.
      Conforme nosso dicionário, pedante é aquele que exibe conhecimentos que não tem. Caro Pavão, você pode saber de muita coisa, mas desta vez aprendeu algo novo.
O Pavão foi vaiado e, envergonhado com a gafe, fechou seu lindíssimo leque. Depois, pediu desculpas à Coruja e reconheceu que ninguém é melhor que ninguém e a cada instante adquirimos novos conhecimentos.
No dia seguinte, o Pavão, menos vaidoso, começou a conversar com a bicharada para aprender também a agir com sabedoria, porque inteligência é a capacidade que um bicho tem para aprender e sabedoria é a habilidade de pôr em prática aquilo que se aprende. Assim, passou a ser mais humilde com a importante lição.


      Entendeu agora, meu filho? – perguntou Rosimeri, enquanto fazia cafuné no Caio. Como ele não respondesse, ela desconfiou que ele tinha dormido e não escutara o final da história. Mas o Caio, muito arteiro, piscou para uma corujinha de pelúcia que tinha no quarto, para mostrar que tinha perfeitamente compreendido.

Crônica - MANUAL DA VIAGEM

Se você está cansado (a) da realidade e deseja “viajar” em espaços desco-nhecidos, como, por exemplo, outras galáxias que existem eu seu subconsciente, observe os procedimentos a seguir e... Boa “Viagem”!

1. Concentre-se em um foco: pode ser uma lembrança, um sonho que você deseje tornar realidade, ou ainda o que bem entender.
2. Selecionado o objetivo, comece a pensar. Imagine pessoas, lugares, sinta perfumes, lembre o sabor das coisas, deixe sua imaginação guiá-lo (a).
3. Não se preocupe para onde vai, apenas imagine.
4. Não perca a concentração, senão você corre o risco de ter que come-çar tudo de novo.
5. Certamente, enquanto estiver se projetando para dentro de si mesmo, algumas coisas chamarão a sua atenção. Pense nestas coisas, em fatos antigos com os quais elas poderiam se encaixar.
6. Viu? Não é difícil, não é mesmo? Ah, esqueci de avisar que você não deve preparar mala alguma. Vá sozinho (a), sem contrapeso, sem objetos que poderiam firmar seus pés no chão.
7. Seja autêntico (a)! Não deixe que os outros interrompam a sua “via-gem”! Esqueça o mundo ao seu redor.
8. Se você for muito longe, não se desespere. Você nem vai perceber.
9. A política da qualidade da “viagem” é a seguinte: A viagem dedica-se a atender exclusivamente o Id e o Ego, seus clientes diretos, através da criativida-de exacerbada e de um complexo controle de concentração que vise aprimorar continuamente seu talento imaginativo.
10. A missão da “viagem” é transpor as barreiras da coerência. Portanto, “viaje”! O seu mundo interior aguarda você de braços abertos.